visitantes


11 de fev. de 2013

Psicologia Positiva


                      
                                                  
                                  Psicologia Positiva

A psicologia Positiva é um movimento recente dentro da  Psicologia que visa fazer com que os psicólogos contemporâneos adotem "uma visão mais aberta e apreciativa dos potenciais, das motivações e capacidades humanas".
Surge em 1998, com Martin Seligman que veio alertar e demonstrar, através da investigação científica, que é fundamental estudar e conhecer as forças e virtudes humanas e o que contribui para as pessoas se sentirem felizes.
Permanecer sofrendo com os fatos passados, remoê-los dias após dias, ou procurar superá-los e encontrar possíveis soluções, motivação para o crescimento e alternativas para enfrentá-los? Para a Psicologia Positiva, desenvolvida pelo psicólogo americano Martin Seligman, apenas a segunda questão faz sentido.
Ao contrário da psicologia convencional, que se foca no estudo e tratamento de distúrbios como a depressão e ansiedade, o novo campo da psicologia positiva se propõe a focar mais nas forças que nas fraquezas. Busca promover mais as qualidades do viver do que reparar no que vai mal.
A Psicologia científica, por muitos anos, foi focada desproporcionalmente na patologia e na reparação do dano. Segundo esse autor, se faz necessário também a atenção aos aspectos sadios do desenvolvimento humano.
Essa abordagem focaliza a necessidade de avanços nos estudos relacionados aos fatores protetores, preventivos e de manutenção do desenvolvimento humano saudável. Tem importante papel na compreensão dos aspectos envolvidos no enfrentamento da doença, bem como, na manutenção da saúde, apontando a relevância do investimento científico na investigação dos fatores de proteção da saúde.
A Psicologia Positiva focaliza variáveis positivas, como, o otimismo, a espiritualidade, a criatividade, a imagem corporal associados ao bem-estar e à qualidade de vida de pessoas doentes e não-doentes e de seus cuidadores. (SILVA, 2006).
Para Paludo e Koller (2007), essa nova proposta científica objetiva melhorar a qualidade de vida das pessoas e ajudar a prevenir patologias. Assim, a Psicologia Positiva pretende contribuir para o florescimento do funcionamento saudável das pessoas, grupos e instituições, preocupando-se em fortalecer competências ao invés de apenas corrigir deficiências.
         A Psicologia Positiva não negligência os aspectos da Psicologia convencional, ao contrário, o seu objetivo não é negar o que é deficitário, o que produz sintomas e reações negativas, o que vai mal, o que está doente, ou o que é desagradável na vida. A Psicologia Positiva reconhece a existência do sofrimento humano, situações de risco e patologias.
A Psicologia Positiva não trabalha sobre os problemas das pessoas e como remediá-los, ela busca compreender a ciência e a anatomia do bem-estar, da felicidade, das experiências positivas, do otimismo e do altruísmo, ela aponta para uma visão de que a saúde psicológica é muito mais do que a ausência de sintomas.
Considera-se assim que, ao percebermos o funcionamento ótimo de um indivíduo, as suas forças, qualidades, talentos e virtudes, mais facilmente poderemos ajudar a superar obstáculos e a lidar com as adversidades inerentes à vida. Desta forma, a Psicologia Positiva considera que todo e qualquer ser humano, grupo ou instituição, tem recursos para florescer e viver de um modo mais gratificante.
Antes de o psicólogo propor está nova vertente da psicologia moderna, o paciente passava anos em processo terapêutico focado apenas nas experiências negativas de sua existência. Assim, ao invés de buscar a cura efetiva, ele continuava imerso em suas dores. O que Martim Seligman fez, foi apresentar aos pacientes os aspectos positivos de suas vivências e uma visão mais ampliada, de um mesmo evento.
Nesta abordagem, a Psicoterapia visa fortalecer os aspectos saudáveis e positivos dos indivíduos, (re)construir as virtudes e forças pessoais, ajudar os clientes a encontrarem recursos até então inexplorados e aumentar suas forças pessoais já existentes. Assim, modificar somente o que está ruim ou errado é apenas uma parte do trabalho da psicoterapia, sendo preciso, também, (re)construir e fortalecer o que está bom. A orientação positiva da terapia reconhece que os traços positivos e os comportamentos adaptativos servem como fatores protetores contra os estressores e as dificuldades futuras. Dessa forma, ao tomar conhecimento dos aspectos positivos, as pessoas possuem melhor capacidade para lidar com eventos difíceis, tornando-se, assim, agentes ativos na superação da vulnerabilidade e do risco


         Profa. Dra Edna Paciência Vietta
                   Psicóloga Clínica

2 de fev. de 2013

Locus de controle: entre sucessos e fracassos



Locus de controle: entre sucessos e fracassos


Padrão
“Locus de controle”: entre sucessos e fracassos

download locus

Em Psicologia, a maior parte das pesquisas concentra-se no estudo do sofrimento e das doenças mentais investigando, por exemplo, a depressão, a angústia, a ansiedade e a solidão. Apesar da maioria das pesquisas em psicologia se voltarem para a investigação desses fatores, a Psicologia Positiva vem ganhando espaço nas últimas décadas investindo no estudo do bem-estar subjetivo (BES). Um desses fatores é o “Locus de controle”. Esse constructo vem sendo muito valorizado nas pesquisas da Psicologia Social e, em especial, em estudos que enfatizam a influência de fatores psicossociais no bem-estar subjetivo e na qualidade de vida (PEREIRA, 1997).
Por se concentrar no estudo dos aspectos positivos e sadios do indivíduo, a Psicologia Positiva permite ampliar o alcance da Psicologia, reconhecendo mecanismos envolvidos na manutenção de uma melhor qualidade de vida.
Locus significa lugar em latim. Em psicologia se diz que uma pessoa tem o “Locus de controle” predominantemente interno se ele acredita que pode ter controle sob os eventos de sua própria vida, e de obter sucesso, exigindo mais de si mesmo e se concentrando no que pode fazer por conta própria para lidar com seus problemas atuais.         Locus pode ser usado em diversos sentidos e para várias áreas, na psicologia, na genética, na matemática, na fonética e etc.
O constructo “Locus de controle” é uma variável que busca explicar a percepção que a pessoa tem sobre a fonte de seu controle sobre os acontecimentos em que está envolvida. Deste modo, um indivíduo pode perceber-se como controlador dos acontecimentos ou controlado por fatores externos a ele (estes fatores poderiam ser outras pessoas, entidades ou mesmo o destino, o acaso e a sorte).
O “Locus de controle” varia, ao longo de um continuum tendo em um extremo a percepção do controle interno ou internalidade e no outro o controle externo ou externalidade (Della Coleta, 1985). Interno, quando o indivíduo percebe os resultados dos acontecimentos como conseqüência de suas próprias ações e externo, quando percebe esses mesmos acontecimentos como conseqüência de fatores externos.
“Locus de Controle” é um conceito introduzido pelo psicólogo norte-americano Julian Rotter, em 1966, no contexto de seu artigo “Psychological Monographs”, no qual elucida como a percepção das pessoas afeta seus sucessos e fracassos na vida.
Pesquisas demonstram que as pessoas com predomínio de “Lócus de controle interno” tendem a ser física e mentalmente mais saudáveis. Em geral, sua pressão sanguínea é mais baixa, apresentam menos infartos, ansiedade, depressão e são mais hábeis ao lidarem com o estresse. Obtêm as melhores notas na escola e acreditam ter maior liberdade de escolha. São mais populares e sociáveis e apresentam elevado grau de autoestima. O sujeito com baixo controle interno pode desenvolver um humor deprimido por achar que não tem controle sob acontecimentos, tanto positivos quanto negativos de sua vida e, conseqüentemente, nenhuma responsabilidade sob o que lhe acontece e se considerar incapaz de interferir e modificar aspectos negativos da mesma.
Rotter sugere que o “Lócus de controle” é adquirido na infância por meio do comportamento dos pais e dos responsáveis pela criação. Pais de adultos com “Locus de controle” interno tendem a ser solidários, generosos ao elogiarem os filhos em suas realizações (reforço positivo), apresentam coerência na disciplina e postura não autoritária.
Para Wenzel (1993), “Locus de controle” refere-se ao modo como uma pessoa percebe a relação entre seus esforços e o resultado de um evento. Caso esta relação esteja clara para o indivíduo, diz-se que ele é internamente orientado, ao contrário, quando a relação não é clara, a pessoa passa a responsabilizar outros fatores pelo sucesso ou fracasso de determinada ação. Nesse caso, diz-se que ela é externamente orientada.
Ninguém conserva o Locus interno ou externo o tempo todo. A questão é perceber-se nos momentos-chave.
Você procura perceber sua participação nos eventos de sua vida? ou está sempre culpando os outros pelo que lhe acontece?
Não é saudável nos responsabilizarmos por tudo o que nos acontece. É lógico que existem influências externas, adversidades, barreiras a serem superadas, porém é importante estarmos atentos para as condições em que os fatos acontecem e, sobretudo, observarmos como está sendo nossa participação nos mesmos.
Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
Psicóloga Clínica

27 de jan. de 2013

Tédio e Pós-modernidade


                                    Tédio e Pós-modernidade


                                
O tédio um sentimento subjetivo, condição ou estado, antes, apanágio da nobreza e do clero (como benefício concedido a certo grupo em detrimento dos demais; considerado privilégio ou mesmo regalia a ser desfrutada por algumas pessoas), hoje, na contemporaneidade, é um fenômeno de grande impacto na saúde mental da sociedade ocidental. Por sua origem estranha, se questiona se é ele, um fator histórico e cultural ou, condição da natureza humana. O fenômeno se manifesta de forma e angustiante, e se refere à perda de significado humano diante da vida, do mundo e da realidade e podendo atingir qualquer pessoa em qualquer nível social. Como objeto de reflexão o tédio só veio a ser considerado depois do Romantismo. Segundo Honório de Medeiros, “um pouco mais recentemente - quando o romantismo assumia contornos lúgubres - talvez chamássemos o tédio de "inquietude d'alma". Esse tédio, ainda segundo o mesmo autor, era decorrente de uma angústia filosófica - o homem queria saber qual o sentido da vida, para onde caminhava a humanidade, etc.”
E hoje? Por fazer parte do cotidiano, todos nós, de alguma forma, desenvolvemos, em algum momento da vida, o tédio, envolvendo a perda de significados pessoais, perda de sentidos, desconforto diante da vida, indisposição de exercer atividades anteriormente prazerosas.
O tédio, não deve ser considerado, tão somente um comportamento patológico; na medida em que não é uma expressão contínua; acontecendo no contexto de eventos esporádicos do cotidiano. Desse modo, não se pode conceber o tédio apenas como um estado mental interior, senão, também, como uma conseqüência do mundo pós-moderno, pois as atividades sociais, contemporâneas acabam sendo propicias ao desencadeamento do mesmo.
Segundo Lars Svendsen, tédio é um fenômeno característico da modernidade e pertinente à realidade subjetiva de todos nós, um problema do qual ninguém fica de fora, ninguém é poupado
Segundo Carvalho (1998), o tédio é um dos modos de subjetivação a se multiplicar na pós-modernidade decorrente da busca de um ideal fora do alcance que gera um processo de frustração e desinvestimento da vida. Para Svendsen (2006), trata de uma ausência de significado pessoal. La Taille (2009), o define como um tempo longo, lento, que não passa, longo demais para ser suportado.  Buchianeri (2012), acentua no tédio a falta de sentido aliada ao sentimento de vazio do sujeito. Baudelaire, poeta Francês do século XIX, descreve o tédio como inércia, inatividade, vida de pouca intensidade, estado de insatisfação permanente.
Carvalho (1998) afirma que o tédio assenta-se num sentimento de fastio, num cansaço diante das transformações incessante e rápidas e das super ofertas de um mundo que se funda na imagem da abundância e do consumismo.
Neste contexto, o tédio encontra um grande aliado no capitalismo. Com esse sistema econômico e social, o nosso mundo subjetivo sofre, também, grandes transformações.
O homem pós-moderno vive numa época de descrença e tem a impressão de que a vida carece de significado. A humanidade ingressou numa fase caracterizada pelo declínio dos valores.
Desse modo, quando não há mais nada a nos gerar qualquer interesse, desenvolvemos a queixa de que essa vida é intolerável, desprovida de motivações e significados.  Além disso, na contemporaneidade, com a extensa quantidade de estímulos e a possibilidade de desenvolver várias atividades ao mesmo tempo, essas atividades e estímulos perdem seus significados iniciais, sendo rapidamente abandonados pelo sujeito.
Dessa maneira, as pessoas tentam compensar o vazio que sentem, praticando o abuso de drogas, álcool, fumo, promiscuidade, vandalismo, desenvolvendo distúrbios alimentares, agressão, violência, etc. Tédio também pode ser um sintoma de depressão, mas difere desta no sentido de que o tédio é uma espécie de indisposição para fazer qualquer coisa, inclusive as atividades que normalmente achamos prazerosas, como ler um livro ou ouvir música. É uma sensação menos intensa e mais sujeita às circunstâncias enquanto a depressão é profunda e vem acompanhada de sintomas como tristeza e baixa auto-estima. No entanto, às vezes, ambos se confundem. Quando a falta de ânimo se torna crônica, desencadeia o tédio existencial que se assemelha a uma depressão branda. “Em ambas as situações, a pessoa não tem vontade de fazer nada e pode achar que a vida não vale à pena.
                        Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                     Psicóloga Clínica

26 de jan. de 2013

Coping religioso e Saúde Física e Mental


Coping religioso e Saúde Física e Mental


Coping religioso e Saúde Física e Mental

Coping, palavra inglesa sem tradução literal em português, significa grosso modo “lidar com”, “adaptar-se a”, “enfrentar” ou “manejar”. Alguns estudos brasileiros traduzem coping por enfrentamento.
Coping tem um papel central na relação entre religiosidade, espiritualidade e saúde e pode ser melhor definido como o conjunto de estratégias utilizadas por uma pessoa para se adaptar a circunstâncias de vida adversas. Na perspectiva da Psicologia da Religião, Coping significa a busca por significado em tempos de estresse, “um processo através do qual os indivíduos procuram entender e lidar com as demandas significativas de suas vidas” (Pazine, 2004).
A religião oferece uma variedade de métodos ou estratégias de Coping, que, engloba uma série de comportamentos, emoções, cognições e relações.
Já dissemos anteriormente o quanto a religião pode melhorar a saúde promovendo práticas saudáveis de vida, melhorando o suporte social, oferecendo conforto em situações de estresse e sofrimento e até alterando substâncias químicas cerebrais que regulam o humor e a ansiedade, levando-nos ao relaxamento psíquico. Portanto, a religião pode ser um fator psicossocial e biológico benéfico na recuperação de doenças físicas e mentais.
Dito em outras palavras, crenças religiosas quando bem orientadas (não fanatismo) podem influenciar a maneira como pessoas lidam com situações de estresse, sofrimento e problemas vitais. Nessa circunstância a religiosidade pode proporcionar à pessoa maior aceitação, firmeza e adaptação a situações difíceis de vida, gerando paz, autoconfiança e, uma imagem positiva de si mesmo. Podem ainda, reduzir a sensação de desamparo e perda de controle que acompanham doenças físicas. A percepção de uma relação com Deus pode oferecer uma visão de mundo que proporciona socorro e sentido a doença e ao sofrimento humano.
No entanto, crenças religiosas também podem gerar culpas, dúvidas, ansiedade e depressão por aumento da autocrítica e autopunição. Instituições religiosas podem ainda levar pessoas a estabelecer maneiras de agir e pensar extremamente rígidas e inflexíveis, e nesse caso, favorecer o desencadeamento de transtornos emocionais, desestimulando, por exemplo, a busca precoce de tratamento e cuidados médicos necessários.
Profissionais de saúde mental ainda apresentam dificuldades em lidar com a religiosidade e espiritualidade de seus pacientes, no entanto, algumas universidades já despontam o interesse em oferecer treinamento adequado para essa intervenção.
Benefícios que utilizam práticas religiosas bem orientadas são bem vindos desde que não se excluam tratamentos médicos e medicamentosos e sejam respeitadas a individualidade e diversidade de crenças de cada um.
No aspecto negativo encontramos pessoas, que quando enfermas, aderem naturalmente a recursos que possam de alguma forma devolver-lhes rapidamente a saúde e o bem-estar. Estando mais vulneráveis podem ser presas fáceis de manipulação e influências na utilização de métodos que prometem curas milagrosas, retardando, assim, a busca por tratamentos médicos e psicológicos.
 Do lado positivo temos que a aderência a práticas religiosas pode levar as pessoas a adotarem hábitos de vida saudável, como evitar o tabagismo, o alcoolismo, drogadição, promiscuidade. Tais providências podem evitar alguns tipos de cânceres (pulmão, estômago, cavidade oral, faringe, esôfago, laringe e bexiga, AIDS), e outras doenças.
Estudos mostram que a prática de princípios religiosos como o perdão, a compaixão, a fé, a esperança, entre outros, “acalmam”, liberando hormônios como acetil colina, endorfina, serotonina, etc., produzindo relaxamento muscular, serenidade, resguardando o corpo físico, melhorando a digestão e absorção de nutrientes, facilitando o sono, aliviando dores físicas, corrigindo a hipertensão arterial, diminuindo a ansiedade, depressão, etc.
Outra função das crenças religiosas pode ser a de alterar a atividade do sistema imunológico, prevenindo dessa forma o estresse. A alteração imunológica do indivíduo poderá levá-lo a maior propensão em apresentar doenças mediadas por fatores de imunidade. Um estudo concluiu que um aumento de interleucina-6 (fator imunológico) está aumentado no sangue de pessoas que não freqüentam regularmente cultos religiosos, quando comparadas com praticantes religiosos. A interleucina-6, geralmente se encontra elevada no plasma de indivíduos submetidos ao estresse constante. Dessa forma, pessoas religiosas teriam mais "resistências" aos fatores estressantes do dia-a-dia, ou seja, melhor adaptação psicológica.
As crenças ou atividades religiosas também podem produzir um estado de relaxamento do Sistema Nervoso Central (SNC), associado a uma diminuição da atividade do Sistema Nervoso Simpático, aumentando assim a resposta imunológica, e evitando-se dessa forma várias doenças psicossomáticas.
Profa Dra Edna Paciência Vietta
                Psicóloga Clínica

25 de jan. de 2013


             ORAÇÃO E FÉ: SEUS EFEITOS NA SAÚDE



      Oração e fé: seus efeitos na saúde.A oração é, com certeza, independentemente da razão pela qual é praticada, a expressão mais universal de confiança e fé em um Ser Superior. Apenas no fim do século passado e, principalmente, no início deste é que o ato de orar, ao alcance de qualquer mortal, tornou-se objeto de pesquisa.
      Dr. Jeff Levin uma das maiores autoridades mundial, epidemiologista formado em Teologia, Sociologia, Saúde Pública e Medicina Preventiva docente na universidade do Texas e na Universidade de Michigan, um dos principais cientistas do mundo no que se refere aos estudos sobre a relação entre as práticas religiosas ou espirituais e sua relação com a saúde, pesquisador do National Institute for Health care Research, afirma que resultados obtidos nas pesquisas realizadas nessa área não deixam dúvida de que fé e oração realmente ajudam as pessoas a se curar.
      Basicamente, o que os pesquisadores descobriram é que a oração é um instrumento real, efetivo, para ajudar na cura das pessoas, e que os efeitos positivos das orações na saúde já podem ser identificados e medidos.
      Médico e pesquisador Herbert Benson, conceituado médico da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, pesquisando os efeitos de vários métodos alternativos sobre doenças e a saúde, entre elas a fé e a oração publico, em seu livro Timeless Healing, que a oração, desacelera o metabolismo, reduz o ritmo cardíaco e respiratório, prolonga a freqüência das ondas cerebrais, diminui a pressão sanguínea, proporcionando sensação de paz e tranqüilidade, melhorando o estado de saúde em geral.
      Por meio da tecnologia de Tomografia Computadorizada por Emissão de Fóton Único (em inglês, SPECT), percebe-se uma diminuição do fluxo sanguíneo no lobo parietal superior, região do cérebro situada na parte de trás do crânio e responsável pela orientação no espaço e no tempo. Estudos nessa área, abriu a perspectiva segundo a qual o Ser Humano teria sido dotado de áreas no cérebro dirigidas para a comunicação com Deus.
      No Brasil, pesquisa feita pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris), do Rio de Janeiro, constata que pessoas com temperamento forte quando convertidas se tornam mais tolerantes, se comportam melhor nos diferentes papéis que desempenham como os de pais, cônjuges, filhos, tornando-se mais dedicadas, menos egoístas, abandonando vícios da bebida, drogas, intensificam sua preocupação com o próximo, melhorando a percepção do outro, suas relações no trabalho, irradiando simpatia e mais ação no sentido de fazer algo para ajudar as pessoas.
      A verdade é que a fé leva a pessoa a rever valores, padrões morais e a se tornar uma pessoa melhor.
      O homem é uma unidade bio-psico-sócio-espiritual.
      A dimensão biológica refere-se aos aspectos físicos do corpo: anatomia, a fisiologia, os sistemas muscular, digestivo, ósseo, hormonal, respiratório, as funções e disfunções dos diversos órgãos, a inter-relação desses sistemas. As necessidades fisiológicas estão aqui incluídas.
      A dimensão psicológica refere-se aos aspectos ligados à personalidade do ser humano, manifestada no comportamento motivado por instâncias conscientes, pré-conscientes e inconscientes. Incluem-se nesta dimensão o pensamento, a memória, o raciocínio, o contato e a expressão de sentimentos, emoções, desejos, vontades, necessidades de segurança, de auto-estima, de realização.
      A dimensão social diz respeito aos aspectos ligados à vida em grupo, enfocando os fatores econômicos, políticos, ideológicos e culturais. Esta dimensão inclui, necessariamente, a interação e, conseqüentemente, todos os fenômenos que acontecem na interação entre pessoas e grupos. A necessidade de associação, de uma vida social está aqui incluída.
      Orar é parte da natureza espiritual do ser humano. A dimensão espiritual relaciona-se ao sentimento de pertencer ao mundo, de ser uma parte do Universo, à noção da existência de forças maiores que o entendimento não pode ou tem dificuldade de apreender; é uma dimensão que ultrapassa a matéria tal como a conhecemos.
      No contexto atual de crises e de mudanças e transformações profundas, onde a fé é questionada, onde não é apenas a teologia que as pessoas querem abandonar, mas também a ética, a moral e os costumes, compete-nos como profissionais, em nossa responsabilidade social, refletir, também, sobre essa questão e suas influências na saúde, na doença e na convivência humana, na verdadeira espiritualidade que deve ser um dos desafios de todo cidadão deste planeta.

                     Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                     Psicóloga Clínica/Ribeirão Preto

                            Adversidade e Resiliência – Psicóloga Ribeirão preto
                                 
                                               
                                                       
                                          
Desde o final do século XIX, no âmbito das ciências humanas a tendência foi dar ênfase aos estados patológicos. Por isso, as investigações se concentraram na descrição exaustiva das doenças, na intenção de descobrir causas ou fatores que pudessem explicar as condições negativas ou não desejadas, tanto na esfera biológica como mental. Apesar dos esforços, muitas questões ficaram sem resposta.  No final do século XX, a ênfase na Psiquiatria e na Psicologia passou a focalizar aspectos positivos da manutenção da saúde mental e sua prevenção.
Vários conceitos teóricos sobre recursos internos e externos para promover e preservar a saúde física e mental surgiram nas décadas de 70 e 80, fundamentados numa variedade de disciplinas: na Psicologia, na Biologia, na Sociologia, na Psiquiatria, na Educação, norteando e direcionando a promoção da saúde, entre eles, o de resiliência. O termo surgiu como uma combinação de fatores que permite ao ser humano enfrentar e superar problemas e adversidade da vida. (Suarez Ojeda, 1993).
Resiliência é um termo que a psicologia, tomou emprestado da Física para explicar a capacidade do ser humano em lidar com problemas e adversidades da vida de modo a superá-los, retomando gradativa e normalmente à sua condição anterior, após o enfrentamento de tais situações.
Metaforicamente podemos dizer que Resiliente é o indivíduo que submetido a traumas, estressores ou situações adversas se recupera psicologicamente e não se torna vítima da situação enfrentada.
Ao mesmo tempo, a aplicação do enfoque de risco amplamente difundido nos programas de saúde mental mostrou a existência de numerosos casos que se desenvolveram de forma normal, apesar das contingências desfavoráveis, eventos e fatores que em outros indivíduos foram causas de desequilíbrios emocionais ou de transtornos psicológicos ou mentais severos. O enfoque direcionou-se, então, para os fatores protetores que preservam a integridade psicológica e mental dessas pessoas.
Até os anos 90, os estudiosos defendiam que a habilidade para administrar conflitos era inata, como um dom. A partir daí, comprovaram que o homem pode, sim, desenvolver a capacidade de se recuperar e de crescer em meio a sucessivos problemas.
Sem dúvida que traços de personalidade são de grande relevância para a aquisição de comportamentos relisientes, mas um ambiente facilitador que gere pessoas confiantes e bem resolvidas é fator importante.
Acredita-se, portanto, que é na infância que se adquire tal condição, porém é possível desenvolvê-la também na vida adulta.
Ao se analisar o termo no âmbito da psicologia inclui-se também a capacidade de as pessoas, pessoalmente ou em grupo, resistirem às pressões sociais sem perder o equilíbrio emocional. Considerando o mundo em processo constante de mudanças, condição que exige constantes adaptações, sem tempo suficiente para se refletir sobre as posições a serem tomadas, diante das novas exigências e cobranças impostas, o tema se torna interessante e oportuno.
Neste contexto, pessoas resilientes estabelecem metas bem definidas – não são dados a grandes devaneios, como: enriquecer rapidamente e sem esforço, ficar famoso do dia para noite… São pessoas flexíveis, sensíveis, que possuem adequadas habilidades sociais, boa capacidade para se comunicar e, nas dificuldades faz uso do humor.
Pessoas resilientes apresentam competência para resolver problemas, pensam de forma crítica, procurando soluções adequadas para suas necessidades, e quando não encontram saídas, não se recusam a buscar ou aceitar ajuda. Possuem forte senso de identidade, grau elevado de autonomia e auto-estima. Demonstram independência e autocontrole. Quando as experiências são muito negativas, mantém-se a certa distância procurando formas alternativas de adaptação. Têm propósito e confiança no futuro: aspirações elevadas, mas, realístas, persistência e determinação. Acreditam que nas dificuldades, também, possam residir oportunidades de crescimento. Nutrem-se das pequenas vitórias, identificando e trabalhando recursos internos de forma saudável.
Pessoas resiliente não se abatem facilmente, não culpam os outros pelos seus fracassos, agem com ética e dispõem de energia para o trabalho.
Como você resolve seus conflitos? Como você administra suas crises? Como encara suas perdas? Você se considera uma pessoa resiliente? Faça você mesmo essa avaliação.
Profa. Dra Edna Paciência Vietta
                                 Psicóloga Clínica
erun:� . > � �� ��; �                           Psicóloga Clínica

30 de dez. de 2012

Kummerspeck: gordo de tristeza


Kummerspeck: gordo de tristeza

Obesidade não é um problema novo, temos relatos sobre essa enfermidade desde a antiguidade, porém na concepção de doença e, na proporção de epidemia conforme constatado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), agora considerada um mal contemporâneo. Como epidemia do século XXI, atinge tanto países de primeiro mundo, como países em desenvolvimento. Estudos mostram que a obesidade já é problema mais freqüente e mais grave que a desnutrição, sendo considerada como um dos principais sintomas de neurose no mundo ocidental (Woodman, 1980). É também, um importante fator de risco para patologias graves, como a diabetes, doenças cardiovasculares, hipertensão, distúrbios reprodutivos em mulheres, alguns tipos de câncer e problemas respiratórios. A obesidade pode ser causa de sofrimento, depressão e comportamentos de esquiva social, prejudicando em muitos aspectos a qualidade de vida das pessoas.
A obesidade é de etiologia múltipla, genética, emocional e comportamental com influências culturais, sociais, econômicos e de fatores demográficos.
No que diz respeito ao aspecto psicológico e ao desenvolvimento humano podemos considerar a importância da alimentação na vida da pessoa, já presente nas primeiras relações entre mãe e bebê quando, inegavelmente, a alimentação está ligada à condição de sobrevivência humana.
Segundo Freud, quando alimentado, ainda no seio materno, o bebê busca alivio para sua sensação desprazeirosa reconhecida como fome, momento em que deve receber o aconchego materno, o toque, reconhecer o som dos batimentos cardíacos da mãe e principalmente seu olhar materno, fator indispensável para o início da constituição psíquica de ser. Quando no ventre materno, o ser humano está na plenitude, já que, totalmente protegido, ele é suprido de todas suas necessidades, daí se dizer que quando se nasce, se cai do paraíso e a partir daí o ser vai viver a vida toda em busca da plenitude perdida. Há uma espécie de vazio, de falta que nunca poderá ser preenchida a não ser que se pudesse voltar ao útero materno. No entanto, o homem busca incessantemente, por diversas formas, reaver, ainda que de forma ilusória, essa plenitude (o prazer de ter todas as suas necessidades e desejos completamente satisfeitos). Ledo engano. Há quem busque a plenitude nas drogas, no sexo, o obeso busca na comida, etc.
A fome do obeso é pulsional, é infantil, é voraz. Utiliza-se da comida como se o ato de alimentar-se o reconduzisse a um estado de nirvana.
O processo alimentar é o eixo da vida emocional no início da primeira infância, é o centro do universo da criança. Quanto mais amadurecido o ser, maior a condição de distinção entre necessidade e desejo. Esse desejo é uma espécie de constatação amorosa em nós da nossa incompletude, da certeza de não sermos plenos, completos, de que nos faltam coisas. Esta fantasia que funciona em nós como uma espécie de representação do que devemos alcançar para que possamos finalmente chegar a esta suposta plenitude
Na vida adulta a alimentação continua um elemento obrigatório no cotidiano e em excesso legitimado, sobretudo, em rituais festivos: Natal, casamentos, comemorações, etc. Aqui já não há apenas a presença da necessidade do alimento em si, mas o desejo ou satisfação em se comer algo especial como, o peru, aquela macarronada, aquele churrasco, aquele pudim de leite condensado. O comer toma outras funções, não só de aplacar ou saciar a fome, mas satisfazer carências, necessidades internas relacionadas a frustrações, insatisfações, estresse emocional, etc. É justamente essa incapacidade que o obeso tem de simbolizar sua relação com o alimento que o leva a exagerar no consumo. 
Após as duas grandes Guerras Mundiais se observou que mulheres que passaram um período longo de carências, inseguranças e incerteza ou vivenciaram a perda de entes queridos, apresentavam a tendência em aumentar de peso, não explicada somente pelas questões calóricas. Nesta época, tornou-se comum o uso do termo Kummerspeck, (palavra de origem Germânica) que quer dizer “gordo de tristeza”.
Na verdade o luto, no sentido de qualquer perda material e/ou afetiva (morte, perda de emprego, perda financeira, divorcio, perda de estabilidade, de status, etc.), muitas vezes, torna-se disparadores do descontrole da fome. Os obesos dizem ter a impressão de estarem compensando alguma necessidade. Quando nos aprofundamos nas causas das compulsões percebemos que estão muito mais ligados a sentimentos de culpa, reprovação, e auto-recriminação.
A compulsão alimentar pode, ainda, atuar como mecanismo de defesa, ou como se essa fosse a única forma de resolução de problemas.
Daí a importância de se entender a relação que o obeso estabelece com a comida, seus recursos para lidar com limites internos e externos, sua capacidade de tolerar frustrações, entre outros.

                 Profa Dra Edna Paciência Vietta
                               Psicóloga Clínica

19 de dez. de 2012

SÓ VOCÊ É CAPAZ DE LIMITAR SEU CRESCIMENTO


SÓ VOCÊ É CAPAZ DE LIMITAR SEU CRESCIMENTO



    A observação sistemática do comportamento dos indivíduos tem mostrado que conhecemos muito pouco a respeito do nosso próprio comportamento. Pelo fato de termos acesso privativo aos próprios pensamentos e sentimentos, acreditamos possuir conhecimentos profundos dos porquês nos comportamos de determinadas maneiras. Contudo, esse tipo de conclusão não tem recebido suporte científico. Freud foi um dos primeiros pensadores a apontar o quanto da motivação humana permanece obscura à própria pessoa e sugeriu que tornar consciente essas motivações seria um passo importante para o estabelecimento de uma vida saudável.
    O autoconhecimento é adquirido, aprimorado e influenciado de acordo com a observação, percepção e interpretação que o indivíduo faz dos eventos de sua de vida, de sua cosmovisão (a visão que ele tem do conexto em que vive, do mundo e das pessoas). O problema é que nem sempre as pessoas conseguem fazer essa auto-observação e isso pode gerar sofrimento por desconhecimento das razões de seu agir, pensar e sentir, e conseqüente sensação de vazio, raiva e frustração.
    A psicoterapia é um processo de autoconhecimento que promove um maior desenvolvimento da percepção que o indivíduo tem dele mesmo, de seus comportamentos, pensamentos e sentimentos. O desejo de conhecer mais sobre nós mesmos geralmente nos remete a experiências da infância, vividas com nossos familiares mais próximos. Muitas lembranças são prazerosas, algumas podem vir acompanhadas de dor e angústia. Portanto, este é um processo temido por muitos, e várias são as manobras que utilizamos para evitar contato com nosso mundo interior. No entanto, reflexão e autoconhecimento são armas poderosas para resolver conflitos emocionais.
    A maior vantagem do autoconhecimento é que ele permite que o indivíduo encontre as reais causas das suas dificuldades possibilitando-lhe tomar atitudes para transformá-las. Por ser um processo temido, várias são as manobras conscientes e inconscientes, utilizadas pelo ser humano para evitar o contato com seu mundo interior. Os caminhos de alienação de si próprio são os mais diversos. Alguns evitam encarar sua realidade trabalhando o tempo todo, outros adoecem, outros comem ou gastam compulsivamente. Tudo isso para não ter tempo de olhar para si mesmo. Pessoas que não refletem sobre sua própria vida, distanciam-se cada vez mais de seus reais sentimentos, agem automática e impulsivamente, caminhando sem saber para onde. Muitos preferem levar a vida sem muitos questionamentos, pois analisar as próprias atitudes e comportamentos demanda coragem, sobretudo, quando se constata a necessidade de mudança, é como mexer num vespeiro. Dessa forma, evitam entrar em contato com seus sentimentos mais profundos, até como forma de defesa, temendo machucar-se.O perigo é a pessoa colocar toda culpa de seus insucessos, frustrações e dificuldades fora delas, nos outros, nas situações e contingências da vida e se acomodarem, parar de lutar, de crescer, de progredir.Passam a esperar e exiger que os outros mudem.
    Só existe uma pessoa capaz de limitar seu crescimento: VOCÊ MESMA! Você é a única pessoa que pode fazer a revolução de sua vida. Sua vida não muda quando seu chefe muda, sua empresa muda, seus pais mudam, sua namorada muda. Sua vida muda quando você muda. Quando você toma as rédias de seu próprio destino. O que muda é a maneira de você encarar a vida.
   O autoconhecimento nada mais é do que o antigo axioma ensinado por Sócrates: "Conhece-te a ti mesmo". Significa ter consciência de si mesmo, percepção dos próprios sentimentos, conhecer o sentido da própria vida, fazer uma avaliação realista das próprias capacidades e limitações de modo a desenvolver o auto-encontro gerador da auto-estima e autoconfiança. Inteligência emocional é justamente esta capacidade de percepção dos próprios sentimentos a partir da qual, aprendemos a lidar com eles, dominando-os quando negativos, desenvolvendo-los quando positivos, de modo a se conquistar o equilíbrio emocional. Esse equilíbrio nos permite a motivação para uma vida mais harmonizada.
    Pensadores, filósofos e pesquisadores têm debatido sobre a importância de o indivíduo conhecer a respeito do seu próprio comportamento, ou seja, como alcançar o autoconhecimento e o quanto este é relevante para a garantia de sua saúde mental. A Psicologia é uma área do conhecimento que busca encontrar a resposta para essas questões por meio de método científico. Por este motivo, quando se deseja alcançar um grau mais profundo de autoconhecimento, recomenda-se a psicoterapia. Este processo é um recurso relevante para a produção das mudanças desejáveis, um caminho para compreensão dos motivos conscientes e inconscientes que nos leva a agir desta ou daquela maneira.
                             Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                         Psicóloga Clínica

O USO INTELIGENTE DAS EMOÇÕES


O USO INTELIGENTE DAS EMOÇÕES



    Nossas emoções operam em diversos níveis e se manifestam através de uma mescla de reações físicas e psicológicas. É, também, o motor das nossas condutas, ao produzirem uma série de respostas resultantes da percepção que fazemos das situações que vivenciamos. Cada emoção corresponde a determinadas reações fisiológicas.
    O termo “emoções negativas” se refere às emoções que embora façam parte da natureza do homem, quando em excesso tornam-se desagradáveis, por exemplo, ansiedade, raiva, tristeza. Emoções positivas são aquelas que em condições normais geram uma experiência agradável, como alegria, felicidade, prazer, amor, etc. Com a tristeza temos a diminuição do ritmo respiratório; a sensação de vazio. A raiva, o medo, a ansiedade têm em comum a secreção do hormônio adrenalina, que dispara o coração, preparando a pessoa para luta ou fuga. Com alegria temos um aumento na produção de endorfinas, hormônios analgésicos e calmantes naturais, que nos dão a sensação de bem-estar e felicidade. Estes são exemplos do quanto às emoções podem interferir e/ou influenciar nosso estado de bem estar físico e mental, afetando nossos comportamentos e atitudes no cotidiano, na forma como reagimos aos fatos e circunstâncias do nosso dia-a-dia.
    A Inteligência Emocional nada mais é que o uso apropriado de nossas emoções. Refere-se, ainda, às habilidades que temos de relacionarmos com outras pessoas, tendo como características básicas a empatia e a habilidade social. Pessoas que não se relacionam bem socialmente, com familiares, cônjuges, colegas e amigos, necessitam desenvolver a Inteligência Emocional, o autoconhecimento e melhorar a auto-estima.
    Acredita-se, hoje, que os transtornos psicossomáticos ou psicofisiológicos como dores crônicas, algumas tipos de dor de cabeça, disritmias cardíacas, enfermidades digestivas, algumas dermatites, dentre tantos outros sintomas, podem ser produzidos por uma excessiva ativação das respostas fisiológicas de órgãos e sistemas (cardiovascular, respiratório, etc). Todo sentimento tem seu valor, porém, precisamos da emoção controlada, ou seja, o sentimento proporcional e adequado às circunstâncias.
    Quando emoções são abafadas demais surgem, o embotamento, a tristeza, a angústia, o medo, a insegurança. Quando intensas e persistentes, tornam-se patológicas, como na Depressão Maior, na Agitação Maníaca, nas Fobias, Obsessões, Compulsões e no Pânico.
    Inteligência Emocional é a capacidade de perceber e avaliar os verdadeiros sentimentos e emoções, de lidar com ambos, dominando-os ou adequando-os, quando negativos, desenvolvendo-os e dando-lhes direcionamentos corretos, quando positivos, de modo a se alcançar tanto quanto possível, o equilíbrio físico e emocional. É necessário, ainda, saber interagir com facilidade, lidar adequadamente com situações de estresse, enfrentar novos desafios, solucionar conflitos, estabelecer vínculos de cooperação e trabalho em equipe, ser mais assertivo (saber lutar pelos seus direitos, sem prejudicar terceiros).
    A boa noticia é que, podemos desenvolver todos esses recursos. Para estarmos produtivos intelectualmente, é importante, exercitarmos a memória, ler, pesquisar, decorar textos, viajar, aprender com novas culturas, estudar línguas, falar em público, escrever, produzir intelectualmente, etc.
    Para melhorar a Inteligência Emocional ou o (QE), são fatores imprescindíveis, o autoconhecimento, ou seja, a capacidade das pessoas conhecerem a si próprias; ter autocontrole – ou capacidade de gerir as próprias emoções, manter um estado de espírito positivo e humor estável; mobilizar recursos para a automotivação, realizar tarefas e ações necessárias para alcançar seus objetivos. Exercitar a empatia ou a habilidade de comunicação inter e intrapessoal com estabelecimento de vínculos afetivos gratificantes, bom nível de auto-estima e vida espiritual ativa.
                         Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                    Psicóloga Clínica

Psicoterapia e seus benefícios



Os últimos avanços na área da Psicologia e Psicoterapia têm permitido alcançar resultados cada vez melhores e mais significativos. Apesar de ser considerado um tratamento oneroso, a psicoterapia tem se mostrado, na realidade, um procedimento econômico. Pesquisas indicam que a aplicação efetiva da psicoterapia diminui os índices de transtornos mentais, internações hospitalares, idas aos prontos socorros, a auto-medicação e seus malefícios, e consumo indevido de psicotrópicos, outros medicamentos, etc.
Além dos benefícios que traz para a saúde psicológica da pessoa, a psicoterapia melhora a qualidade de vida, favorece a aquisição de autonomia, aumento de auto-estima, dando uma nova orientação em relação à vida das pessoas. A psicoterapia tem se mostrado um tratamento economicamente compensador, por prevenir e tratar problemas psicológicos que, quando não tratados adequadamente, trazem enormes prejuízos pessoais, conjugais, sociais e profissionais, com repercussão na situação econômica e afetiva das pessoas (perdas financeiras, compulsões, divórcios, separação, perda de emprego ou de oportunidade de ascensão no trabalho, etc.).
Em nossa atividade profissional, temos observado que a maioria das pessoas que tem comparecido à clínica, em busca de ajuda psicológica, o faz por vontade própria, outros vêm por insistência ou pressão da família. Os que comparecem por esta última via, geralmente, apresentam maior dificuldade em aderirem ao tratamento, neste caso demoram um pouco mais a se engajarem no processo. É importante dizer que a psicoterapia só funciona a partir do momento em que o cliente desejar ser ajudado e aceitar o tratamento, ou seja, sem engajamento não há terapia. A experiência tem mostrado que as pessoas que procuram ajuda espontaneamente respondem melhor ao tratamento e têm melhor aproveitamento que aquelas que se submeteram às decisões de terceiros. Os que tomaram iniciativa própria, geralmente se deram conta de que algo diferente estava acontecendo com elas, sentiram necessidade de buscarem ajuda e obtiveram grande alívio ao poderem expressar seus sentimentos de forma adequada. Alguns destes sentimentos foram manifestos através da verbalização de insatisfação como forma da pessoa reagir a certos acontecimentos, frustrações com sua situação familiar, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, falta de iniciativa ou disposição para realizar atividades cotidianas, posturas habitualmente pessimistas, oscilação de humor, medos irracionais, pânico, timidez, ansiedade, depressão, ciúme, desânimo, entre outros. Ainda, como motivos desta procura foram indicados: a percepção de que o padrão de comportamento utilizado por essas pessoas não lhes proporcionava vida estável e equilibrada, que o jeito habitual de ser, lhes causava problemas e prejuízos consideráveis na vida pessoal, social e profissional, sendo, muitas vezes, impeditivos para o estabelecimento de relacionamentos satisfatórios.
Temos presenciado pessoas que procuram ajuda psicológica por, de repente, se deram conta de que os problemas foram se acumulando ao longo da vida e soluções foram sendo postergadas às expensas do estresse causado, culminando em agravamento de conflitos pessoais, conjugais e profissionais. Algumas pessoas ficaram surpresas em terem permitido que seu estado emocional pudesse chegar a tal nível. Tais pessoas se questionaram como puderam negligenciar sua saúde mental e conviverem com tantos problemas, suportando tantos sofrimentos. Mais surpresas ficaram quando descobriram as conseqüências negativas, que poderiam ter evitado (algumas delas irreversíveis), caso tivessem buscado ajuda apropriada, no momento adequado. As pessoas se mostraram arrependidas por não terem tomado iniciativa antes, tomando consciência do preço que tiveram que pagar por permanecerem em conflitos consigo e com os outros, sobretudo, com os mais próximos e significativos (filhos, pais, cônjuges, etc.). Admitiram o quanto viveram infelizes, derrotadas, amargas, mal-humoradas, quando poderiam ter desfrutado melhor as oportunidades da vida. Pessoas que já poderiam ter alcançado sucesso em sua vida conjugal, familiar, profissional, encontram-se hoje, sem rumo, desorientadas frustradas, sem perspectivas futuras por falta de autoconhecimento e auto-estima. Quantas delas insistem em resolver os problemas por si próprias, sem obterem resultados desejados, se acomodando a eles por medo, orgulho, preconceito, teimosia, ou mesmo, por ignorarem os recursos psicológicos disponíveis. Ainda, assim, muitas resistem recorrerem a esta alternativa, mesmo sabendo ser esta, o recurso efetivo para instrumentá-las a lidarem adequadamente com seus conflitos.

Auto-estima: sucessos e fracassos

A auto-estima é um sentimento essencial à sobrevivência psicológica, no entanto, as exigências do mundo moderno parecem estar tornando tal conquista uma tarefa penosa e difícil de ser atingida. Haja vista suas implicações freqüentemente detectadas nas queixas dos clientes tanto jovens, como adultos e idosos que procuram ajuda psicológica, entre elas: a timidez, a insegurança, a depressão, a dependência afetiva, o ciúme excessivo, etc.
A crise de valores parece ser outra conseqüência desta presença constante, um dos sintomas emocionais freqüentes. Muitos sentimentos de inferioridade podem ser influenciados por valores distorcidos pela mídia, por publicidades apelativas, por apelos ao consumismo, pelo culto ao corpo, por ideologias consumistas.
O mundo moderno supervaloriza o novo, o belo, o perfeito, o forte, os mais jovens, a performance sexual, as proezas atléticas, o poder, as posses materiais, mas não valoriza da mesma forma, o amor, a simpatia, o caráter, a amizade, a alegria, a paz, a fé, a tolerância, a fidelidade, a compreensão, as tradições, a disciplina, os valores morais. Quando falamos de auto-estima estamos referindo-nos ao grau de aceitação de nós mesmos, do grau de estima que adotamos frente ao conceito que fazemos de nós. Nossos sentimentos afetam nossa auto-estima de maneira positiva ou negativa. O sentimento de auto-estima é a percepção valorativa de nosso ser, da importância que temos para as pessoas que nos rodeiam, e desta, depende toda nossa realização pessoal e profissional. É a partir dela que tomamos decisões, fazemos escolhas e nos relacionamos e interagimos com o meio familiar, profissional e social.
Da auto-estima depende nossos sucessos e fracassos, uma vez que vinculada a um conceito positivo de nós mesmos, pode potencializar nossas capacidades e talentos, desenvolver habilidades, aumentar nosso grau de segurança pessoal e nos levar a postura otimista frente a novas conquistas. Isto implica no sentimento de estarmos de bem com a vida, de sermos aceitos e amados pelo que somos. Por outro lado, também é certo que auto-estima em excesso pode se constituir num transtorno para o relacionamento quando a pessoa se torna convencida, arrogante, egoísta, podendo, muitas vezes, ser confundida com a personalidade narcísica.
Estudos recentes, realizados por pesquisadores da Califórnia, afirmam que auto-estima muito elevada pode levar à frustração e até mesmo à delinqüência. Segundo os pesquisadores, a pessoa que não sabe dosar sua auto-estima traz danos a si própria e à sociedade, pois esta atitude pode extrapolar os níveis saudáveis da competitividade e exacerbar a agressividade e a intolerância. O ideal é a ponderação entre os extremos.
A auto-estima negativa faz com que a pessoa não confie em si própria, nem em suas possibilidades, se desvalorizando e se sentindo inferior às outras pessoas. A pessoa com baixa auto-estima está sempre com a sensação de desvantagem, incapacidade, sentimento de que nunca chegará a ter o mesmo rendimento que os outros e acaba se convencendo disso. A autocrítica dura e excessiva, imposta pela baixa auto-estima, imprime estados de insatisfação da pessoa consigo própria, indecisão crônica, medo exagerado do insucesso, e de equivocar-se, ser criticado, humilhado, rejeitado, etc. Esta condição faz com que o indivíduo se retraia e desista de seus intentos.
O autoconceito e a auto-estima, em dose adequada, favorecem o sentido de identidade, constitui marco de referência, já que interpretar a realidade externa e às próprias experiências, influem no rendimento, condiciona as expectativas e a motivação, contribuindo de forma efetiva para o controle emocional e conseqüentemente para o equilíbrio psíquico.
O autoconhecimento é o caminho para auto-realização e o processo que leva à auto-estima. À medida que a pessoa identifica e aceita suas qualidades e defeitos, estará aberta para o conhecimento e reconhecimento de seus sentimentos, desejos e vontades, estará dando um grande passo para o autoconhecimento. Em geral, experiências positivas, e bons relacionamentos ajudam a aumentar a auto-estima, enquanto experiências e relações problemáticas a diminuem.
Seja uma pessoa bem sucedida cuidando de sua saúde emocional.




Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
Psicóloga/Psicoterapeuta