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16 de abr. de 2013

O corpo concretiza a existência do indivíduo



                                            

                   O corpo concretiza a existência do indivíduo
 Na fronteira entre o eu e o mundo, o corpo é linguagem e comunicação (CASTILHO, 2001).
A partir do corpo, nos percebemos e somos percebidos. Através do corpo interagimos com o mundo que nos cerca. Podemos dizer que a identidade humana é inseparável de seu substrato somático. O modo como as pessoas existem nesse substrato acaba por determinar sua forma de existir no mundo.
A imagem corporal segundo SCHILDER (1935) consiste na representação da forma, do tamanho e da aparência do nosso corpo produzida em nossa mente. A imagem corporal é, portanto, um dos componentes importantes para a formação da identidade pessoal.
Entre as diversas maneiras que o indivíduo possui para pensar a respeito de si mesmo, nenhuma é tão essencialmente imediata e central como a imagem de seu próprio corpo.
Fatores históricos e atuais levam os indivíduos a se relacionar com seu corpo de modo satisfatoriamente positivo ou não. Os fatores históricos são as circunstâncias do passado que moldam a forma de cada um enxergar a própria aparência. Os fatores atuais são as experiências de vida cotidiana que determinam como as pessoas pensam, sentem e reagem à sua aparência.
Certas crenças básicas ou assunções sobre o significado da aparência na vida são aprendidas, quer através de insultos traumáticos, mensagens familiares ou socialização cultural.
 Padrões culturais de beleza, muitas vezes impostos pela sociedade são fatores importantes na formação da imagem corporal e no modo como o indivíduo se relaciona consigo. O ser humano é pressionado, a se adequar ao corpo ideal de sua cultura. Muitas são as formas de arquitetar a beleza, e a maioria delas pode estar associada a grandes riscos como as dietas restritivas, a prática excessiva de atividades físicas, o uso de anabolizantes e as cirurgias estéticas.
A influência dos padrões de corpo, divulgados pela mídia na atualidade, sobre a Imagem Corporal tem grande relevância no que tange à adoção de comportamentos de risco e à etiologia dos transtornos alimentares. O surgimento de novas exigências traz consigo novas demandas, tornando cada objetivo transitório e deixando cada vez mais distante a satisfação em relação ao corpo.
Todos os dias somos bombardeados com imagens de modelos com corpos bonitos, e ter um “corpo perfeito” transformou-se num fator de aceitação social, e por conseqüência numa necessidade. Mais cedo ou mais tarde, surge uma comparação entre o que somos e o que gostaríamos de ser. As conclusões obtidas podem levar a uma imagem corporal negativa resultando numa baixa auto-estima.
Tavares 2003 afirma que a identidade corporal é sempre um processo em construção, e que as primeiras experiências infantis são fundamentais no desenvolvimento da imagem corporal (2003). Assim, as imagens corporais são dinâmicas e mutáveis em razão de representar o corpo um objeto em constante modificação.
A partir da segunda metade do século XX, o culto ao corpo ganhou dimensão social inédita: entrou na era das massas. A mídia adquiriu imenso poder de influência sobre os indivíduos, generalizou a paixão pela moda, expandiu o consumo de produtos de beleza, anunciou transformações nos corpos de pessoas famosas - por meio da cirurgia plástica - e tornou a aparência uma dimensão essencial da identidade para um maior número de mulheres e homens (CASTILHO, 2001).
Parece-nos relevante sugerir que a felicidade tão almejada pela sociedade ocidental, passa, substancialmente, pela condição corporal das pessoas. Um corpo físico bonito, jovem e atraente virou um requisito de sobrevivência, uma espécie de obrigação a ser cumprida com direito à culpabilização. A clássica frase que representa bem esse fato é: “Só é gordo e feio quem quer, quem não se cuida ou é desleixado”.
Tiggemann (2002) destaca, ainda, o papel do processo através do qual a mídia oferece instruções explícitas sobre como atingir o ideal de beleza, destacando que estas informações promovem a crença de que as pessoas podem, e de fato devem, controlar sua forma e peso corporais.
Desse modo, a expectativa de corpo difundida na sociedade contemporânea acaba por influenciar a imagem do corpo, podendo se associar a transtornos mentais e do comportamento, bem como a atitudes prejudiciais à saúde.

                       Profa Dra Edna Paciência Vietta
                                    Psicóloga Clínica

7 de abr. de 2013

Maconha: uma droga nada inocente


                                                                     

31 de mar. de 2013

Virtudes, Saúde e Sucesso


                                                  

                               Virtudes, Saúde e Sucesso.     
Sossego, tolerância, paciência, calma e confiança são virtudes sempre em falta naqueles que apresentam problemas e que procuram ajuda psicológica. Dificilmente um paciente que procura ajuda emocional não reclama da falta que estas virtudes lhe causam no relacionamento familiar, profissional e social. “As queixas constantes são manifestadas por frases do tipo: “Não consigo tolerar meu marido”. “Não suporto trabalhar com o meu chefe”, “não tenho paciência com meu filho”; “Vivo estressado”, “Não tenho paciência com minha sogra”. “Estou prestes a perder meu emprego por falta de controle”.
Embora se coloquem como a causa e admitam a falta dessas virtudes, acreditam que o problema está sempre no outro, no marido, no filho, no chefe, na sogra, no vizinho, enfim, fora dela, nas coisas, pessoas ou situações. É lógico que o problema pode estar também na forma de reagir e se comportar do outro, mas é preciso refletir o que em nós produz a reação no outro. Na verdade, nossa paz interior depende primeiramente do conhecimento que temos dos nossos próprios valores, crenças, sentimentos e emoções, ou seja, da relação do sujeito com ele mesmo.
Tolerância, serenidade, mansidão, paciência são virtudes que nos levam ao entendimento. Agir com calma é agir com sabedoria. Basta avaliar com inteligência quando uma situação pede intervenção imediata e firmeza ou, quando uma situação pode ser resolvida de maneira mais serena e tranqüila. Isto não quer dizer que devemos estar sempre em posição estável ou indiferente diante de circunstâncias desfavoráveis ou adversas, que o melhor é permanecermos na zona de conforto, que devemos nos conformar com tudo, que nunca poderemos alterar nosso humor.
A conseqüência da falta de calma é uma mente agitada, ansiosa, inquieta. É lógico que, às vezes, temos que agir rápido para darmos conta de responsabilidades ou até mesmo para salvar vidas, mas agir com rapidez não é o mesmo que agir com pressa. A rapidez é ágil, a pressa é afobação, precipitação.
Se você leu a Bíblia, provavelmente vai se lembrar de um trecho de Isaías que diz “... na quietude e confiança reside vossa força...”.
 É na quietude e na calma interior que conhecemos as grandes verdades da vida.
O homem pós-moderno tem sido estimulado emocionalmente mais do que qualquer outro da história humana, e em conseqüência disso, sua mente anda muito agitada e inquieta. O homem tem perdido a calma por muito pouco. Por motivos banais tem se tornado violento.
“A excitação constante do sistema nervoso tem produzido pessoas extremamente “apressadas”, “inquietas”, “intolerantes”, impacientes” e “ansiosas”.
Até por uma questão biológica, podemos afirmar que a ansiedade sempre esteve presente na humanidade desde as cavernas até a nave espacial. A novidade é que só nos demos conta da quantidade, tipos e efeitos dessa ansiedade sobre o organismo e sobre o psiquismo humano, com as concepções da prática clínica, da medicina psicossomática e da psiquiatria.
A grande verdade é que o equilíbrio emocional é extremamente importante para tomarmos decisões acertadas na nossa vida. O nosso equilíbrio emocional dependente do conhecimento que temos dos nossos estados internos e da influência que estes têm sobre os nossos pensamentos, comportamentos e atitudes. 
“Estudos desenvolvidos nas universidades de Harvard, de Stanford e na Fundação Carnegie revelam que 15% das razões pelas quais alguém conquista um emprego, mantêm-se nele ou consegue uma promoção é determinado pela sua qualificação técnica. Nos demais 85% dependem diretamente do equilíbrio emocional – da habilidade para comunicar-se e relacionar-se com os outros, de manter-se calmo, ter tolerância, segurança, etc.” Especialmente nas empresas em que o ambiente se caracteriza por pressão e resultados, competitividade, convivência com diversidade e segurança, torna-se imprescindível saber administrar emoções.
Manter um controle emocional equilibrado, sem perder a calma, ao longo do tempo, consiste basicamente em saber lidar com nossas emoções, enfrentar com tolerância os erros alheios e superar fatos imprevistos e/ou indesejáveis. É suportar as dificuldades de toda ordem e não perder a capacidade de confrontá-las e resolvê-las com sabedoria e tranquilidade. É a capacidade de ser perseverante, saber esperar com paciência e quietude o momento certo para tomar decisões, de se libertar da ansiedade buscando o controle, o equilíbrio e a paz interior.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
             Psicóloga Clínica

25 de mar. de 2013

Enfrentar Angústias ou Somatizá-las: eis a qustão


                  Enfrentar angústias ou somatizá-las - eis a questão


Somatização, basicamente, é uma manifestação de conflitos e angústias psicológicos por meio de sintomas corporais. Lipowski (1988) propõe que a somatização “é uma tendência que o indivíduo tem de vivenciar e comunicar suas angústias de forma somática, isto é, através de sintomas físicos que não têm uma evidência patológica, os quais atribuem às doenças orgânicas, levando-o a procurar ajuda médica”. Acredita que tal tendência geralmente se manifesta em resposta a estresses psicossociais como eventos de vida e situações conflitivas. Não obstante, esses pacientes geralmente não conseguem relacionar suas angústias com questões psicossociais quando não, negam explicitamente tal possibilidade.
O médico vê-se pressionado a efetuar muitos exames físicos e análises para determinar se o cliente tem uma perturbação física que explique os sintomas. As inter-consultas com especialistas são freqüentes, mesmo quando a pessoa tenha desenvolvido uma relação razoavelmente satisfatória com seu médico.
Indivíduos com transtorno de somatização costumam passar longos períodos internados fazendo exames, mas nenhum deles explica satisfatoriamente seus sintomas.
Se após alguns exames e consultas médicas, nenhuma doença for detectada, há grande chance de o diagnóstico apontar para um transtorno psicossomático, também conhecido como somatização. A somatização é uma doença de fundo emocional e invariavelmente pode refletir fisicamente, com taquicardias, síndrome do pânico ou ataques de ansiedade.
O estresse e a ansiedade são os principais fatores no aparecimento, na manutenção ou repetição de uma doença física, porque alteram o funcionamento de vários sistemas do nosso organismo, liberando ou inibindo a produção de substâncias, como adrenalina, cortisol e serotonina.
Sabe-se hoje, que os estados psíquicos como estresse, depressão, ansiedade, medo, raiva, etc., favoreçam o desenvolvimento e/ou a manifestação de doenças orgânicas como úlceras, colites, problemas cardíacos, alergias, doenças da pele e até mesmo o câncer.
Segundo Volp, J.H (2005), o corpo sente, aprende, se disciplina, se condiciona e expressa os conflitos emocionais da mente, corporificados nos tecidos celulares, refletidos na qualidade do tônus muscular, expressões faciais, ritmo respiratório, postura, tom de voz, etc. Portanto, nosso corpo é moldado de acordo com as experiências vividas, principalmente aquelas ocorridas na primeira infância, quando as formas que encontramos para nos defender ainda são precárias. Esses acontecimentos muitas vezes deixam marcas profundas e irreversíveis.
Estudos mostram que existem traços de personalidade comuns àqueles que tendem a somatizar. São, em geral, pessoas muito pragmáticas, com reduzida capacidade de fantasiar, dão pouco espaço para elaboração psíquica, pouca capacidade de imaginação, de sonhar. Têm o que se chama de pensamento operatório. "Para eles pau é pau e pedra é pedra", tem pouco contato e tempo para suas questões psicológicas.
 Vêem as coisas de forma tão concreta que lhes parece mais simples viver os conflitos no corpo do que problematizá-los no psíquico.
 Nem crianças escapam da somatização. Como elas têm as defesas psíquicas menos estruturadas, não é difícil que apresentem febre, falta de ar ou diarréia quando passam por algum tipo de sofrimento.
Portanto, constantemente somos confrontados com dois caminhos: ouvir nosso corpo e deixá-lo falar em seus desejos e expressar suas angústias, ou submetê-lo aos estresses físicos e psicológicos diários que a vida nos traz, formando assim as couraças.
Os somatizadores estão entre os principais usuários do sistema de saúde: 60% das consultas médicas referem-se a pacientes com queixas sem nenhuma causa orgânica. As principais reclamações são: Dor no peito, Fadiga, Tontura, Dor de cabeça, Dor nas costas, Falta de ar, Taquicardia, Insônia, Dor abdominal.
Certas doenças têm um componente fortemente somático. É o caso de asma, úlceras, fibromialgia, gastrite, alergias e herpes, principalmente. As situações que mais deflagram respostas somáticas são as de estresse decorrente perdas diversas por luto ou perda afetiva, separação conjugal, perda de emprego, aposentadoria, perda financeira, etc.
As explicações puramente biológicas da doença têm sido questionadas em diversos estudos que evidenciam a influência da mente e das emoções, nos estados de saúde. Sabe-se, hoje, que o sistema nervoso autônomo, responsável pela coordenação do funcionamento de todos os órgãos internos, é regulado pelo sistema límbico, que por sua vez é afetado pelas experiências afetivas e emocionais do indivíduo em seu contexto social.

                        Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                              Psicóloga Ribeirão Preto

11 de mar. de 2013

A Tampa e o Balaio


                                       


                                                                 A Tampa e o Balaio
Temos observado na clínica, com certa freqüência que alguns pacientes apresentam um padrão repetitivo de comportamento afetivo no qual a escolha do parceiro ou parceira determina sempre relacionamentos complicados.
Estes pacientes apresentam características de pessoas co-dependentes, inseguras, críticas, desconfiadas, ciumentas, possessivas e pessimistas, não necessariamente todas essas característica, mas a maioria destas. Conversando com elas logo identificamos queixas do tipo “isso só acontece comigo”, “só atraio pessoas problemáticas”. Em situações de escolhas ou decisões tais pessoas dizem se sentir reduzidas a poucas alternativas do tipo “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Seus relacionamentos são instáveis, baseados na desconfiança, apresentam uma espécie de atração por pessoas complicadas, geralmente muito parecidas em termos de carência afetiva ou com problemas análogos ou com o seu oposto.
Nos contatos do dia-a-dia, tudo favorece para que as atividades desenvolvidas por tais pessoas não aconteçam na normalidade, em outras palavras, há sempre algo dificultando ou impedindo seu desempenho normal. Sem se dar conta, uma palavra basta para gerar em torno delas, polêmicas, conflitos e auto-reprovação do tipo: “isso só acontece comigo”, “só podia ser comigo”, “porque não calei a minha boca”, “só arranjo confusão”, etc
Essas pessoas chegam a desenvolver um tipo de relacionamento onde impera a dominação/submissão, coação/hostilidade, chantagem/vitimação. O relacionamento se torna um tipo de teste. O outro tem sempre que estar dando provas de amor. O padrão é sempre o mesmo, e a pessoa não percebe sua carência, imaturidade, insegurança, ciúme, pessimismo, baixa auto-estemas. Habitualmente são pessoas teimosas, persistentes em seus erros, inflexíveis em suas posturas e opiniões, sempre se achando com a razão, às vezes, agressivas, descontroladas, muitas vezes impulsivas quando não arrogantes (não necessariamente com todos esses quesitos). Por seu comportamento excêntrico acabam sendo discriminados, isolados dos demais, aborrecidos, mal humorados, sendo geralmente escolhidos como “bodes expiatórios” de grupos em seu entorno.
Na verdade, boa parte da população busca parcerias neste tipo de relacionamento. A situação se agrava quando esse tipo de relacionamento se concretiza na escolha amorosa, ou seja, pessoas se unem onde ambas apresentam esse mesmo padrão de comportamento. Quando isso acontece fica claro a busca de satisfação de necessidades mútuas doentias de ambos. É comum casais neste padrão perceber sua incongruência, porém, persistirem num relacionamento destrutivo. Esta situação chega a tal ponto de se desenvolver uma relação tipo sado-masoquista onde um sente prazer em magoar o outro.
Na vida dessas pessoas, chamadas co-dependentes, encontram-se geralmente histórias de pais ausentes, carências afetivas na infância, ambientes familiares hostis, conflitos freqüentes entre os pais, crianças que receberam mensagens dúbias como “te amo por isso te maltrato”, ”te faço sofrer, mas um dia você vai me agradecer”.
O co-dependente apresenta dificuldade em refletir sobre seus sentimentos: medo de amar e de se doar verdadeiramente, medo de perder o afeto das pessoas, de ser abandonado, de ter solidão.
Neste tipo de relacionamento todos sofrem. A dinâmica familiar se estabelece de forma doentia, numa espécie de simbiose.
O co-dependente se sente incompleto, busca no outro o que lhe falta e geralmente consegue o seu intento, é o popular “a tampa e o balaio” Vivem um “amor bandido” e vão se tolerando entre tapas e beijos, até que o relacionamento se desgasta e ai ou se separa ou vive no tormento.
É possível evitar tudo isso? Na verdade muitos relacionamentos acabam sendo desastrosos se a pessoa não tem autoconhecimento, é preciso primeiramente se cuidar emocionalmente, entendendo em que base faz suas escolhas. Para isso se faz imprescindível o autoconhecimento. A psicoterapia pode beneficiar na quebra destes padrões de repetição, interrompendo a ocorrência de comportamentos repetitivos que impedem o desenvolvimento saudável.  
                                        Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                            Psicóloga Ribeirão Preto

3 de mar. de 2013

O Equilíbrio está no meio termo


              O equilíbrio está no meio termoPadrão



              “A principal  coisa na vida é não ter medo de ser humano” ( Pablo Casals)

O psiquiatra argentino Hugo Marietán define a pessoa perfeccionista como aquela que se esforça para melhorar o êxito de seu objetivo seguindo um padrão ideal. São pessoas que tendem dar importância exagerada a tudo e nunca se sentem satisfeitas. Ocupam-se mais do que necessário em pequenas tarefas e tendem a ficar com a sensação de que poderiam ter feito ainda melhor.
Se você for um perfeccionista, é provável que você  tenha aprendido cedo na vida que as pessoas  sempre a avaliariam pelo quanto você realizaria ou conseguisse. Em conseqüência disso, você pode ter aprendido a avaliar-se somente na base da aprovação das outras pessoas. Assim sua auto-estima pode estar sendo baseada primeiramente em padrões externos. Isto pode deixá-la vulnerável e excessivamente sensível às opiniões e as criticas dos outros. Na tentativa de  proteger-se de tal criticismo, você pode decidir que ser perfeito é sua única defesa.
O perfeccionismo ao qual nos referimos é aquele que nos desgasta, levando-nos a uma série de problemas em nível pessoal, conjugal, social, profissional, etc. está relacionado a arrogância e ao medo de errar, ou seja, para o perfeccionista tudo deve ser perfeito, ele não admite erro,  mudanças. Geralmente, defende sua posição analisando somente a dicotomia perfeição-displicência. É 8 ou 80. Sim ou não. Para o perfeccionista não tem meio termo. É tudo ou nada. Não raro, está mais preocupado em manter as aparências, em se mostrar superior. Nesta conotação o perfeccionista jamais admitirá que sua verdadeira preocupação seja com a opinião alheia, há um medo de que suas falhas sejam expostas, de que descubram que ele é tão normal quanto qualquer ser humano. O ideal é encontrar um equilíbrio.
Segundo Gordon L. Flett, professor de psicologia da York University e autor de diversos estudos a esse respeito, “É natural que as pessoas queiram ser perfeitas em algumas coisas, por exemplo, no trabalho. Para ser um bom editor ou cirurgião é importante não cometer erros”, “Mas você começa a enxergar problemas reais quando isso se generaliza para outras áreas da vida, ou seja, a vida familiar, a aparência, os hobbies.”
O perfeccionista espera que todos ao redor sejam perfeitos e se incomoda quando não consegue aplicar aos outros suas regras de disciplina.  À primeira vista o perfeccionismo parece ser algo positivo, pois ele pode ser usado como uma força propulsora para o bem.  As pessoas de seu convívio, muitas vezes, não conhecem suas expectativas, o que gera tensão com familiares, amigos e colegas, além de um grande sentimento de raiva.
Em geral, o perfeccionista é detalhista, meticuloso e caprichoso em suas ações.
A sociedade normalmente valoriza alguns traços comuns ao perfeccionista, como, por exemplo, a responsabilidade, a pontualidade, o esmero e assim por diante. No passado, o perfeccionismo era até visto como um aspecto positivo e acreditava-se que ele contribuiria para o sucesso profissional das pessoas. Contudo, o problema do perfeccionismo vem à tona quando o seu possuidor não atinge o alvo proposto para si mesmo. Além do mais, a busca do resultado perfeito pode interferir negativamente nas realizações profissionais do perfeccionista, pois se gasta tanto tempo em revisões que a produtividade fica comprometida.
O universo pessoal do perfeccionista pode ser tomado por frustrações contínuas, o que o conduz a um estado de tristeza, culpa e até mesmo autodesprezo.
Há dois tipos de perfeccionistas. O primeiro é o introspectivo, ou seja, aquele que apresenta pouca auto-estima e confiança própria e para quem qualquer erro equivale à desaprovação dos outros. O segundo é o extrospectivo, ou seja, aquele que não apresenta baixa auto-estima, porém, não confia nas habilidades ou capacidades dos outros ao seu redor. Logo, este segundo tipo não consegue delegar e exige sistematicamente das outras pessoas a perfeição que requer de si mesmo.
A busca da perfeição é diferente de ser perfeccionista. Estar sempre buscando melhorar é muito bom, mas admitir que somos imperfeitos é sermos humildade, é saber que podemos errar.
O Sábio Rei Salomão disse “não sejais demasiadamente sábio; porque te destruirias a ti mesmo? Ecl7:16. Em psicologia a verdade, ou, o equilíbrio está no meio termo.
Profa Dra Edna Paciência Vietta
Psicóloga Clínica

2 de mar. de 2013

Compulsão Alimentar periódica (TCAP)


                 Compulsão alimentar periódica (TCAP). 

                                                      
Compulsões ou comportamentos compulsivos são hábitos aprendidos, que surgem por carência, frustração ou pela necessidade imperativa de gratificação emocional (alegria, satisfação, prazer, etc.) São hábitos que com o tempo tornam-se automáticos, ou seja, a gratificação que segue ao ato compulsivo, seja ela de prazer ou alívio de tensões e ansiedade, reforça a pessoa a repeti-lo. O comportamento compulsivo se caracteriza por uma pressão interna que, em determinadas situações, faz com que a pessoa se sinta impelida, tomada por desejo muito forte, a realizar uma ação que gera prazer momentâneo seguido por sentimento de culpa, arrependimento e mal-estar.
Na realidade a pessoa que sofre de compulsão alimentar periódica não come por estar com fome, mas por puro impulso. Este ataque de comer exageradamente é conhecido pelo termo “Binge eating”. A característica deste episódio é a
vontade de comer algo - comer muito rápido, exageradamente se necessário escondido até acabar a comida - se empanturrar - arrepender - sentir raiva de si mesmo - se deprimir...
No caso da compulsão alimentar periódica a pessoa não tem controle, come vorazmente, sente-se arrependida, mas não se utiliza de recursos como vomitar (depois de comer muito), usar laxantes ou praticar exercícios físicos para perder calorias.
Trata-se de um comportamento incontrolável que leva os pacientes a ingerir quantidades exageradas de alimentos em um curto espaço de tempo. No entanto, para ser diagnosticada como uma síndrome o ataques de comer (Binge eating) deve ocorrer com uma freqüência mínima de duas vezes por semana.
As pessoas com este transtorno apresentam freqüentes crises, durante as quais sentem que não podem parar de comer. Comem depressa e às escondidas, ou não deixam de comer o dia todo. Apesar desses pacientes se sentirem culpados e envergonhados por sua falta de controle, eles não apresentam atitudes compensatórias e compulsivas (vômito, laxantes...) típicas dos pacientes com Bulimia. Normalmente eles têm um histórico completo de fracassos em diversas dietas e regimes para emagrecimento. Normalmente são pessoas depressivas e obesas.
O “Binge eating” é muito semelhante a outros transtornos alimentares como a Bulimia, sendo, muitas vezes, confundido com esta, por leigos e pelo senso comum. Porém a grande diferença entre ambas é o fato que na bulimia os pacientes têm necessidade de vomitar depois de ter comido bastante. A conseqüência disso é a facilidade e a rapidez de ganhar peso, e conseqüentemente, todos os problemas associados à obesidade.
Durante os ataques de “Binge eating”, o compulsivo chega a ingerir até dez mil calorias em uma única refeição, tem preferência por guloseimas e se não tiver, come quaisquer coisas: uma lata de leite condensado, feijão gelado com queijo, lasanha gelada e tudo que estiver ao seu alcance.
O assalto à geladeira durante a noite, também é característica da compulsão alimentar, um problema que atinge até 4% da população geral e 6% dos obesos – podendo alcançar metade dos indivíduos mórbidos, segundo dados da Associação Americana de Psiquiatria.
Não se sabe ainda se esta é uma nova doença alimentar ou apenas um sintoma que pode estar associado a algum outro transtorno alimentar ou a outras patologias emocionais, como depressão atípica, ansiedade, transtorno do controle dos impulsos ou algum dos transtornos do espectro impulsivo-compulsivo.
De qualquer forma o fenômeno merece toda consideração, já que aparece em aproximadamente 2% da população geral e, particularmente, em cerca de 30% dos obesos que procuram tratamento médico.
O estresse é um fator que pode levar ao aumento das compulsões alimentares. Durante situações estressantes, o cortisol é liberado estimulando a ingestão de alimentos e o aumento do peso (Gluck, 2001).
Como na maioria dos casos, a compulsão alimentar está associada à condição psicológica, os tratamentos indicados são acompanhamento psicológico, aconselhamento dietético e, se necessário, psiquiátrico e medicamentoso, voltados para o controle da ansiedade. Alguns antidepressivos têm sido utilizados no tratamento da compulsão alimentar como inibidores seletivos da recaptação da Serotonina. Todavia, o tratamento não pode ser resumido à medicação, já que, pensar o tratamento nesses casos é um movimento multidisciplinar, onde os esforços se unem no sentido de melhorar a relação que o indivíduo tem com o alimento e as formas que encontra de lidar com as frustrações e ansiedades.
            Profa Dra. Edna Paciência Vietta
               Psicóloga Clínica

24 de fev. de 2013

Hoarding ou Síndrome de Diógenes


                                      
                                                                                                              
                                        “Guardiache cosa fa schifo è che dovete”


                                                            
                              “Quem guarda o que não presta, tem o que não precisa”                   
A princípio, não há nada de errado em se colecionar ou guardar objetos, a não ser que o acúmulo passe a ser tal que se torne algo inconveniente, impróprio e incomodo por apresentar problemas de espaço, de acesso, de organização e higiene às pessoas.
Colecionar pode ser uma atividade interessante, um hobby. Nesse tipo de atividade o objetivo a ser alcançado é o de ampliar suas coleções (selos, carros, canetas, etc.). Colecionadores se utilizam desta atividade para interagirem entre si e trocarem informações o objeto de seu interesse. É, também, uma forma prazerosa de competir e exibir publicamente e com orgulho seus espécimes raros. Neste caso, nada há de prejudicial, que possa necessitar da intervenção de especialistas do comportamento.
No entanto, quando em excesso, em exagero e descontrolado vira mania (mania de guardar objetos inúteis), e a prática do colecionismo passa a ser um sintoma de Transtorno mental associado ao transtorno do Obsessivo-compulsivo e à depressão.
Antropólogos dizem não haver vida, nem histórias, isentas de objetos. Objetos são elementos mais simbólicos do que funcionais. Eles são carregados de valor afetivo. Não se trata simplesmente de possuir coisas, mas principalmente de guardar as memórias que esses objetos representam. Daí a existência de museus, as coleções de selo, carros, moedas, e até de pilhas de revistas no canto da estante. Muitos dos acervos de obras de arte expostas ao público resultam do colecionismo de pessoas abastadas.
Enquanto sintoma, o colecionismo refere-se a um padrão de comportamento caracterizado pelo acúmulo de objetos com questionável valor utilitário ou material, associado à intensa dificuldade para fazer o descarte, resultando ao longo do tempo, em prejuízo da qualidade de vida do indivíduo.
O transtorno não deve ser diagnosticado como tal se os itens são colecionados exclusivamente como hobby, ou se o comportamento não resultar em um ambiente doméstico bagunçado ou não causar sofrimento ou comprometimento significativos.
Quando identificado como sintomas ou síndrome (conjunto de sintomas) especialistas afirmam trata-se de uma perturbação definida por três características principais: coleção obsessiva de bens ou objetos que parecem inúteis para a maioria das pessoas, incapacidade de se livrar de qualquer um dos objetos ou bens recolhidos e um estado de aflição ou de perigo de falta permanente.
Nesses casos, a acumulação compulsiva — é também chamada de disposofobia e consiste na aquisição ou acumulo ilimitado de quinquilharias que já foram colocados no lixo. As pessoas que sofrem desta perturbação, na maioria idosa, (embora também acometa pessoas mais jovens, ou de bom nível econômico e intelectual) acumulam tudo o que podem para mais tarde (quem sabe?) solucionar uma “eventual emergência”. Além disso, são incapazes de descartar objetos ou bens mesmo quando eles são inúteis, perigosos ou insalubres. Essas pessoas perdem a noção de organização e higiene e a falta de noção em jogar fora coisas desnecessárias e grande apego por elas.
Em casos graves, o ambiente onde estas pessoas vivem, torna-se intransitável, entulhadas de lixo e sujeira, portas e janelas bloqueadas por objetos e papéis empilhados com riscos de incêndio e infestação de vermes, excrementos e detritos de animais de estimação.
A acumulação compulsiva ficou conhecida como Síndrome de Miséria Senil ou Síndrome de Diógenes, em referência ao filósofo grego, Diógenes de Sinope — que vivia como mendigo, dormia num barril e recolhia da rua inúmeros objetos sem valor.
O acumulador compulsivo no seu extremo é, por vezes, apelidado de “colecionador de lixo”, uma vez que reúne objetos que produzem maus cheiros, atraindo insetos e roedores. Essas pessoas, também podem juntar livros, revistas, ferramentas, recipientes, metais, móveis, eletrodomésticos, entre outros materiais, correspondendo à imagem dos andarilhos que juntam todo o tipo de velharias.
Tal como a maior parte dos comportamentos obsessivos, a acumulação compulsiva começa de uma maneira lenta e desenvolve-se de uma forma progressiva. Quase nunca a solução é simples, isenta de conflitos, hesitação e recaídas. O apoio de especialistas e a orientação da família são fundamentais.
São criadas estratégias para iniciar o descarte, classificar o que deve ser mantido e o que pode ser vendido, reciclado, doado, ou jogado no lixo, sem hesitação. Define-se um limite para o quanto de cada item poderá ser mantido na casa, qual área deverá ser preservada para circulação e outros usos que não o armazenamento. O bloqueio do colecionismo é um projeto amplo, trabalhoso e vale cada minuto do esforço.

                   Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                         Psicóloga Ribeirão Preto

11 de fev. de 2013

Psicologia Positiva


                      
                                                  
                                  Psicologia Positiva

A psicologia Positiva é um movimento recente dentro da  Psicologia que visa fazer com que os psicólogos contemporâneos adotem "uma visão mais aberta e apreciativa dos potenciais, das motivações e capacidades humanas".
Surge em 1998, com Martin Seligman que veio alertar e demonstrar, através da investigação científica, que é fundamental estudar e conhecer as forças e virtudes humanas e o que contribui para as pessoas se sentirem felizes.
Permanecer sofrendo com os fatos passados, remoê-los dias após dias, ou procurar superá-los e encontrar possíveis soluções, motivação para o crescimento e alternativas para enfrentá-los? Para a Psicologia Positiva, desenvolvida pelo psicólogo americano Martin Seligman, apenas a segunda questão faz sentido.
Ao contrário da psicologia convencional, que se foca no estudo e tratamento de distúrbios como a depressão e ansiedade, o novo campo da psicologia positiva se propõe a focar mais nas forças que nas fraquezas. Busca promover mais as qualidades do viver do que reparar no que vai mal.
A Psicologia científica, por muitos anos, foi focada desproporcionalmente na patologia e na reparação do dano. Segundo esse autor, se faz necessário também a atenção aos aspectos sadios do desenvolvimento humano.
Essa abordagem focaliza a necessidade de avanços nos estudos relacionados aos fatores protetores, preventivos e de manutenção do desenvolvimento humano saudável. Tem importante papel na compreensão dos aspectos envolvidos no enfrentamento da doença, bem como, na manutenção da saúde, apontando a relevância do investimento científico na investigação dos fatores de proteção da saúde.
A Psicologia Positiva focaliza variáveis positivas, como, o otimismo, a espiritualidade, a criatividade, a imagem corporal associados ao bem-estar e à qualidade de vida de pessoas doentes e não-doentes e de seus cuidadores. (SILVA, 2006).
Para Paludo e Koller (2007), essa nova proposta científica objetiva melhorar a qualidade de vida das pessoas e ajudar a prevenir patologias. Assim, a Psicologia Positiva pretende contribuir para o florescimento do funcionamento saudável das pessoas, grupos e instituições, preocupando-se em fortalecer competências ao invés de apenas corrigir deficiências.
         A Psicologia Positiva não negligência os aspectos da Psicologia convencional, ao contrário, o seu objetivo não é negar o que é deficitário, o que produz sintomas e reações negativas, o que vai mal, o que está doente, ou o que é desagradável na vida. A Psicologia Positiva reconhece a existência do sofrimento humano, situações de risco e patologias.
A Psicologia Positiva não trabalha sobre os problemas das pessoas e como remediá-los, ela busca compreender a ciência e a anatomia do bem-estar, da felicidade, das experiências positivas, do otimismo e do altruísmo, ela aponta para uma visão de que a saúde psicológica é muito mais do que a ausência de sintomas.
Considera-se assim que, ao percebermos o funcionamento ótimo de um indivíduo, as suas forças, qualidades, talentos e virtudes, mais facilmente poderemos ajudar a superar obstáculos e a lidar com as adversidades inerentes à vida. Desta forma, a Psicologia Positiva considera que todo e qualquer ser humano, grupo ou instituição, tem recursos para florescer e viver de um modo mais gratificante.
Antes de o psicólogo propor está nova vertente da psicologia moderna, o paciente passava anos em processo terapêutico focado apenas nas experiências negativas de sua existência. Assim, ao invés de buscar a cura efetiva, ele continuava imerso em suas dores. O que Martim Seligman fez, foi apresentar aos pacientes os aspectos positivos de suas vivências e uma visão mais ampliada, de um mesmo evento.
Nesta abordagem, a Psicoterapia visa fortalecer os aspectos saudáveis e positivos dos indivíduos, (re)construir as virtudes e forças pessoais, ajudar os clientes a encontrarem recursos até então inexplorados e aumentar suas forças pessoais já existentes. Assim, modificar somente o que está ruim ou errado é apenas uma parte do trabalho da psicoterapia, sendo preciso, também, (re)construir e fortalecer o que está bom. A orientação positiva da terapia reconhece que os traços positivos e os comportamentos adaptativos servem como fatores protetores contra os estressores e as dificuldades futuras. Dessa forma, ao tomar conhecimento dos aspectos positivos, as pessoas possuem melhor capacidade para lidar com eventos difíceis, tornando-se, assim, agentes ativos na superação da vulnerabilidade e do risco


         Profa. Dra Edna Paciência Vietta
                   Psicóloga Clínica

Psicoterapia e seus benefícios



Os últimos avanços na área da Psicologia e Psicoterapia têm permitido alcançar resultados cada vez melhores e mais significativos. Apesar de ser considerado um tratamento oneroso, a psicoterapia tem se mostrado, na realidade, um procedimento econômico. Pesquisas indicam que a aplicação efetiva da psicoterapia diminui os índices de transtornos mentais, internações hospitalares, idas aos prontos socorros, a auto-medicação e seus malefícios, e consumo indevido de psicotrópicos, outros medicamentos, etc.
Além dos benefícios que traz para a saúde psicológica da pessoa, a psicoterapia melhora a qualidade de vida, favorece a aquisição de autonomia, aumento de auto-estima, dando uma nova orientação em relação à vida das pessoas. A psicoterapia tem se mostrado um tratamento economicamente compensador, por prevenir e tratar problemas psicológicos que, quando não tratados adequadamente, trazem enormes prejuízos pessoais, conjugais, sociais e profissionais, com repercussão na situação econômica e afetiva das pessoas (perdas financeiras, compulsões, divórcios, separação, perda de emprego ou de oportunidade de ascensão no trabalho, etc.).
Em nossa atividade profissional, temos observado que a maioria das pessoas que tem comparecido à clínica, em busca de ajuda psicológica, o faz por vontade própria, outros vêm por insistência ou pressão da família. Os que comparecem por esta última via, geralmente, apresentam maior dificuldade em aderirem ao tratamento, neste caso demoram um pouco mais a se engajarem no processo. É importante dizer que a psicoterapia só funciona a partir do momento em que o cliente desejar ser ajudado e aceitar o tratamento, ou seja, sem engajamento não há terapia. A experiência tem mostrado que as pessoas que procuram ajuda espontaneamente respondem melhor ao tratamento e têm melhor aproveitamento que aquelas que se submeteram às decisões de terceiros. Os que tomaram iniciativa própria, geralmente se deram conta de que algo diferente estava acontecendo com elas, sentiram necessidade de buscarem ajuda e obtiveram grande alívio ao poderem expressar seus sentimentos de forma adequada. Alguns destes sentimentos foram manifestos através da verbalização de insatisfação como forma da pessoa reagir a certos acontecimentos, frustrações com sua situação familiar, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, falta de iniciativa ou disposição para realizar atividades cotidianas, posturas habitualmente pessimistas, oscilação de humor, medos irracionais, pânico, timidez, ansiedade, depressão, ciúme, desânimo, entre outros. Ainda, como motivos desta procura foram indicados: a percepção de que o padrão de comportamento utilizado por essas pessoas não lhes proporcionava vida estável e equilibrada, que o jeito habitual de ser, lhes causava problemas e prejuízos consideráveis na vida pessoal, social e profissional, sendo, muitas vezes, impeditivos para o estabelecimento de relacionamentos satisfatórios.
Temos presenciado pessoas que procuram ajuda psicológica por, de repente, se deram conta de que os problemas foram se acumulando ao longo da vida e soluções foram sendo postergadas às expensas do estresse causado, culminando em agravamento de conflitos pessoais, conjugais e profissionais. Algumas pessoas ficaram surpresas em terem permitido que seu estado emocional pudesse chegar a tal nível. Tais pessoas se questionaram como puderam negligenciar sua saúde mental e conviverem com tantos problemas, suportando tantos sofrimentos. Mais surpresas ficaram quando descobriram as conseqüências negativas, que poderiam ter evitado (algumas delas irreversíveis), caso tivessem buscado ajuda apropriada, no momento adequado. As pessoas se mostraram arrependidas por não terem tomado iniciativa antes, tomando consciência do preço que tiveram que pagar por permanecerem em conflitos consigo e com os outros, sobretudo, com os mais próximos e significativos (filhos, pais, cônjuges, etc.). Admitiram o quanto viveram infelizes, derrotadas, amargas, mal-humoradas, quando poderiam ter desfrutado melhor as oportunidades da vida. Pessoas que já poderiam ter alcançado sucesso em sua vida conjugal, familiar, profissional, encontram-se hoje, sem rumo, desorientadas frustradas, sem perspectivas futuras por falta de autoconhecimento e auto-estima. Quantas delas insistem em resolver os problemas por si próprias, sem obterem resultados desejados, se acomodando a eles por medo, orgulho, preconceito, teimosia, ou mesmo, por ignorarem os recursos psicológicos disponíveis. Ainda, assim, muitas resistem recorrerem a esta alternativa, mesmo sabendo ser esta, o recurso efetivo para instrumentá-las a lidarem adequadamente com seus conflitos.

Auto-estima: sucessos e fracassos

A auto-estima é um sentimento essencial à sobrevivência psicológica, no entanto, as exigências do mundo moderno parecem estar tornando tal conquista uma tarefa penosa e difícil de ser atingida. Haja vista suas implicações freqüentemente detectadas nas queixas dos clientes tanto jovens, como adultos e idosos que procuram ajuda psicológica, entre elas: a timidez, a insegurança, a depressão, a dependência afetiva, o ciúme excessivo, etc.
A crise de valores parece ser outra conseqüência desta presença constante, um dos sintomas emocionais freqüentes. Muitos sentimentos de inferioridade podem ser influenciados por valores distorcidos pela mídia, por publicidades apelativas, por apelos ao consumismo, pelo culto ao corpo, por ideologias consumistas.
O mundo moderno supervaloriza o novo, o belo, o perfeito, o forte, os mais jovens, a performance sexual, as proezas atléticas, o poder, as posses materiais, mas não valoriza da mesma forma, o amor, a simpatia, o caráter, a amizade, a alegria, a paz, a fé, a tolerância, a fidelidade, a compreensão, as tradições, a disciplina, os valores morais. Quando falamos de auto-estima estamos referindo-nos ao grau de aceitação de nós mesmos, do grau de estima que adotamos frente ao conceito que fazemos de nós. Nossos sentimentos afetam nossa auto-estima de maneira positiva ou negativa. O sentimento de auto-estima é a percepção valorativa de nosso ser, da importância que temos para as pessoas que nos rodeiam, e desta, depende toda nossa realização pessoal e profissional. É a partir dela que tomamos decisões, fazemos escolhas e nos relacionamos e interagimos com o meio familiar, profissional e social.
Da auto-estima depende nossos sucessos e fracassos, uma vez que vinculada a um conceito positivo de nós mesmos, pode potencializar nossas capacidades e talentos, desenvolver habilidades, aumentar nosso grau de segurança pessoal e nos levar a postura otimista frente a novas conquistas. Isto implica no sentimento de estarmos de bem com a vida, de sermos aceitos e amados pelo que somos. Por outro lado, também é certo que auto-estima em excesso pode se constituir num transtorno para o relacionamento quando a pessoa se torna convencida, arrogante, egoísta, podendo, muitas vezes, ser confundida com a personalidade narcísica.
Estudos recentes, realizados por pesquisadores da Califórnia, afirmam que auto-estima muito elevada pode levar à frustração e até mesmo à delinqüência. Segundo os pesquisadores, a pessoa que não sabe dosar sua auto-estima traz danos a si própria e à sociedade, pois esta atitude pode extrapolar os níveis saudáveis da competitividade e exacerbar a agressividade e a intolerância. O ideal é a ponderação entre os extremos.
A auto-estima negativa faz com que a pessoa não confie em si própria, nem em suas possibilidades, se desvalorizando e se sentindo inferior às outras pessoas. A pessoa com baixa auto-estima está sempre com a sensação de desvantagem, incapacidade, sentimento de que nunca chegará a ter o mesmo rendimento que os outros e acaba se convencendo disso. A autocrítica dura e excessiva, imposta pela baixa auto-estima, imprime estados de insatisfação da pessoa consigo própria, indecisão crônica, medo exagerado do insucesso, e de equivocar-se, ser criticado, humilhado, rejeitado, etc. Esta condição faz com que o indivíduo se retraia e desista de seus intentos.
O autoconceito e a auto-estima, em dose adequada, favorecem o sentido de identidade, constitui marco de referência, já que interpretar a realidade externa e às próprias experiências, influem no rendimento, condiciona as expectativas e a motivação, contribuindo de forma efetiva para o controle emocional e conseqüentemente para o equilíbrio psíquico.
O autoconhecimento é o caminho para auto-realização e o processo que leva à auto-estima. À medida que a pessoa identifica e aceita suas qualidades e defeitos, estará aberta para o conhecimento e reconhecimento de seus sentimentos, desejos e vontades, estará dando um grande passo para o autoconhecimento. Em geral, experiências positivas, e bons relacionamentos ajudam a aumentar a auto-estima, enquanto experiências e relações problemáticas a diminuem.
Seja uma pessoa bem sucedida cuidando de sua saúde emocional.




Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
Psicóloga/Psicoterapeuta