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4 de mai. de 2013

Catastrofização: esperar pelo pior



                                                       
     

                                      Catastrofizar: esperar pelo pior

Existe um personagem de história infantil chamado Chicken Little, muito conhecida por quem estudou inglês na infância ou adolescência que conta a história de um galinho, atingido por uma noz que caiu na sua cabeça, reagindo com tal alarde, gritando desesperadamente que o céu estava caindo sobre sua cabeça. Conta a história que  o galinho provocou na bicharada uma grande confusão e rreria. Na verdade Chiken Little contaminou toda população dos bichos com seu exagero. Seu medo fez com que aceitasse a proteção da raposa que acabou por devorá-lo. Este tipo de comportamento transposto para os humanos tem um nome em psicologia: Catastrofização.
Catastrofização (anglicismo-catastrophizing) é a espera pelo desastre, remoendo o mantra “e se...”. “Meu Deus, e se ele não ligar? E se eu não conseguir o emprego? E se meu salto quebrar? E se esfriar ou chover? E se fizer sol? E se não der certo? E se o avião cair? E se o mundo acabar?” E se...E se,,,E se...
Muitas pessoas vivem em constante “E se...” como se quisessem antecipar o futuro. Tal comportamento, quando recorrente pode levar a grande nível de ansiedade, na medida em que a pessoa preocupa-se demais com as coisas que estão por vir, deixando de viver o presente.
Prevendo o futuro de maneira ruim, as pessoas sofrem por antecipação e começam a buscar soluções para aquilo que imaginaram em suas mentes, o que gera desgaste, estresse e ansiedade.
Como o próprio nome sugere, catastrofizar significa superestimar as conseqüências negativas de determinado comportamento, ou situação tornando-os verdadeiras catástrofes. É acreditar que o que aconteceu ou irá acontecer será terrível e insuportável. Este comportamento é mais freqüente do que parece, sobretudo, em pessoas muito ansiosas.
A palavra “Catástrofe” nos remete a desastre, algo ruim, tristeza, desgraça. O dicionário define como desgraça pública, calamidade, flagelo, que pode ser efeito da natureza ou provocada.
Catastrofizar traz um grau de sofrimento significativo para o individuo, envolve a previsão ou antecipação de evento extremamente aversivo, o que provoca um aumento ainda maior do nível de ansiedade já existente. Com níveis de ansiedade elevados, aumenta as chances de a pessoa correr riscos, cometer erros, o que pode alimentar  ainda mais a idéia de uma catástrofe iminente.
As pessoas são levadas a sérias pré-ocupações, onde o sofrimento antecipado leva a pessoa a se esquivar das situações a qual suspeita que possa sofrer algum tipo de avaliação ou julgamento.
A catastrofização envolve algum histórico de aprendizagem, ou seja, em determinado momento da vida a pessoa “aprendeu” a catastrofizar.
Esse tema me chamou a atenção quando uma paciente me contou muito assustada que seu estomago estava todo perfurado, eu então lhe perguntei: mas dona Maria (nome fictício) como assim? E ela respondeu como se esperasse de mim a alguma reação extraordinária: o médico disse que eu tenho que tomar muito cuidado pois estou com inúmeras úlceras e que ele não está nem pensando em me operar. E com toda convicção afirmou: doutora, pelo que o medico disse, isso pode virar um Câncer.
Quem apresenta este tipo de comportamento provavelmente conviveu com pessoas que demonstravam medo de situações cotidianas e as transformavam em situações ameaçadoras, aprendendo que o mundo é muito hostil e perigoso. Em outras palavras, a catastrofização envolve algum histórico de aprendizagem, pessoa “aprendeu” a catastrofizar.
Sabemos que o medo nos paralisa ou nos leva a fugir das situações que imaginamos como ameaçadora, assim, os indivíduos “catastróficos” tendem a perder muitas oportunidades, prejudicam sua vida social, desenvolvem doenças psicossomáticas e Transtorno Psicológicos.
Nem sempre será possível impedirmos que coisas ruins nos aconteçam. Mas é possível evitar vê-las piores do que são.
Todos nós temos as chamadas distorções cognitivas, que são expressas em pensamentos automáticos disfuncionais. Dentro da teoria da mente como processamento da informação, nossos esquemas distorcem a realidade para que esta se torne condizente com nossas crenças. Nesse sentido, a psicoterapia cognitiva constitui-se importante recurso para ajudar pessoas a desconstruir este aprendizado e a lidar com os pensamentos catastróficos.

               Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                         Psicóloga Clínica

30 de abr. de 2013

Equilíbrio emocional: a chave para o sucesso


                                                             


                                                Equilíbrio emocional: a chave para o sucesso.     

Sossego, tolerância, paciência, calma e confiança são condições sempre em falta naqueles que apresentam problemas e que procuram ajuda psicológica. Dificilmente um paciente que procura ajuda emocional não reclama da falta que estas condições lhe causam no relacionamento familiar, profissional e social. “As queixas constantes são manifestadas por frases do tipo: “Não consigo tolerar meu marido”. “Não suporto trabalhar com o meu chefe”, “não tenho paciência com meu filho”; “Vivo estressado”, “Não tenho paciência com minha sogra”. “Estou prestes a perder meu emprego por falta de controle”.
Embora se coloquem como a causa e admitam a falta dessas condições, acreditam que o problema está sempre no outro, no marido, no filho, no chefe, na sogra, no vizinho, enfim, fora dela, nas coisas, pessoas ou situações. É lógico que o problema pode estar também na forma de reagir e se comportar do outro, mas é preciso refletir o que em nós produz a reação no outro. Na verdade, nossa paz interior depende primeiramente do conhecimento que temos dos nossos próprios valores, crenças, sentimentos e emoções, ou seja, da relação do sujeito com ele mesmo.
Equilíbrio emocional, tolerância, bom senso, nos levam a melhor entendimento. Agir com calma é agir com sabedoria. Tolerância sem bom senso pode ser um risco. 
Para Leonardo Boff “Tudo tem limites, também a tolerância, pois nem tudo vale neste mundo... Há situações em que a tolerância significa cumplicidade com o crime, omissão culposa, insensibilidade ética ou comodismo”.
É preciso avaliar com inteligência quando uma situação pede intervenção imediata e firmeza ou, quando uma situação pode ser resolvida de maneira mais serena e tranqüila. Isto não quer dizer que devemos estar sempre em posição estável ou indiferente diante de circunstâncias desfavoráveis ou adversas, que o melhor é permanecermos na zona de conforto. Não significa que devemos nos conformar com tudo em nome da tolerância e paciência..
Por outro lado, a conseqüência da falta de calma é uma mente agitada, ansiosa, inquieta. É lógico que, às vezes, temos que agir rápido para darmos conta de responsabilidades ou até mesmo para salvar vidas, mas agir com rapidez não é o mesmo que agir com pressa. A rapidez é ágil, a pressa é afobação, precipitação.
A Bíblia, diz em Isaías 30: 15 “.. na quietude e confiança reside vossa força...”.
 É na quietude e na calma interior que conhecemos as grandes verdades da vida.
A grande verdade é que o equilíbrio emocional é extremamente importante para tomarmos decisões acertadas na nossa vida. O nosso equilíbrio emocional dependente do conhecimento que temos dos nossos estados internos e da influência que estes têm sobre os nossos pensamentos, comportamentos e atitudes. 
O homem pós-moderno tem sido estimulado emocionalmente mais do que qualquer outro da história humana, e em conseqüência disso, sua mente anda muito agitada e inquieta. O homem tem perdido a calma por muito pouco. Por motivos banais tem se tornado violento.
“A excitação constante do sistema nervoso tem produzido pessoas extremamente “apressadas”, “inquietas”, “intolerantes”, impacientes” e “ansiosas”.
A relação entre o equilíbrio emocional e o sucesso está em saber lidar com as emoções nos diversos âmbitos da vida: afetiva, social, familiar, profissional e até mesmo financeira.
Estudos desenvolvidos nas universidades de Harvard, de Stanford e na Fundação Carnegie revelam que “15% das razões pelas quais alguém conquista um emprego, mantêm-se nele ou consegue uma promoção é determinado pela sua qualificação técnica. Nos demais 85% dependem diretamente do equilíbrio emocional – da habilidade para comunicar-se e relacionar-se com os outros, de manter-se calmo, ter tolerância, segurança, etc.” Especialmente nas empresas em que o ambiente se caracteriza por pressão e resultados, competitividade, convivência com diversidade e segurança, torna-se imprescindível saber administrar emoções.
Manter o controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo, consiste basicamente em saber lidar com as emoções. É enfrentar com tolerância os erros alheios e superar fatos imprevistos e/ou indesejáveis. É suportar as dificuldades de toda ordem e não perder a capacidade de confrontá-las e resolvê-las com sabedoria e tranquilidade. É a capacidade de ser perseverante, saber esperar o momento certo para tomar decisões, saber administrar a ansiedade, buscando o controle, o equilíbrio e a paz interior.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
             Psicóloga Clínica



Ansiedade: reação de luta-ou-fuga


Ansiedade: reação de luta-ou-fuga


                                                 
                             Ansiedade: reação de luta-ou-fuga
             “A minha vida tem sido repleta de terríveis infortúnios, mas a maioria nunca aconteceu” (Montaigne)                                                                                                                  

 Todos nós, indistintamente, já experimentamos algum nível de Ansiedade. A Ansiedade é um estado psíquico de apreensão ou medo devido à antecipação de uma situação desagradável ou mesmo perigosa. É uma reação do organismo ao perigo ou ameaça que pode nunca ocorrer e que, na grande maioria das vezes, não acontece. A Ansiedade é um problema psicológico que se traduz por um sentimento de insegurança, ou, medo sem fundamento real. Na Ansiedade, o nível de medo não é determinado pela situação em si, mas pela interpretação que se faz dela e é algo muito mais grave do que estar sujeito às preocupações do cotidiano.Esta característica biológica ou estado emocional acompanha o ser humano ao longo de sua evolução e está muito presente no nosso dia-a-dia como também estive na vida de nossos antepassados, hoje, talvez um pouco mais acentuada pelas rápidas intensas e transformações da sociedade contemporânea.
Este estado afetivo caracterizado por um sentimento de insegurança; é um desejo ardente, uma aflição, uma incerteza em relação ao amanhã. É a sensação, às vezes, vaga de que algo desagradável está por acontecer.
Se o ser humano ganhasse um centavo cada vez que sentisse que algo ruim fosse lhe acontecer (quando na grande maioria das vezes, pode não acontecer, sobretudo, da forma imaginada), provavelmente estaria em boa situação financeira. Na verdade, o que acontece como conseqüência de suas ansiedades é que o ansioso não recebe tais moedas, mas uma importância muito grande de sofrimento inútil. 
Cientificamente, Ansiedade é definida como reação de luta-ou-fuga. Ela pode manifestar-se das mais diversas formas como, tonteiras, vista turva, dormência ou formigamento, tensão muscular, falta de ar, fadiga,dilatação das pupilas, aceleração dos batimentos cardíacos, dilatação dos brônquios e musculatura enrijecida, insônia, confusão mental, vertigem, arrepios, transpiração excessiva, mãos úmidas, boca seca, tremores, dores pelo corpo, dificuldade em relaxar, vômitos, sensações de sufocamento ou asfixia, sensação de morte iminente, medo de enlouquecer, de perder o controle. Pode ainda, se manifestar através de somatizações, ou seja, o ansioso pode converter a ansiedade em problemas físicos, incluindo dores de cabeça, distúrbios intestinais, taquicardia, hipertensão, dores difusas pelo corpo, alergias, etc. Pessoas ansiosas queixam-se freqüentemente de distração, falta de memória e de concentração.
Ansiedade se traduz por pressa, ânsia por movimento, inquietação interior, aflição do corpo, para que aquilo que estiver acontecendo ou que se suspeita acontecer, seja logo concluído. A Ansiedade é o desejo de acabar logo, de terminar, de cessar a sensação física e psíquica do contacto com a realidade, nessa perspectiva esse desejo acaba sendo o representante do instinto de morte.
A Ansiedade não é algo que se possa nomear claramente como a raiva, a tristeza, a inveja ou ciúme. Esses sentimentos são claramente nomeados por nós, enquanto a ansiedade é sempre nebulosa, isto é, é percebida como algo desconfortável, ameaçador, embora sua função primordial seja nos preparar e proteger contra perigos reais e imaginários.
Na dose certa, o sentimento de Ansiedade pode ser positivo. O ser humano precisa de desafios para se desenvolver, precisa aprender a viver com níveis de ansiedade suficientes para atingir o nível mais alto do seu potencial.
A Ansiedade dentro de certos limites é natural e útil, uma vez que constitui um valioso recurso adaptativo e incita as pessoas a procurar e encontrar soluções positivas. Neste sentido é uma poderosa fonte de ação e evolução do próprio indivíduo. É um mecanismo que aumenta a probabilidade duma resposta apropriada ao perigo: a resposta “luta-ou-fuga”. Assim, certa dose de ansiedade é normal, até mesmo, benéfica.
A Ansiedade anormal ou patológica é uma resposta inadequada a determinado estímulo, em virtude de sua intensidade ou duração. Diferentemente da Ansiedade normal, a patológica paralisa o indivíduo, traz prejuízo ao seu bem-estar e ao seu desempenho.
Os principais Distúrbios de Ansiedade são: Ansiedade generalizada, Ansiedade induzida por drogas ou problemas clínicos, Síndrome do Pânico, Distúrbios Fóbicos (Agorafobia, Fobia social, Fobia generalizada etc.), Transtorno Obsessivo-compulsivo.
Aprender a lidar com Ansiedade é fundamental para garantir vida saudável.
               Profa Dra Edna Paciência Vietta
                            Psicóloga Clínica

21 de abr. de 2013

Estresse: na perspectiva do mundo pós-moderno

                                                               
  
                                    Estresse: na perspectiva do mundo pós-moderno.
   
O ser humano sempre teve que assegurar sua própria sobrevivência, lutando ou fugindo dos perigos iminentes. Nos primórdios da humanidade o ser humano lutava contra os predadores e os perigos provocados por eventos da natureza: tempestades, furacões, e outros acontecimentos imprevistos.  Na vida moderna nossa sobrevivência continua sendo uma luta diária.
 O mundo muda ao longo dos séculos, embora semelhantes, as causas do estresse continuam as mesmas, persistindo como condição de enfrentamento intrínseco e natural da humanidade. O bombardeio de informações, a violência urbana, as drogas, as desigualdades sociais, as doenças, os conflitos, as guerras, tudo leva ao universo do estresse. Até bem pouco tempo, a humanidade vivia sem o recurso do fax, do telefone celular, do computador, da internet. De repente, o homem se dá conta das transformações ocorridas e se surpreende a cada dia, tendo que se adaptar às novas condições de vida. Há uma maior exigência interna e externa para a adaptação do ser humano às condições da vida atual.
A necessidade de conseguir mais dinheiro, atingir níveis de conforto e status social elevado, conquistar e manter-se num bom emprego, prover a família com bens materiais estimulado pela mídia, competir por melhores oportunidades profissionais, viver a maior parte do dia no trabalho e longe da família, alimentar-se de forma irregular e desequilibrada são apenas alguns fatores que certamente colaboram para o estresse no mundo contemporâneo.
A evolução tecnológica e científica mudou também o estilo de vida do homem moderno, impondo-lhe novas atitudes e comportamentos. Difícil é saber até que ponto e, em que sentido esta evolução contribuiu para melhorar ou piorar a qualidade de vida do homem na terra, embora se cogite que, dificuldades ou aspectos negativos possam ocorrer por conta da forma como o homem se utiliza destas conquistas.
De outra perspectiva, sem nenhum pessimismo, mas numa visão crítica, sabe-se que o crescimento econômico, alicerçado no consumismo e na competição desenfreada gerou muitas frustrações, fracassos, mal-estar social, vazio existencial, enquanto o sofrimento humano gerou na pós-modernidade novas formas de patologias psíquicas de âmbito mundial; a Anorexia Nervosa, a Bulimia, as Fobias, o Pânico, Alzheimer, só para citar algumas. A compulsão por compras, por exemplo, tornou-se uma forma de completude entre a ameaça do esvaziamento interior, a falta de sentido de vida, a angústia, a depressão, enquanto a competição gerou insegurança, medos, fobias, dependências, alcoolismo.
A sobrecarga de agentes estressores pode ser considerada importante fator para o mal-estar da civilização moderna. Essa sobrecarga é um estado no qual as exigências do ambiente excedem às nossas capacidades de adaptação. Acresce-se ainda, a urgência de tempo para execução de tarefas, responsabilidades e preocupações excessivas além dos problemas do dia-a-dia, também assoberbados pela vida moderna. Estes últimos, relacionados à falta de segurança e estabilidade, com repercussão nas relações familiares, educação dos filhos (preocupação com violência e drogas) e a falta de descanso e lazer. A falta de estímulo, o sentimento de inutilidade, a falta de sentido de vida, a solidão, o isolamento, a rotina, também podem resultar em estresse.
O estresse não se manifesta com a mesma intensidade para todas as pessoas, ele se instala com manifestações que podem variar de leves, moderadas ou intensas, dependendo do tipo, intensidade, freqüência da exposição ao fator estressante e das diferenças individuais.
Para que um evento se torne estressante é necessário que o mesmo, seja percebido como tal. Assim, o modo de ser de uma pessoa, seu estilo de vida, suas crenças e valores, seus hábitos, sua personalidade, interferem na eclosão e intensidade do estresse.
Dependendo da intensidade, o estresse pode causar grande sofrimento e provocar desgaste físico e mental, deterioração e envelhecimento precoce, interferir na imunidade do organismo predispondo-o a doenças ou agravando condições de enfermidades já instaladas.
Perturbações psicossomáticas, desencadeadas nestas condições como, enxaqueca, fibromialgia, hipertensão essencial, úlcera duodenal, obesidade, artrite reumatóide, doença coronariana, e outros sintomas como: diarréia, taquicardia, falta de ar, cansaço, insônia, dificuldades de concentração, dificuldades sexuais, podem ser consideradas como produtos deste fantasma do mundo moderno, quando avaliações médicas criteriosas e exames clínicos, não forem suficientes para determinar sua etiologia.

             Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                         Psicóloga Clínica


16 de abr. de 2013

O corpo concretiza a existência do indivíduo



                                            

                   O corpo concretiza a existência do indivíduo
 Na fronteira entre o eu e o mundo, o corpo é linguagem e comunicação (CASTILHO, 2001).
A partir do corpo, nos percebemos e somos percebidos. Através do corpo interagimos com o mundo que nos cerca. Podemos dizer que a identidade humana é inseparável de seu substrato somático. O modo como as pessoas existem nesse substrato acaba por determinar sua forma de existir no mundo.
A imagem corporal segundo SCHILDER (1935) consiste na representação da forma, do tamanho e da aparência do nosso corpo produzida em nossa mente. A imagem corporal é, portanto, um dos componentes importantes para a formação da identidade pessoal.
Entre as diversas maneiras que o indivíduo possui para pensar a respeito de si mesmo, nenhuma é tão essencialmente imediata e central como a imagem de seu próprio corpo.
Fatores históricos e atuais levam os indivíduos a se relacionar com seu corpo de modo satisfatoriamente positivo ou não. Os fatores históricos são as circunstâncias do passado que moldam a forma de cada um enxergar a própria aparência. Os fatores atuais são as experiências de vida cotidiana que determinam como as pessoas pensam, sentem e reagem à sua aparência.
Certas crenças básicas ou assunções sobre o significado da aparência na vida são aprendidas, quer através de insultos traumáticos, mensagens familiares ou socialização cultural.
 Padrões culturais de beleza, muitas vezes impostos pela sociedade são fatores importantes na formação da imagem corporal e no modo como o indivíduo se relaciona consigo. O ser humano é pressionado, a se adequar ao corpo ideal de sua cultura. Muitas são as formas de arquitetar a beleza, e a maioria delas pode estar associada a grandes riscos como as dietas restritivas, a prática excessiva de atividades físicas, o uso de anabolizantes e as cirurgias estéticas.
A influência dos padrões de corpo, divulgados pela mídia na atualidade, sobre a Imagem Corporal tem grande relevância no que tange à adoção de comportamentos de risco e à etiologia dos transtornos alimentares. O surgimento de novas exigências traz consigo novas demandas, tornando cada objetivo transitório e deixando cada vez mais distante a satisfação em relação ao corpo.
Todos os dias somos bombardeados com imagens de modelos com corpos bonitos, e ter um “corpo perfeito” transformou-se num fator de aceitação social, e por conseqüência numa necessidade. Mais cedo ou mais tarde, surge uma comparação entre o que somos e o que gostaríamos de ser. As conclusões obtidas podem levar a uma imagem corporal negativa resultando numa baixa auto-estima.
Tavares 2003 afirma que a identidade corporal é sempre um processo em construção, e que as primeiras experiências infantis são fundamentais no desenvolvimento da imagem corporal (2003). Assim, as imagens corporais são dinâmicas e mutáveis em razão de representar o corpo um objeto em constante modificação.
A partir da segunda metade do século XX, o culto ao corpo ganhou dimensão social inédita: entrou na era das massas. A mídia adquiriu imenso poder de influência sobre os indivíduos, generalizou a paixão pela moda, expandiu o consumo de produtos de beleza, anunciou transformações nos corpos de pessoas famosas - por meio da cirurgia plástica - e tornou a aparência uma dimensão essencial da identidade para um maior número de mulheres e homens (CASTILHO, 2001).
Parece-nos relevante sugerir que a felicidade tão almejada pela sociedade ocidental, passa, substancialmente, pela condição corporal das pessoas. Um corpo físico bonito, jovem e atraente virou um requisito de sobrevivência, uma espécie de obrigação a ser cumprida com direito à culpabilização. A clássica frase que representa bem esse fato é: “Só é gordo e feio quem quer, quem não se cuida ou é desleixado”.
Tiggemann (2002) destaca, ainda, o papel do processo através do qual a mídia oferece instruções explícitas sobre como atingir o ideal de beleza, destacando que estas informações promovem a crença de que as pessoas podem, e de fato devem, controlar sua forma e peso corporais.
Desse modo, a expectativa de corpo difundida na sociedade contemporânea acaba por influenciar a imagem do corpo, podendo se associar a transtornos mentais e do comportamento, bem como a atitudes prejudiciais à saúde.

                       Profa Dra Edna Paciência Vietta
                                    Psicóloga Clínica

7 de abr. de 2013

Maconha: uma droga nada inocente


                                                                     

31 de mar. de 2013

Virtudes, Saúde e Sucesso


                                                  

                               Virtudes, Saúde e Sucesso.     
Sossego, tolerância, paciência, calma e confiança são virtudes sempre em falta naqueles que apresentam problemas e que procuram ajuda psicológica. Dificilmente um paciente que procura ajuda emocional não reclama da falta que estas virtudes lhe causam no relacionamento familiar, profissional e social. “As queixas constantes são manifestadas por frases do tipo: “Não consigo tolerar meu marido”. “Não suporto trabalhar com o meu chefe”, “não tenho paciência com meu filho”; “Vivo estressado”, “Não tenho paciência com minha sogra”. “Estou prestes a perder meu emprego por falta de controle”.
Embora se coloquem como a causa e admitam a falta dessas virtudes, acreditam que o problema está sempre no outro, no marido, no filho, no chefe, na sogra, no vizinho, enfim, fora dela, nas coisas, pessoas ou situações. É lógico que o problema pode estar também na forma de reagir e se comportar do outro, mas é preciso refletir o que em nós produz a reação no outro. Na verdade, nossa paz interior depende primeiramente do conhecimento que temos dos nossos próprios valores, crenças, sentimentos e emoções, ou seja, da relação do sujeito com ele mesmo.
Tolerância, serenidade, mansidão, paciência são virtudes que nos levam ao entendimento. Agir com calma é agir com sabedoria. Basta avaliar com inteligência quando uma situação pede intervenção imediata e firmeza ou, quando uma situação pode ser resolvida de maneira mais serena e tranqüila. Isto não quer dizer que devemos estar sempre em posição estável ou indiferente diante de circunstâncias desfavoráveis ou adversas, que o melhor é permanecermos na zona de conforto, que devemos nos conformar com tudo, que nunca poderemos alterar nosso humor.
A conseqüência da falta de calma é uma mente agitada, ansiosa, inquieta. É lógico que, às vezes, temos que agir rápido para darmos conta de responsabilidades ou até mesmo para salvar vidas, mas agir com rapidez não é o mesmo que agir com pressa. A rapidez é ágil, a pressa é afobação, precipitação.
Se você leu a Bíblia, provavelmente vai se lembrar de um trecho de Isaías que diz “... na quietude e confiança reside vossa força...”.
 É na quietude e na calma interior que conhecemos as grandes verdades da vida.
O homem pós-moderno tem sido estimulado emocionalmente mais do que qualquer outro da história humana, e em conseqüência disso, sua mente anda muito agitada e inquieta. O homem tem perdido a calma por muito pouco. Por motivos banais tem se tornado violento.
“A excitação constante do sistema nervoso tem produzido pessoas extremamente “apressadas”, “inquietas”, “intolerantes”, impacientes” e “ansiosas”.
Até por uma questão biológica, podemos afirmar que a ansiedade sempre esteve presente na humanidade desde as cavernas até a nave espacial. A novidade é que só nos demos conta da quantidade, tipos e efeitos dessa ansiedade sobre o organismo e sobre o psiquismo humano, com as concepções da prática clínica, da medicina psicossomática e da psiquiatria.
A grande verdade é que o equilíbrio emocional é extremamente importante para tomarmos decisões acertadas na nossa vida. O nosso equilíbrio emocional dependente do conhecimento que temos dos nossos estados internos e da influência que estes têm sobre os nossos pensamentos, comportamentos e atitudes. 
“Estudos desenvolvidos nas universidades de Harvard, de Stanford e na Fundação Carnegie revelam que 15% das razões pelas quais alguém conquista um emprego, mantêm-se nele ou consegue uma promoção é determinado pela sua qualificação técnica. Nos demais 85% dependem diretamente do equilíbrio emocional – da habilidade para comunicar-se e relacionar-se com os outros, de manter-se calmo, ter tolerância, segurança, etc.” Especialmente nas empresas em que o ambiente se caracteriza por pressão e resultados, competitividade, convivência com diversidade e segurança, torna-se imprescindível saber administrar emoções.
Manter um controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo, consiste basicamente em saber lidar com nossas emoções, enfrentar com tolerância os erros alheios e superar fatos imprevistos e/ou indesejáveis. É suportar as dificuldades de toda ordem e não perder a capacidade de confrontá-las e resolvê-las com sabedoria e tranquilidade. É a capacidade de ser perseverante, saber esperar com paciência e quietude o momento certo para tomar decisões, de se libertar da ansiedade buscando o controle, o equilíbrio e a paz interior.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
             Psicóloga Clínica

25 de mar. de 2013

Enfrentar Angústias ou Somatizá-las: eis a qustão


                  Enfrentar angústias ou somatizá-las - eis a questão


Somatização, basicamente, é uma manifestação de conflitos e angústias psicológicos por meio de sintomas corporais. Lipowski (1988) propõe que a somatização “é uma tendência que o indivíduo tem de vivenciar e comunicar suas angústias de forma somática, isto é, através de sintomas físicos que não têm uma evidência patológica, os quais atribuem às doenças orgânicas, levando-o a procurar ajuda médica”. Acredita que tal tendência geralmente se manifesta em resposta a estresses psicossociais como eventos de vida e situações conflitivas. Não obstante, esses pacientes geralmente não conseguem relacionar suas angústias com questões psicossociais quando não, negam explicitamente tal possibilidade.
O médico vê-se pressionado a efetuar muitos exames físicos e análises para determinar se o cliente tem uma perturbação física que explique os sintomas. As inter-consultas com especialistas são freqüentes, mesmo quando a pessoa tenha desenvolvido uma relação razoavelmente satisfatória com seu médico.
Indivíduos com transtorno de somatização costumam passar longos períodos internados fazendo exames, mas nenhum deles explica satisfatoriamente seus sintomas.
Se após alguns exames e consultas médicas, nenhuma doença for detectada, há grande chance de o diagnóstico apontar para um transtorno psicossomático, também conhecido como somatização. A somatização é uma doença de fundo emocional e invariavelmente pode refletir fisicamente, com taquicardias, síndrome do pânico ou ataques de ansiedade.
O estresse e a ansiedade são os principais fatores no aparecimento, na manutenção ou repetição de uma doença física, porque alteram o funcionamento de vários sistemas do nosso organismo, liberando ou inibindo a produção de substâncias, como adrenalina, cortisol e serotonina.
Sabe-se hoje, que os estados psíquicos como estresse, depressão, ansiedade, medo, raiva, etc., favoreçam o desenvolvimento e/ou a manifestação de doenças orgânicas como úlceras, colites, problemas cardíacos, alergias, doenças da pele e até mesmo o câncer.
Segundo Volp, J.H (2005), o corpo sente, aprende, se disciplina, se condiciona e expressa os conflitos emocionais da mente, corporificados nos tecidos celulares, refletidos na qualidade do tônus muscular, expressões faciais, ritmo respiratório, postura, tom de voz, etc. Portanto, nosso corpo é moldado de acordo com as experiências vividas, principalmente aquelas ocorridas na primeira infância, quando as formas que encontramos para nos defender ainda são precárias. Esses acontecimentos muitas vezes deixam marcas profundas e irreversíveis.
Estudos mostram que existem traços de personalidade comuns àqueles que tendem a somatizar. São, em geral, pessoas muito pragmáticas, com reduzida capacidade de fantasiar, dão pouco espaço para elaboração psíquica, pouca capacidade de imaginação, de sonhar. Têm o que se chama de pensamento operatório. "Para eles pau é pau e pedra é pedra", tem pouco contato e tempo para suas questões psicológicas.
 Vêem as coisas de forma tão concreta que lhes parece mais simples viver os conflitos no corpo do que problematizá-los no psíquico.
 Nem crianças escapam da somatização. Como elas têm as defesas psíquicas menos estruturadas, não é difícil que apresentem febre, falta de ar ou diarréia quando passam por algum tipo de sofrimento.
Portanto, constantemente somos confrontados com dois caminhos: ouvir nosso corpo e deixá-lo falar em seus desejos e expressar suas angústias, ou submetê-lo aos estresses físicos e psicológicos diários que a vida nos traz, formando assim as couraças.
Os somatizadores estão entre os principais usuários do sistema de saúde: 60% das consultas médicas referem-se a pacientes com queixas sem nenhuma causa orgânica. As principais reclamações são: Dor no peito, Fadiga, Tontura, Dor de cabeça, Dor nas costas, Falta de ar, Taquicardia, Insônia, Dor abdominal.
Certas doenças têm um componente fortemente somático. É o caso de asma, úlceras, fibromialgia, gastrite, alergias e herpes, principalmente. As situações que mais deflagram respostas somáticas são as de estresse decorrente perdas diversas por luto ou perda afetiva, separação conjugal, perda de emprego, aposentadoria, perda financeira, etc.
As explicações puramente biológicas da doença têm sido questionadas em diversos estudos que evidenciam a influência da mente e das emoções, nos estados de saúde. Sabe-se, hoje, que o sistema nervoso autônomo, responsável pela coordenação do funcionamento de todos os órgãos internos, é regulado pelo sistema límbico, que por sua vez é afetado pelas experiências afetivas e emocionais do indivíduo em seu contexto social.

                        Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                              Psicóloga Ribeirão Preto

11 de mar. de 2013

A Tampa e o Balaio


                                       


                                                                 A Tampa e o Balaio
Temos observado na clínica, com certa freqüência que alguns pacientes apresentam um padrão repetitivo de comportamento afetivo no qual a escolha do parceiro ou parceira determina sempre relacionamentos complicados.
Estes pacientes apresentam características de pessoas co-dependentes, inseguras, críticas, desconfiadas, ciumentas, possessivas e pessimistas, não necessariamente todas essas característica, mas a maioria destas. Conversando com elas logo identificamos queixas do tipo “isso só acontece comigo”, “só atraio pessoas problemáticas”. Em situações de escolhas ou decisões tais pessoas dizem se sentir reduzidas a poucas alternativas do tipo “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Seus relacionamentos são instáveis, baseados na desconfiança, apresentam uma espécie de atração por pessoas complicadas, geralmente muito parecidas em termos de carência afetiva ou com problemas análogos ou com o seu oposto.
Nos contatos do dia-a-dia, tudo favorece para que as atividades desenvolvidas por tais pessoas não aconteçam na normalidade, em outras palavras, há sempre algo dificultando ou impedindo seu desempenho normal. Sem se dar conta, uma palavra basta para gerar em torno delas, polêmicas, conflitos e auto-reprovação do tipo: “isso só acontece comigo”, “só podia ser comigo”, “porque não calei a minha boca”, “só arranjo confusão”, etc
Essas pessoas chegam a desenvolver um tipo de relacionamento onde impera a dominação/submissão, coação/hostilidade, chantagem/vitimação. O relacionamento se torna um tipo de teste. O outro tem sempre que estar dando provas de amor. O padrão é sempre o mesmo, e a pessoa não percebe sua carência, imaturidade, insegurança, ciúme, pessimismo, baixa auto-estemas. Habitualmente são pessoas teimosas, persistentes em seus erros, inflexíveis em suas posturas e opiniões, sempre se achando com a razão, às vezes, agressivas, descontroladas, muitas vezes impulsivas quando não arrogantes (não necessariamente com todos esses quesitos). Por seu comportamento excêntrico acabam sendo discriminados, isolados dos demais, aborrecidos, mal humorados, sendo geralmente escolhidos como “bodes expiatórios” de grupos em seu entorno.
Na verdade, boa parte da população busca parcerias neste tipo de relacionamento. A situação se agrava quando esse tipo de relacionamento se concretiza na escolha amorosa, ou seja, pessoas se unem onde ambas apresentam esse mesmo padrão de comportamento. Quando isso acontece fica claro a busca de satisfação de necessidades mútuas doentias de ambos. É comum casais neste padrão perceber sua incongruência, porém, persistirem num relacionamento destrutivo. Esta situação chega a tal ponto de se desenvolver uma relação tipo sado-masoquista onde um sente prazer em magoar o outro.
Na vida dessas pessoas, chamadas co-dependentes, encontram-se geralmente histórias de pais ausentes, carências afetivas na infância, ambientes familiares hostis, conflitos freqüentes entre os pais, crianças que receberam mensagens dúbias como “te amo por isso te maltrato”, ”te faço sofrer, mas um dia você vai me agradecer”.
O co-dependente apresenta dificuldade em refletir sobre seus sentimentos: medo de amar e de se doar verdadeiramente, medo de perder o afeto das pessoas, de ser abandonado, de ter solidão.
Neste tipo de relacionamento todos sofrem. A dinâmica familiar se estabelece de forma doentia, numa espécie de simbiose.
O co-dependente se sente incompleto, busca no outro o que lhe falta e geralmente consegue o seu intento, é o popular “a tampa e o balaio” Vivem um “amor bandido” e vão se tolerando entre tapas e beijos, até que o relacionamento se desgasta e ai ou se separa ou vive no tormento.
É possível evitar tudo isso? Na verdade muitos relacionamentos acabam sendo desastrosos se a pessoa não tem autoconhecimento, é preciso primeiramente se cuidar emocionalmente, entendendo em que base faz suas escolhas. Para isso se faz imprescindível o autoconhecimento. A psicoterapia pode beneficiar na quebra destes padrões de repetição, interrompendo a ocorrência de comportamentos repetitivos que impedem o desenvolvimento saudável.  
                                        Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                            Psicóloga Ribeirão Preto

Psicoterapia e seus benefícios



Os últimos avanços na área da Psicologia e Psicoterapia têm permitido alcançar resultados cada vez melhores e mais significativos. Apesar de ser considerado um tratamento oneroso, a psicoterapia tem se mostrado, na realidade, um procedimento econômico. Pesquisas indicam que a aplicação efetiva da psicoterapia diminui os índices de transtornos mentais, internações hospitalares, idas aos prontos socorros, a auto-medicação e seus malefícios, e consumo indevido de psicotrópicos, outros medicamentos, etc.
Além dos benefícios que traz para a saúde psicológica da pessoa, a psicoterapia melhora a qualidade de vida, favorece a aquisição de autonomia, aumento de auto-estima, dando uma nova orientação em relação à vida das pessoas. A psicoterapia tem se mostrado um tratamento economicamente compensador, por prevenir e tratar problemas psicológicos que, quando não tratados adequadamente, trazem enormes prejuízos pessoais, conjugais, sociais e profissionais, com repercussão na situação econômica e afetiva das pessoas (perdas financeiras, compulsões, divórcios, separação, perda de emprego ou de oportunidade de ascensão no trabalho, etc.).
Em nossa atividade profissional, temos observado que a maioria das pessoas que tem comparecido à clínica, em busca de ajuda psicológica, o faz por vontade própria, outros vêm por insistência ou pressão da família. Os que comparecem por esta última via, geralmente, apresentam maior dificuldade em aderirem ao tratamento, neste caso demoram um pouco mais a se engajarem no processo. É importante dizer que a psicoterapia só funciona a partir do momento em que o cliente desejar ser ajudado e aceitar o tratamento, ou seja, sem engajamento não há terapia. A experiência tem mostrado que as pessoas que procuram ajuda espontaneamente respondem melhor ao tratamento e têm melhor aproveitamento que aquelas que se submeteram às decisões de terceiros. Os que tomaram iniciativa própria, geralmente se deram conta de que algo diferente estava acontecendo com elas, sentiram necessidade de buscarem ajuda e obtiveram grande alívio ao poderem expressar seus sentimentos de forma adequada. Alguns destes sentimentos foram manifestos através da verbalização de insatisfação como forma da pessoa reagir a certos acontecimentos, frustrações com sua situação familiar, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, falta de iniciativa ou disposição para realizar atividades cotidianas, posturas habitualmente pessimistas, oscilação de humor, medos irracionais, pânico, timidez, ansiedade, depressão, ciúme, desânimo, entre outros. Ainda, como motivos desta procura foram indicados: a percepção de que o padrão de comportamento utilizado por essas pessoas não lhes proporcionava vida estável e equilibrada, que o jeito habitual de ser, lhes causava problemas e prejuízos consideráveis na vida pessoal, social e profissional, sendo, muitas vezes, impeditivos para o estabelecimento de relacionamentos satisfatórios.
Temos presenciado pessoas que procuram ajuda psicológica por, de repente, se deram conta de que os problemas foram se acumulando ao longo da vida e soluções foram sendo postergadas às expensas do estresse causado, culminando em agravamento de conflitos pessoais, conjugais e profissionais. Algumas pessoas ficaram surpresas em terem permitido que seu estado emocional pudesse chegar a tal nível. Tais pessoas se questionaram como puderam negligenciar sua saúde mental e conviverem com tantos problemas, suportando tantos sofrimentos. Mais surpresas ficaram quando descobriram as conseqüências negativas, que poderiam ter evitado (algumas delas irreversíveis), caso tivessem buscado ajuda apropriada, no momento adequado. As pessoas se mostraram arrependidas por não terem tomado iniciativa antes, tomando consciência do preço que tiveram que pagar por permanecerem em conflitos consigo e com os outros, sobretudo, com os mais próximos e significativos (filhos, pais, cônjuges, etc.). Admitiram o quanto viveram infelizes, derrotadas, amargas, mal-humoradas, quando poderiam ter desfrutado melhor as oportunidades da vida. Pessoas que já poderiam ter alcançado sucesso em sua vida conjugal, familiar, profissional, encontram-se hoje, sem rumo, desorientadas frustradas, sem perspectivas futuras por falta de autoconhecimento e auto-estima. Quantas delas insistem em resolver os problemas por si próprias, sem obterem resultados desejados, se acomodando a eles por medo, orgulho, preconceito, teimosia, ou mesmo, por ignorarem os recursos psicológicos disponíveis. Ainda, assim, muitas resistem recorrerem a esta alternativa, mesmo sabendo ser esta, o recurso efetivo para instrumentá-las a lidarem adequadamente com seus conflitos.

Auto-estima: sucessos e fracassos

A auto-estima é um sentimento essencial à sobrevivência psicológica, no entanto, as exigências do mundo moderno parecem estar tornando tal conquista uma tarefa penosa e difícil de ser atingida. Haja vista suas implicações freqüentemente detectadas nas queixas dos clientes tanto jovens, como adultos e idosos que procuram ajuda psicológica, entre elas: a timidez, a insegurança, a depressão, a dependência afetiva, o ciúme excessivo, etc.
A crise de valores parece ser outra conseqüência desta presença constante, um dos sintomas emocionais freqüentes. Muitos sentimentos de inferioridade podem ser influenciados por valores distorcidos pela mídia, por publicidades apelativas, por apelos ao consumismo, pelo culto ao corpo, por ideologias consumistas.
O mundo moderno supervaloriza o novo, o belo, o perfeito, o forte, os mais jovens, a performance sexual, as proezas atléticas, o poder, as posses materiais, mas não valoriza da mesma forma, o amor, a simpatia, o caráter, a amizade, a alegria, a paz, a fé, a tolerância, a fidelidade, a compreensão, as tradições, a disciplina, os valores morais. Quando falamos de auto-estima estamos referindo-nos ao grau de aceitação de nós mesmos, do grau de estima que adotamos frente ao conceito que fazemos de nós. Nossos sentimentos afetam nossa auto-estima de maneira positiva ou negativa. O sentimento de auto-estima é a percepção valorativa de nosso ser, da importância que temos para as pessoas que nos rodeiam, e desta, depende toda nossa realização pessoal e profissional. É a partir dela que tomamos decisões, fazemos escolhas e nos relacionamos e interagimos com o meio familiar, profissional e social.
Da auto-estima depende nossos sucessos e fracassos, uma vez que vinculada a um conceito positivo de nós mesmos, pode potencializar nossas capacidades e talentos, desenvolver habilidades, aumentar nosso grau de segurança pessoal e nos levar a postura otimista frente a novas conquistas. Isto implica no sentimento de estarmos de bem com a vida, de sermos aceitos e amados pelo que somos. Por outro lado, também é certo que auto-estima em excesso pode se constituir num transtorno para o relacionamento quando a pessoa se torna convencida, arrogante, egoísta, podendo, muitas vezes, ser confundida com a personalidade narcísica.
Estudos recentes, realizados por pesquisadores da Califórnia, afirmam que auto-estima muito elevada pode levar à frustração e até mesmo à delinqüência. Segundo os pesquisadores, a pessoa que não sabe dosar sua auto-estima traz danos a si própria e à sociedade, pois esta atitude pode extrapolar os níveis saudáveis da competitividade e exacerbar a agressividade e a intolerância. O ideal é a ponderação entre os extremos.
A auto-estima negativa faz com que a pessoa não confie em si própria, nem em suas possibilidades, se desvalorizando e se sentindo inferior às outras pessoas. A pessoa com baixa auto-estima está sempre com a sensação de desvantagem, incapacidade, sentimento de que nunca chegará a ter o mesmo rendimento que os outros e acaba se convencendo disso. A autocrítica dura e excessiva, imposta pela baixa auto-estima, imprime estados de insatisfação da pessoa consigo própria, indecisão crônica, medo exagerado do insucesso, e de equivocar-se, ser criticado, humilhado, rejeitado, etc. Esta condição faz com que o indivíduo se retraia e desista de seus intentos.
O autoconceito e a auto-estima, em dose adequada, favorecem o sentido de identidade, constitui marco de referência, já que interpretar a realidade externa e às próprias experiências, influem no rendimento, condiciona as expectativas e a motivação, contribuindo de forma efetiva para o controle emocional e conseqüentemente para o equilíbrio psíquico.
O autoconhecimento é o caminho para auto-realização e o processo que leva à auto-estima. À medida que a pessoa identifica e aceita suas qualidades e defeitos, estará aberta para o conhecimento e reconhecimento de seus sentimentos, desejos e vontades, estará dando um grande passo para o autoconhecimento. Em geral, experiências positivas, e bons relacionamentos ajudam a aumentar a auto-estima, enquanto experiências e relações problemáticas a diminuem.
Seja uma pessoa bem sucedida cuidando de sua saúde emocional.




Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
Psicóloga/Psicoterapeuta