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24 de nov. de 2012


Neurose


A palavra “neurótico”, da maneira como costuma ser utilizada hoje, tem sentido impróprio e pode ser ofensiva ou pejorativa. Para muitas pessoas a palavra “neurose” pode ser utilizada como sinônimo de “loucura”. Mas isso não é verdade. A neurose além de doença é uma maneira de a pessoa ser e de reagir diante da vida. Essa maneira de ser, significa que a pessoa reage através de reações vivenciais diferente, das que normalmente as pessoas reagem; seja pelo fato dessas reações serem desproporcionais, seja pelo fato de serem duradouras, ou ainda, pelo fato delas existirem mesmo sem causa aparente. As neuroses são fruto de tentativas ineficazes de se lidar com conflitos e traumas inconscientes. Nesse sentido, o que distinguiria a neurose da normalidade seriam a intensidade do comportamento e a incapacidade da pessoa resolver seus conflitos internos e externos de maneira satisfatória.
A neurose é uma doença causada por motivos inconscientes os quais geralmente garantem ganhos secundários, aparentemente vantajosos ao neurótico. Por exemplo, ser o centro das atenções familiares, obter o domínio do ambiente, evitar responsabilidades, camuflar inseguranças, medos, complexos, baixa auto-estima, etc.
As neuroses se manifestam por meio de sintomas inespecíficos e específicos. Os inespecíficos, ou acessórios, podem existir não só nas neuroses, mas também em outras doenças orgânicas ou psíquicas: depressão, hipocondria, irritabilidade, insônia, dores de cabeça, vertigens, paralisias, cegueira, convulsões etc. Apesar de acessórios, são muito freqüentes nas neuroses, e às vezes dominam o quadro clínico, de modo a mascarar ou encobrir os sintomas específicos.
Os sintomas específicos, ou essenciais, realmente típicos das neuroses, são angústia, fobias, obsessões, conversões (somatizações) e certas inibições, como a impotência sexual.
Em relação à ansiedade, a preocupação e o medo podem causar numerosos distúrbios em muitos indivíduos. Uma neurose deste tipo produz um estado de tensão crônico. Deste grupo fazem parte pessoas que são vítimas de ansiedade e medos de toda sorte. (Medo de elevadores, multidão, micróbios, sexo, loucura, morte e muitos outros fatores). Este sentimento de insegurança as torna sempre irrequietas. Nunca descansam. Permanecem em estado constante de exaustão nervosa.
Os sintomas neuróticos de ansiedade geralmente se desenvolvem em pessoas portadoras de caráter ansioso, ou seja, pessoas que encaram a vida com apreensão, socialmente inseguras, pessimistas e negativistas. Situações vivenciais, perdas significativas, problemas conjugais, crises financeiras e outros conflitos mais sérios, ou ainda, doenças físicas, podem precipitar nestas pessoas um quadro clínico de ansiedade, embora em alguns casos, os sintomas apareçam sem que nenhum fator significativo possa ser evidenciado.
Nossas vivências terão sempre caráter individual e particular em cada um de nós, de acordo com as particularidades de nossos traços afetivos. Os fatos podem ser os mesmos para várias pessoas, as vivências desses fatos, porém, serão sempre diferentes.
Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, propõe em um pequeno artigo datado de 1911 uma análise a respeito de como nos inserimos no mundo e de que maneira nos protegemos daquilo que pode se apresentar como ameaçador ao nosso psiquismo.
Como é possível compreender a relação que o ser humano estabelece com a realidade? Freud se fez estes questionamentos para tentar compreender a realidade e como nos relacionamos com ela, buscando esse conhecimento nos dois princípios que regem o funcionamento mental: o “princípio do prazer” e o “princípio da realidade”.
Freud chama de “princípio do prazer” aos processos primários do desenvolvimento humano, em que o sujeito busca a obtenção de prazer. Caso haja um desprazer, a atividade psíquica se recolhe. A este movimento de recolhimento Freud irá chamar de “recalque”, processo comum no neurótico.
Nem tudo que desejamos podemos concretizar, pois, a realidade (regras morais, cultura, tradição, costumes), regida pelo princípio de realidade, impede que o desejo seja satisfeito de maneira plena, daí a necessidade do recalque. Nesse sentido, o princípio do prazer é uma atividade psíquica, que abdica da imaginação, da fantasia, e concebe o real com todas suas vicissitudes e suas possíveis conseqüências desagradáveis. Daí Freud concluir ser a neurose o resultado de um conflito entre o Ego e o Id, ou seja, entre aquilo que o indivíduo é (ou foi) de fato, com aquilo que ele desejaria prazerosamente ser (ou ter sido).
                   Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                Psicóloga Clínica,

Borderline: entre Neurose e Psicose


Há mais de um século tem se usado o termo borderline, para designar um grupo de pacientes que se caracteriza, basicamente, por apresentar uma alteração mental, patológica, fronteiriça entre a neurose e a psicose.
O termo "borderline" (limítrofe) deriva da classificação de Adolph Stern, que descreveu esta doença, na década de 1930, como um Transtorno de Personalidade que se situa entre neurose e psicose. O termo carece de maior especificidade daí existir um debate atual com objetivo de renomeá-la.
Pessoas com personalidade limítrofe podem possuir sintomas psiquiátricos diversos, como problemas de identidade e humor instável e reativo, sensações de irrealidade e despersonalização. São pessoas com tendência a comportamento briguento, podendo transformar pequenos problemas em causas extremas (envolvendo autoridades), são impulsivas, sobretudo, autodestrutivas, manipuladoras, podendo apresentar ideação suicida e sentimentos crônicos de vazio e tédio. São exigentes em termos de atenção, e por estarem em freqüentes situações de embates, costumam provocar conflitos, fazer falsas acusações e apresentar comportamento egoísta (narcisista). São vistas como "rebeldes", "problemáticas", geniosas e temperamentais.
Os sintomas aparecem durante a adolescência e se concretizam nos primeiros anos da fase adulta (em torno dos 20 anos), podendo persistir por toda a vida. A fase inicial pode ser desafiadora para o paciente, seus familiares e terapeutas, porém na maioria dos casos a severidade do transtorno diminui com o tempo. Por ser mais evidente na adolescência costuma ser confundida com rebeldia ou descontrole próprio da idade o que leva a família a não se dar conta de estar diante de um distúrbio grave.
Os sintomas mais presentes (nem todos Borderline apresentam todos estes sintomas) são: medo de ser abandonado: necessidade de nunca se sentirem sozinhas, rejeitadas e sem apoio (para estes pacientes a idéia de ficarem sozinhos é torturante), dificuldade de administrarem emoções, atitudes imaturas e inconseqüentes podendo serem confundidos com delinqüentes, coisa que não são. O Borderline, ora é independente e aparentemente seguro, ora é simpático, fragilizado e dependente, porém, seus sentimentos podem variar do amor ao ódio profundo, rapidamente.
 Apresentam instabilidade de humor diferente do Transtorno Bipolar. Enquanto as oscilações deste último duram semanas ou meses, as dos Borderline duram minutos, horas, dias. Essas oscilações de humor são rápidas e incluem depressões, ataques de ansiedade, irritabilidade, ciúme patológico, hetero e auto-agressividade. Por exemplo: uma paciente liga para o consultório pedindo ajuda, desesperada, dizendo estar muito deprimida, que a vida perdeu o sentido e comparece à sessão horas depois, bem humorada, de bem com a vida,
O Borderline apresenta comportamento autodestrutivo (se machuca, se corta, se queima, se arrisca) e quando indagados sobre as causas de tais acidentes informam que assim o fazem para satisfazer uma necessidade irresistível de sentir dor, ou por sentir que a dor no corpo "é melhor que a dor na alma". As tentativas de suicídio, mais freqüentemente são as de impulso, não planejadas. Estes pacientes possuem baixa auto-estima, se sentem desvalorizados e incompreendidos. Desenvolvem admiração e desencanto afetivo por alguém muito rapidamente. Pequenas rejeições provocam grandes emoções. Menos freqüentes são os episódios psicóticos, que podem acontecer em situações específicas quando se sentirem observados, perseguidos, assediados, etc.
O Borderline corre risco aumentado de fazer compras compulsivas, praticar sexo de risco, comer compulsivamente, aderir a Bulimia, Anorexia, desenvolver Depressão, Distúrbios de Ansiedade, Abuso de substâncias, Transtorno Afetivo Bipolar e outros Transtornos de Personalidade.
A causa provável é uma combinação de vivências traumáticas (reais ou imaginadas) na infância, por exemplo, abuso psicológico, sexual, negligência, abandono, terror psicológico ou físico, separação dos pais, orfandade, vulnerabilidade individual, estresse ambiental. É importante saber tratar-se de condição grave que necessita tratamento intenso e contínuo.
São fatores de bom prognóstico: bons relacionamentos familiares, sociais, afetivos, profissionais, participação em atividades comunitárias: igrejas, clubes, associações culturais, artísticas, baixa ou ausência de auto-agressão, baixa ou ausente freqüência de tentativas de suicídio, ser casado, ter filhos, não ser promíscuo.
O tratamento indicado é a associação de Medicamento e Psicoterapia.
A boa notícia é que o Borderline pode ser tratado. O tratamento inclui medicamentos, terapia e o apoio de familiares. “Os sintomas diminuem com a idade e podem até desaparecer completamente entre os 30 e 40 anos”.

           Prova. Dra Edna Paciência Vietta
                   Psicóloga Clínica. 


Reféns do mundo moderno

Tenho observado com certa preocupação mudanças significativas nos hábitos e estilos de vida do homem moderno. Há quem não consiga mais passar um minuto sequer sem o celular, o computador, a internet, vídeo games. Pessoas que viraram reféns das novas tecnologias, que vivem mais no mundo virtual que no mundo real, cujas relações passaram a ser menos presentes fisicamente, que adotam um tipo de convivência superficial, pobre de vínculos afetivos.
Ao mesmo tempo em que as pessoas têm um grande repertório, muita informação, e congregam grandes redes de contato, uma grande porcentagem, geralmente mais jovens, estão se sentindo carentes de apoio social e familiar, dependentes, inseguras, imaturas, incapazes de resolver seus problemas, instáveis emocionalmente ou com tendência a buscar o prazer de forma imediata do celular.
Não há dúvidas de que a tecnologia trouxe conforto e rapidez para a humanidade, por meio dos avanços tecnológicos, a medicina descobriu o tratamento de inúmeras enfermidades, a tecnologia houve grandes progressos para humanidade. Não obstante, assim como os medicamentos que nos ajudam enfrentar doenças, também podem em certas condições apresentar efeitos colaterais. O uso indiscriminado da tecnologia, também pode provocar, quando mal utilizada, seus efeitos indesejáveis. É preciso estar atentos também aos problemas de convivência, comunicação e condutas que possam surgir em conseqüência de certas inovações tecnológica.
Quer um exemplo simples? Ao procurar um emprego, tenha em mente que o técnico de recursos humanos poderá procurar pelo seu nome no Google ou no Orkut. E, nesse caso, você estará exposto a uma avaliação sem muito controle. O que está ali revelado pode ser seu “cartão de visita”. Tanto pode ser uma boa oportunidade como revelar-se uma inconveniência.  Na verdade, devemos navegar dentro de certas regras e limitações.
Muitas pessoas passam horas diante dos dispositivos eletrônicos com sérias conseqüências para a saúde física e mental.
Atualmente, já se incluiu uma nova doença à lista: “esqueleto de notebook”. Trata-se de dor na coluna e cervicais por posturas inadequadas diante do computador.
Outro inconveniente já detectado é a “síndrome da tela” ou incômodo e sequidade ocular, visão embaçada e dupla por fixar a LER (lesão por esforço repetitivo), vista nas diversas telas durante horas. Assim, as lesões por esforços repetitivos, revelam o lado sombrio das novas formas de nos comunicarmos, trabalhar e nos divertir.
O uso incorreto de aparelhos como touchscreen  pode provocar doenças como:  LER, escoliose, lordose. Este recurso consta de tela sensível ao toque, e está presente em diversos aparelhos tais como computadores,  celulares, videogames.
A Academia Americana de Cirurgiões Ortopédicos da Espanha destaca a alta prevalência da síndrome do cotovelo doído, ou “cotovelo de celular”, dada a postura em que usamos o telefone ao falar, provocando uma hiperextensão dos nervos do cotovelo que adormece essa articulação e os dedos. Se a dor se prolonga, o nervo cubital pode se danificar de modo permanente e requerer cirurgia.
O “ouvido de iPod” decorre do tempo prolongado escutando música a mais de 80 decibéis. Isso pode levar a grande perda de audição (o recomendável são 65 decibéis, embora se aceite os 80 como limite).
Algumas dessas patologias – como o “mal do click” – afetam os nervos do pulso e provocam torção nos dedos, tenossinovite (inflamação dos tendões da mão), calcificações ou epicondilalgias (cotovelo de tenista).
Por último, o videogame que simula esportes de verdade (golfe, tênis, boliche…). Muitas vezes o usuário não percebe o esforço e sofre lesões em dedos, pulsos, cotovelos e ombros por não tê-los aquecido.
O que dizer então dos prejuízos emocionais?  Tensões e pressões no trabalho e na família, insônia, depressão e a extenuante possibilidade de não poder desligar, com pena de sentir os efeitos da abstinência. Estamos consumindo muito mais remédios contra a ansiedade. Recebendo informações 24 horas por dia. Estamos muito mais acelerados, conseqüência de mundo veloz e conectado, um ritmo que pode levar grande proporção da sociedade a ter algum distúrbio de ansiedade, por exemplo, síndrome do pânico, fobia social, a depressão ou outro qualquer transtorno mental.
Ninguém está imune ao uso das tecnologias, não há mais como nos livrarmos delas. E contra isso, não há vacinas. Só nos resta prevenir, educar e conscientizar.
Profa Dra Edna Paciência Vietta
Psicóloga Clínica

31 de out. de 2012

O homem se produz e reproduz pelo trabalho




Segundo Rodrigues et all 2005, o trabalho é o principal regulador da vida, já que o sujeito organiza seus horários, relacionamentos familiares e sociais em função deste. Neste contexto, a aposentadoria, por representar a ruptura com o papel profissional formal, ao invés de ser vivenciada como um repouso merecido, pode se tornar uma ameaça para o equilíbrio psicológico. Quando nos apresentamos a alguém nosso trabalho é um importante elemento da nossa identidade.
O trabalho ocupa um importante espaço na vida humana. As pessoas vivem em função de sua atividade profissional, tanto que uma pergunta comum quando se é apresentado uma pessoa é “Onde você trabalha?” ou “O que você faz?”
Vivendo em uma cultura que desvaloriza o trabalho, pois este é pensado como esforço, renúncia, cansaço e exploração, a possibilidade de deixar de trabalhar parece ser o grande e único caminho da liberdade tão desejada após anos de labuta.
Com visão tão negativa e pessimista sobre o trabalho, o não-trabalho ganha notoriedade e sentidos positivos; não trabalhar significa ser livre, autônomo, dono da própria vontade e “senhor de seu próprio tempo”. Acredita-se que o não trabalho liberta o homem dos “castigos” impostos pela obrigatoriedade no cumprimento de horários, expedientes, pontos e de toda a rotina estafante associada ao trabalho; Assim, muitos trabalham sem nenhum sentimento de prazer no trabalho que exerce, contando dias e horas para a tão esperada aposentadoria. No entanto, é comum que depois de se aposentar algumas pessoas sintam-se perdidas, sem saber o que fazer.
A falta de atividades e o tempo ocioso podem trazer incômodo, vergonha e constrangimento para quem teve uma vida produtiva podendo levar à depressão, isolamento, solidão e a outros sintomas associados. 
Cavalcanti (1995) afirmou que o trabalho muitas vezes representa “realização pessoal, elevando a auto-estima do sujeito devido reconhecimento social e à auto-imagem positiva originada a partir de bom desempenho profissional”.
O afastamento do trabalho provocado pela aposentadoria talvez seja uma das perdas mais relevantes na vida das pessoas. Além de perdas materiais que geralmente ocorrem em função da diminuição da renda, há perdas sociais e psicológicas importantes que podem afetar a saúde física e mental do aposentado. O trabalho é bem mais que simples ganha-pão; o trabalho é elemento fundamental na constituição da identidade humana (Codo, Sampaio & Hitomi, 1993; Codo & Sampaio, 1995). Com a aposentadoria, o indivíduo perde a rotina de trabalho; a identidade de trabalhador e afasta-se do convívio dos colegas. Muitos se preparam para a aposentadoria e logo encontram um substituto para o trabalho. Porém, para grande parte dos aposentados, o que ocorre é que nos primeiros meses há uma sensação gostosa de férias. Depois, vem o sentimento de vazio; de inutilidade, solidão e algumas vezes a depressão (Pacheco, 2002). Você acorda de manhã e já não tem mais para onde ir, acabou seu compromisso, não tem mais obrigações, já não sabe o que fazer. Você já não é mais o professor, o mecânico ou enfermeira. Aos poucos vai perdendo o reconhecimento social pelo profissional que foi um dia e perde também o reconhecimento de si próprio. É com essa sensação que o aposentado precisa lidar agora.
Os aspectos físicos, emocionais, sociais e espirituais são dimensões inter-relacionadas, devendo haver integração, equilíbrio e harmonia entre elas.
A aposentadoria é um período de reestruturação da vida e de valores. É neste período de mudanças extremas que familiares e amigos são de grande importância. Neste momento retoma-se a vida pessoal deixada de lado ou para trás; bom relacionamento entre casais, filhos, amigos fora do ambiente de trabalho. Normalmente os trabalhadores são tão absorvidos pelo trabalho que acabam deixando suas famílias e amigos. O momento de aposentadoria pode ser o momento de reflexão e retomada desses vínculos. É preciso se preparar para a aposentadoria e caso já tenha se aposentado ainda há o recurso de buscar ajuda para torna essa opção uma condição saudável.
A Psicoterapia é um lugar de encontro e de construção: encontro consigo mesmo, no desvelamento de novas possibilidades de realização de seu viver e construção de uma maneira nova de encarar as diversas situações experienciadas em seu cotidiano. 

        Profa Dra Edna Paciência Vietta
                   Psicóloga Clínica

20 de out. de 2012

Infoxicação: o que é isso?


Infoxiçação : o que é isso? 

 
            Infoxicação foi o termo escolhido pelo físico Alfons Cornellá, para designar a relação entre Informação e Intoxicação, um neologismo para explicar a dificuldade em digerir o excesso de informação, um mal da era digital. Outros conceitos relacionados com tal excesso são hoje conhecidos como Hiperconectividade, Infonomia (mania de buscar informação), Estresses de informação, Síndrome da Fadiga Informativa. Ainda podemos incluir nesta lista outros neologismos como Tecnoestresse: incidência de sintomas de estresse por profissionais que se utilizam de tecnologias; mais precisamente, inconveniência moderna causada pela inabilidade de conviver com as novas tecnologias do computador”, Tecnodependência, também conhecida por Tecnósis são termos utilizados para designar viciados em tecnologias. Técnofobia pessoas que recusam os avanços tecnológicos ao considerar que prejudicarão à sociedade. A Tecnofobia,  descreve ainda, todo e qualquer sentimento de medo, ansiedade ou sofrimento frente a uma ou várias formas de tecnologia. Esse mal-estar físico e mental está na base do Tecnoestresse.
Tecnoestresse é causado pelo uso excessivo da tecnologia e provoca dificuldade de concentração e ansiedade. O jovem tecnoestressado também pode tornar-se agressivo ao ficar longe do computador. Pesquisas já associam overdose de tecnologia com problemas neurológicos e psiquiátricos e alguns resultados levam a crer que estão aumentando os casos de doenças relacionadas ao isolamento, e a depressão é a que mais cresce. Neurologistas também dizem haver uma incidência maior do Transtorno de Deficit de Atenção entre adolescentes aficionados por computador.
O Tecnofóbico considera que algo de ruim pode acontecer ao se familiarizar com os novos avanços e não reconhece a necessidade de operá-los, nem de acrescentá-los à humanidade, pensa que antes as coisas eram resolvidas da mesma forma e que a tecnologia pode escravizar o homem.
Reconhecemos como Tecnofílicos àqueles que organizam sua vida ao redor de novas tecnologias e acham que sem elas não é possível ter uma vida social de sucesso. Vivem pendentes da comunicação e dos diferentes modelos que se incorporam ao mercado.
Assim as abordagens sobre as relações entre tecnologia e sociedade tendem a cair em duas posições extremas: Tecnofilia e Tecnofobia. A primeira vê a tecnologia como um elemento ruim que está colocando a sociedade em um processo de desumanização, não reconhecendo qualquer benefício que isto possa trazer a vida humana. A Tecnofilia tem uma posição oposta, vendo nos avanços tecnológicos as soluções e o meio ideal de melhorar o desempenho em diferentes tipos de atividades.
Não há como negar o fato de que a tecnologia abriu portas, expandiu horizontes intelectuais e proporcionou oportunidades antes impossíveis para crianças e jovens.
Assim, quando usada corretamente, “a internet educa pessoas em locais isolados, promove a comunicação ao redor do mundo, cria novos mercados e aumenta a conscientização dos jovens sobre questões globais, forçando-os a considerar problemas maiores do que os seus próprios", palavras de Cajetan Luna, diretor do Center for Health Justice de Los Angeles.
Vale a pena incluir, também, outro tipo de conduta relacionada às já mencionadas e que define os que temem a tecnologia por desinformação, isto é, aqueles que se sentem inferiores por não saberem manejá-las com destreza: os “analfabetos tecnológicos“, que na maioria das vezes encontram-se nesta condição pela impossibilidade ou falta de acesso às novas tecnologias ou mesmo pela falta de condições e preparo para utilizá-los.
A Psicologia defende que é preciso ensinar aos jovens que o acesso à rede exige cidadania, cuidado, ética e responsabilidade.
Alguém poderia dizer trata-se de modismo ou tendência em ver doença onde não existe. Deste ponto de vista podemos dizer não haver reconhecimento, pelo menos por enquanto, de tais doenças, senão síndromes para identificá-las e enquadrá-las em conjunto de sintomas. Visto desta forma é possível enquadrá-las em algumas patologias e tratá-las efetivamente através de abordagens psicológicas ou medicamentosas como exemplo, na diminuição de ansiedade, depressão, angústia, frustração, compulsão, etc.

                Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                        Psicóloga Clínica

13 de out. de 2012

Corpolatria


                                            

A “Corpolatria” é uma espécie de “patologia da modernidade” caracterizada pela preocupação e cuidado extremos com o próprio corpo não exatamente no sentido da saúde (ou presumida falta dela, como no caso da hipocondria), mas, particularmente no sentido narcísico de sua aparência ou embelezamento físico.

Para o corpólatra, sua imagem refletida no espelho se torna obsedante, incapaz de satisfazer-se com ela, sempre acha que pode e deve aperfeiçoá-la. Sendo assim, a corpolatria se manifesta como exagero no recurso às cirurgias plásticas, gastos excessivos com roupas e Marcas, tratamentos estéticos, abuso do fisiculturismo (musculação), uso de Anabolizantes, etc.

A sociedade pós-moderna é seduzida pela mídia com propostas de mercado, interessado na constante insatisfação e na renovação

Na cultura ocidental há um grande investimento na auto-imagem. O corpo “belo” é considerado uma mercadoria poderosa, cara. O olhar passa a ocupar lugar central – é o mundo das imagens, das aparências. O ter passa a ser sinônimo de reconhecimento do sujeito pelos outros. O sujeito perde-se em sua própria imagem, não dando conta das suas relações com o outro, pois amar implica em sacrificar um fragmento de seu narcisismo, enquanto ser amado implica em ser visto e apreciado.

As condições de vida transformam também as instituições, a escola, a religião, a política, sobretudo a família e estas, por sua vez, modelam a estrutura do sujeito, favorecendo o afloramento de traços narcisistas, presentes em muitos de nós. Todavia, é indispensável compreender que o processo se dá em via de mão dupla, pois contribuições individuais terão, por sua vez, o efeito de realimentar o que Lasch denominou cultura do narcisismo.

Em cada época, sem se dar conta, o homem é tragado pelo social e produz sintomas determinados por essa cultura.

Visto que em nossa sociedade a corpolatria encontra-se em evidência, nesse espaço – o corpo – é onde os sintomas afloram.

Na era atual, cujas idéias são pautadas por exigências da sociedade de consumo, que promove a ilusão da liberdade individual irrestrita, o mal-estar assume muitas vezes formas de apatia, vazio interior, solidão e fracasso. "Para esses deprimidos, existe o “eu” ideal e o “eu” real, que se encontram muito distantes um do outro.

Cristopher Lasch, conhecido historiador americano, anunciou a substituição das neuroses sintomáticas por desordens de caráter, caracterizadas pelo narcisismo patológico relacionadas por ele á mudanças específicas na sociedade. Diz o autor que a alteração do sentido do tempo, intenso temor ao envelhecimento e à morte, fascínio pela celebridade, deterioração das relações entre os homens, declínio do espírito lúdico, negação feroz da dependência ao outro, são alguns dos padrões característicos da cultura contemporânea, fortemente narcísica.

As patologias narcisistas: neo-sexualidades, drogadição, enclaves autísticos, bulimia, anorexia, doenças psicossomáticas, etc, revelam a tentativa de preencher o vazio que cada vez mais se aprofunda quando faltam experiências reais, genuínas e autênticas suficientes para encurtar a distância que separa os dois ‘eus’ (ideal e real).

No entanto, há de se ter o cuidado em não se postular esses quadros patológicos como apanágio exclusivo da pós-modernidade. Há relatos anteriores ao advento da modernidade sobre eles, porém, hoje é reconhecida sua maior freqüência

Temos observado mudança significativa no perfil clínico dos nossos pacientes, com aumentos relevantes de casos de depressão, síndrome do pânico, fobia social, Transtorno Obsessivo-compulsivo, Obesidade, Vigorexia ou Overtraining, também chamado romanticamente por Síndrome de Adônis, etc, sendo esta última, a Vigorexia, uma das mais recentes patologias emocionais estimuladas pela cultura, não tendo sido, ainda, catalogada como doença específica pelos manuais de classificação (CID.10 e DSM.IV).

O que há de comum entre essas patologias é a expressão no corpo. Corpo que se traduz ora pelo excesso de ações, caracterizado pela voracidade e pelos comportamentos compulsivos, ora pela ausência de ações, impedido de agir pela angústia (pânico), ou prostração e desânimo (depressões).



Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

Psicóloga Clínica

7 de out. de 2012

Extrovertido ou Introvertido?



Conhecido como um dos maiores psicólogos do século XX e um dos que mais estudou a personalidade humana, Carl Gustav Jung, distinguiu duas formas de atitudes/disposição das pessoas em relação a convivência entre pessoas: aquelas que preferem focar a sua atenção no mundo externo, nos fatos e nas pessoas, e aquelas voltadas para o mundo interno de representações e impressões psíquicas. Cada um desses tipos de disposição representa a preferência natural do indivíduo no seu modo de se relacionar com o mundo. Assim, ambos os tipos introvertidos e extrovertido revelam que as pessoas diante dos eventos da vida podem apresentar duas condições: “uma tendência à reflexão (introvertido); e outra a de mobilização ou ação (extrovertido).”
Grosso modo, pessoas extrovertidas, são mais animadas, mais barulhentas e comunicativas, enquanto as introvertidas são mais retraídas, mais discretas e pensativas. É lógico que entre esses dois extremos existem gradações e nosso lugar nesse contínuo determina como fazemos nossas escolhas, como nos relacionamos, a forma como resolvemos nossas diferenças, como enfrentamos nossos conflitos, como demonstramos nossos afetos.
Na prática os extrovertidos são pessoas que se sentem bem na convivência com muitas pessoas, enquanto os introvertidos, não parecem ter necessidade de conviver com muitas pessoas, evitando, até mesmo, ou algumas vezes, estabelecer contatos. Não são necessariamente tímidos, pois tem a habilidade de conversar e auto-estima necessária para interagir com as outras pessoas, porém optam por ficarem mais sós.
Na verdade temos um pouco de cada uma dessas características com predomínio de uma delas. Não há como sermos todos extrovertido ou todos introvertidos o tempo todo, nem considerar que um tipo seja melhor que outro, ambos têm suas vantagens e desvantagens.
Outrossim, vale dizer que uma personalidade sã é flexível e pode adaptar-se ao contexto, num equilíbrio que permite ao sujeito responder aos estímulos externos sem conflitos.
É importante dizer que essas duas características por si só não define ninguém, muitas outras se somam a elas para se definir uma personalidade.  
Atualmente, introversão e extroversão são dois dos aspectos mais pesquisados na psicologia da personalidade, despertando a curiosidade de centenas de cientistas.
Vivemos numa sociedade que valoriza as pessoas populares, alegres, comunicativas, esfuziantes, os palradores e, despreza os que coram, gaguejam, suam nas mãos. Refiro-me, aqueles que, de algum modo tentam influenciar ou até mesmo condicionar condutas (como, por exemplo, a mídia), que incentiva às massas a interagirem o tempo todo, como sendo o único comportamento socialmente desejável.
A Introspecção e a quietude têm sido combatidas desde a infância. Muitos chegam a associá-las ao fracasso. Desse modo, o mercado de trabalho, tende a exigir de seus funcionários um ideal de extroversão, ou seja, é preciso ser falante, expansivo, alegre para ser considerado um bom candidato em seleções de Rh. Os "quietos", muitas vezes, são malvistos. Na verdade, as empresas devem ter seus perfis, de acordo com os cargos e funções desejados, não necessariamente extrovertido. O importante é ser original, é ser o que se é, e não forçar para se adequar ao perfil desejado e depois não conseguir manter-se nele. Essa forma forçada de enquadramento não é boa, nem para a empresa que contrata, nem para o candidato que pleiteia a vaga.
Os introvertidos não têm a exuberância social e os níveis de atividade dos extrovertidos. Eles tendem a parecer calmos, ponderados e menos envolvidos com o mundo social. No entanto, a sua falta de envolvimento social não deve ser interpretada como timidez ou depressão. Os introvertidos simplesmente necessitam de menos estimulação e de mais tempo sozinhos do que os extrovertidos. Eles podem ser bastante ativos e enérgicos, mas não socialmente. Porém, podem, não necessariamente, estar propensos a evitar contatos, tornarem tímidos ou isolados e a perder oportunidades.
No entanto, isso nem sempre corresponde à realidade se pensarmos em personalidades do tipo Barack Obama, Steven Spielberg, Bill Gates, para os quais não parece ter sido empecilho, o fato de serem personalidades introvertidas.

            Profa. Dra Edna Paciência Vietta
                            Psicóloga Clínica

22 de set. de 2012

Raiva e agressão humana


                                                 

A raiva é uma emoção forte carregada de energia, que se direcionada assertivamente, pode proporcionar a liberação de sentimentos negativos ocasionando sua transformação, restaurando a integridade emocional, físico e social da pessoa.
Apesar de a raiva ser inerente nos seres humanos, a sociedade discrimina este tipo de emoção e não aceita de bom grado suas manifestações, seja no âmbito social ou familiar. Conseqüentemente, ao contrário dos animais que simplesmente a expõem, o indivíduo reprime este sentimento, não se permitindo senti-lo na mente e na expressão emocional.
Segundo o Manual do STAXI, adaptado para o Brasil (Spielberger & Biaggio, 1992), “raiva é um estado emocional que abrange sentimentos que variam desde aborrecimento leve até fúria e cólera intensas, acompanhado por estimulação do sistema nervoso autônomo”.
A raiva é um sentimento que varia em intensidade e oscila com o passar do tempo, em função do que é percebido como injustiça ou frustração. Está, portanto, atrelada às diferenças individuais acerca de como este estado varia no decorrer do tempo. Pessoas com altos escores na escala traço de Raiva, tendem a perceber uma maior variedade de situações como irritantes ou provocadoras, em relação às que têm índices mais baixos, e estariam propensas a elevações no estado de raiva ao reagirem às mesmas situações (Spielberger & Biaggio, 1992).
O conceito de agressão seria usado quando se faz referência a comportamentos destrutivos e punitivos. Assim, poder-se-ia entender que a raiva é uma condição necessária, mas não suficiente, para o desenvolvimento de posturas hostis e para a manifestação de comportamento agressivo
Segundo Setor, os mecanismos da agressão são instintivos, na medida em que se faz necessário à preservação da vida e da espécie, bem como ao desenvolvimento amplo do indivíduo.
Para Winnicott, a agressão pode ter dois significados: reação à frustração ou fonte de energia do indivíduo.
Assim, raiva e agressividade aparecem quando nos sentimos ameaçados. São emoções que tem suas origens na evolução das espécies. Acompanham reações e comportamentos de defesa e auto-proteção, colaborando assim para a sobrevivência.
Quase sempre reprimida, a raiva é um sentimento legítimo e precisa ser expresso de maneira honesta, se quisermos preservar nossa saúde física e mental.
O problema é quando a raiva e a agressividade se tornam formas usuais de reagir a situações onde as coisas não acontecem conforme gostaríamos, quando sentimos frustração, quando cometemos erros, somos criticados, nos sentimos injustiçados ou, ainda, quando desconhecemos alternativas legítimas de defesas.
A agressividade em si não é um transtorno, mas um impulso, uma maneira pela qual canalizamos nossa energia vital para uma ação que exige firmeza e vigor, com o propósito de conquistar algo que necessitamos ou para nos defender de perigos.
A raiva e a agressividade podem ser externalizadas e dirigidas a outras pessoas (como agressões verbais ou físicas), internalizada (quando se reprimem estes sentimentos, que são remoídos em pensamentos e ressentimentos), ou quando expressos de formas “passivas” (como sarcasmo e humilhação, manipulação, sabotagem, etc.).
O excesso de agressividade com impulsividade pode ser doença quando foge ao controle, tornando-se destrutiva, causando problemas nas relações pessoais, profissionais e na qualidade de vida do indivíduo. Nesse caso, a agressividade é considerada impulsiva sendo conhecida como Transtorno Explosivo Intermitente, caracterizada pela instabilidade afetiva (descontrole das emoções), gerando comportamentos de risco, principalmente com manifestações de violência.
Dependendo de alguns fatores, tais como temperamento, caráter, influência de valores do meio e da cultura em que está inserida, a pessoa pode tornar-se incapaz de controlar essa energia e passar a usar de violência, que é uma ação agressiva dirigida à destruição, geralmente em condições de desigualdade e desrespeito, de maneira incoerente e desproporcional. Nesse caso, tornam-se indivíduos desadaptados, incapazes de se adequar a qualquer grupo, pelo egoísmo absoluto e a não sujeição a qualquer tipo de regra. Só fazem o que querem e o que interessa a eles. No início, podem até se mostrarem amistosos, mas diante dos primeiros conflitos, a sua amoralidade aparece em todo o seu potencial, tornam-se frios, cruéis, indiferentes, impiedosos.  Isso nada tem haver com auto-proteção, muito menos com transtorno mental, não devendo, portanto, ser confundido como tal.

                         Profa, Dra. Edna Paciência Vietta
                                        Psicóloga Clínica  

19 de set. de 2012

Luto e Melancolia




                                                    



             É notório que a consciência da finitude é um fato perturbador para o ser humano, mas é parte de sua condição humana, ou seja, é peremptório, não há como fugir. A perda de um ente querido é dor profunda porque dói na alma do ser. Freud não deixou de trazer luz ao tema, ao escrever sobre Luto e Melancolia.
Em Luto e melancolia, Freud compara a experiência do luto ao que em sua época era chamada de “melancolia” e hoje é identificado como “depressão”. No luto, a perda de um ente querido faz com que sintamos um “vazio” temporário em nossos afetos. Ao longo tempo, recuperamos a capacidade de redirecionar nossos afetos. No estado melancólico, a experiência da perda tem a mesma dimensão, mas não se sabe o que se “perdeu” e nem o porquê, ou seja, o processo de perda é inconsciente.
Nesta obra Freud mostra os efeitos da perda de um objeto sobre o Ego. Não ficamos de luto somente quando morre alguém importante para nós. Ficamos de luto quando perdemos ou nos separamos de algo que nos é significativo, alguma coisa (pessoas, animais, objetos, situações, sonhos, emprego, etc.) que nos são caros. Freud diferencia o luto da melancolia ressaltando o aspecto natural e compreensivo do primeiro e a inconformidade do segundo onde o sujeito sofre a perda, mas não sabe exatamente o motivo (o objeto talvez não tenha morrido, mas tenha sido perdido enquanto objeto de amor).
Além dos sintomas presentes no luto (traços de desanimo profundo, perda de interesse pelo mundo externo, perda da capacidade de amar e inibição de atividades). Na melancolia os sintomas são os mesmo, porém acrescido da perturbação na auto-estima e de um empobrecimento do Ego, que no luto se encontra ausente. Ainda, na melancolia, a perda do objeto se mostra mais grave e muito mais ameaçadora para o Eu. Assim, a diferença entre ambas é marcada pelo fato de que, no caso da melancolia, a dependência do homem em relação ao objeto perdido se dá de forma incompreensível tornando-se patológica. Embora o luto também seja muitas vezes incompreendido pelo enlutado, se constitui condição normal não necessitando de tratamento psicológico na medida em que é superado ou elaborado num período de tempo determinado, enquanto na melancolia o tratamento se faz necessário. Por ser o luto circunstância superável, ao longo do tempo, Freud julgava ser inútil ou até mesmo prejudicial qualquer interferência em relação a ele.
Se no luto o mundo torna-se vazio e insignificante, na melancolia o próprio Eu torna-se insignificante. Quando esta insignificância atinge o doente com um poder de autocrítica que o faz descrever a si mesmo como “mesquinho, egoísta, pouco sincero, sem autonomia, que sempre se empenhou em esconder as fraquezas de seu ser, ele pode, ao que sabemos estar bastante próximo do autoconhecimento [...]”.(Freud, p. 106).
Para Freud o desinteresse pelo mundo externo em ambos os casos é causado pelo fato de que o indivíduo não invoca mais o objeto perdido, pela perda da capacidade de adotar um novo objeto de amor para substituir o que foi perdido e pelo afastamento de atividades que não estejam ligadas a pensamentos sobre esse objeto
A melancolia tem natureza patológica e fraciona-se em diversas formas clínicas, inclusive no que se refere à mania, que seria seu polo oposto, de onde a bipolaridade, isto é, a oscilação entre a depressão e a euforia. Em resumo, enquanto, no luto a perda é consciente; na melancolia, a perda se processa no inconsciente.
Portanto, o luto profundo e a melancolia têm em comum a dor, entretanto, deveríamos ressaltar que, se para o enlutado a dor passa, ao contrário do luto, na melancolia a dor torna-se crônica.
É comum, também, na melancolia o aparecimento de sintomas físicos pela identificação com o sofrimento do objeto perdido. Por esse mesmo motivo e pelo sentimento de ambivalência entre amor e ódio do objeto perdido o melancólico pode ser levado ao suicídio. Daí a importância do tratamento psicológico e medicamentoso.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
Psicóloga Clínica

           Psicoterapia e seus benefícios

                                             

Os últimos avanços na área da Psicologia e Psicoterapia têm permitido alcançar resultados cada vez melhores e mais significativos. Apesar de ser considerado um tratamento oneroso, a psicoterapia tem se mostrado, na realidade, um procedimento econômico. Pesquisas indicam que a aplicação efetiva da psicoterapia diminui os índices de transtornos mentais, internações hospitalares, idas aos prontos socorros, a auto-medicação e seus malefícios, e consumo indevido de psicotrópicos, outros medicamentos, etc.
Além dos benefícios que traz para a saúde psicológica da pessoa, a psicoterapia melhora a qualidade de vida, favorece a aquisição de autonomia, aumento de auto-estima, dando uma nova orientação em relação à vida das pessoas. A psicoterapia tem se mostrado um tratamento economicamente compensador, por prevenir e tratar problemas psicológicos que, quando não tratados adequadamente, trazem enormes prejuízos pessoais, conjugais, sociais e profissionais, com repercussão na situação econômica e afetiva das pessoas (perdas financeiras, compulsões, divórcios, separação, perda de emprego ou de oportunidade de ascensão no trabalho, etc.).
Em nossa atividade profissional, temos observado que a maioria das pessoas que tem comparecido à clínica, em busca de ajuda psicológica, o faz por vontade própria, outros vêm por insistência ou pressão da família. Os que comparecem por esta última via, geralmente, apresentam maior dificuldade em aderirem ao tratamento, neste caso demoram um pouco mais a se engajarem no processo. É importante dizer que a psicoterapia só funciona a partir do momento em que o cliente desejar ser ajudado e aceitar o tratamento, ou seja, sem engajamento não há terapia. A experiência tem mostrado que as pessoas que procuram ajuda espontaneamente respondem melhor ao tratamento e têm melhor aproveitamento que aquelas que se submeteram às decisões de terceiros. Os que tomaram iniciativa própria, geralmente se deram conta de que algo diferente estava acontecendo com elas, sentiram necessidade de buscarem ajuda e obtiveram grande alívio ao poderem expressar seus sentimentos de forma adequada. Alguns destes sentimentos foram manifestos através da verbalização de insatisfação como forma da pessoa reagir a certos acontecimentos, frustrações com sua situação familiar, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, falta de iniciativa ou disposição para realizar atividades cotidianas, posturas habitualmente pessimistas, oscilação de humor, medos irracionais, pânico, timidez, ansiedade, depressão, ciúme, desânimo, entre outros. Ainda, como motivos desta procura foram indicados: a percepção de que o padrão de comportamento utilizado por essas pessoas não lhes proporcionava vida estável e equilibrada, que o jeito habitual de ser, lhes causava problemas e prejuízos consideráveis na vida pessoal, social e profissional, sendo, muitas vezes, impeditivos para o estabelecimento de relacionamentos satisfatórios.
Temos presenciado pessoas que procuram ajuda psicológica por, de repente, se deram conta de que os problemas foram se acumulando ao longo da vida e soluções foram sendo postergadas às expensas do estresse causado, culminando em agravamento de conflitos pessoais, conjugais e profissionais. Algumas pessoas ficaram surpresas em terem permitido que seu estado emocional pudesse chegar a tal nível. Tais pessoas se questionaram como puderam negligenciar sua saúde mental e conviverem com tantos problemas, suportando tantos sofrimentos. Mais surpresas ficaram quando descobriram as conseqüências negativas, que poderiam ter evitado (algumas delas irreversíveis), caso tivessem buscado ajuda apropriada, no momento adequado. As pessoas se mostraram arrependidas por não terem tomado iniciativa antes, tomando consciência do preço que tiveram que pagar por permanecerem em conflitos consigo e com os outros, sobretudo, com os mais próximos e significativos (filhos, pais, cônjuges, etc.). Admitiram o quanto viveram infelizes, derrotadas, amargas, mal-humoradas, quando poderiam ter desfrutado melhor as oportunidades da vida. Pessoas que já poderiam ter alcançado sucesso em sua vida conjugal, familiar, profissional, encontram-se hoje, sem rumo, desorientadas frustradas, sem perspectivas futuras por falta de autoconhecimento e auto-estima. Quantas delas insistem em resolver os problemas por si próprias, sem obterem resultados desejados, se acomodando a eles por medo, orgulho, preconceito, teimosia, ou mesmo, por ignorarem os recursos psicológicos disponíveis. Ainda, assim, muitas resistem recorrerem a esta alternativa, mesmo sabendo ser esta, o recurso efetivo para instrumentá-las a lidarem adequadamente com seus conflitos.

Profa. Dra Edna Paciência Vietta
Psicóloga Clínica
    

Psicoterapia e seus benefícios



Os últimos avanços na área da Psicologia e Psicoterapia têm permitido alcançar resultados cada vez melhores e mais significativos. Apesar de ser considerado um tratamento oneroso, a psicoterapia tem se mostrado, na realidade, um procedimento econômico. Pesquisas indicam que a aplicação efetiva da psicoterapia diminui os índices de transtornos mentais, internações hospitalares, idas aos prontos socorros, a auto-medicação e seus malefícios, e consumo indevido de psicotrópicos, outros medicamentos, etc.
Além dos benefícios que traz para a saúde psicológica da pessoa, a psicoterapia melhora a qualidade de vida, favorece a aquisição de autonomia, aumento de auto-estima, dando uma nova orientação em relação à vida das pessoas. A psicoterapia tem se mostrado um tratamento economicamente compensador, por prevenir e tratar problemas psicológicos que, quando não tratados adequadamente, trazem enormes prejuízos pessoais, conjugais, sociais e profissionais, com repercussão na situação econômica e afetiva das pessoas (perdas financeiras, compulsões, divórcios, separação, perda de emprego ou de oportunidade de ascensão no trabalho, etc.).
Em nossa atividade profissional, temos observado que a maioria das pessoas que tem comparecido à clínica, em busca de ajuda psicológica, o faz por vontade própria, outros vêm por insistência ou pressão da família. Os que comparecem por esta última via, geralmente, apresentam maior dificuldade em aderirem ao tratamento, neste caso demoram um pouco mais a se engajarem no processo. É importante dizer que a psicoterapia só funciona a partir do momento em que o cliente desejar ser ajudado e aceitar o tratamento, ou seja, sem engajamento não há terapia. A experiência tem mostrado que as pessoas que procuram ajuda espontaneamente respondem melhor ao tratamento e têm melhor aproveitamento que aquelas que se submeteram às decisões de terceiros. Os que tomaram iniciativa própria, geralmente se deram conta de que algo diferente estava acontecendo com elas, sentiram necessidade de buscarem ajuda e obtiveram grande alívio ao poderem expressar seus sentimentos de forma adequada. Alguns destes sentimentos foram manifestos através da verbalização de insatisfação como forma da pessoa reagir a certos acontecimentos, frustrações com sua situação familiar, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, falta de iniciativa ou disposição para realizar atividades cotidianas, posturas habitualmente pessimistas, oscilação de humor, medos irracionais, pânico, timidez, ansiedade, depressão, ciúme, desânimo, entre outros. Ainda, como motivos desta procura foram indicados: a percepção de que o padrão de comportamento utilizado por essas pessoas não lhes proporcionava vida estável e equilibrada, que o jeito habitual de ser, lhes causava problemas e prejuízos consideráveis na vida pessoal, social e profissional, sendo, muitas vezes, impeditivos para o estabelecimento de relacionamentos satisfatórios.
Temos presenciado pessoas que procuram ajuda psicológica por, de repente, se deram conta de que os problemas foram se acumulando ao longo da vida e soluções foram sendo postergadas às expensas do estresse causado, culminando em agravamento de conflitos pessoais, conjugais e profissionais. Algumas pessoas ficaram surpresas em terem permitido que seu estado emocional pudesse chegar a tal nível. Tais pessoas se questionaram como puderam negligenciar sua saúde mental e conviverem com tantos problemas, suportando tantos sofrimentos. Mais surpresas ficaram quando descobriram as conseqüências negativas, que poderiam ter evitado (algumas delas irreversíveis), caso tivessem buscado ajuda apropriada, no momento adequado. As pessoas se mostraram arrependidas por não terem tomado iniciativa antes, tomando consciência do preço que tiveram que pagar por permanecerem em conflitos consigo e com os outros, sobretudo, com os mais próximos e significativos (filhos, pais, cônjuges, etc.). Admitiram o quanto viveram infelizes, derrotadas, amargas, mal-humoradas, quando poderiam ter desfrutado melhor as oportunidades da vida. Pessoas que já poderiam ter alcançado sucesso em sua vida conjugal, familiar, profissional, encontram-se hoje, sem rumo, desorientadas frustradas, sem perspectivas futuras por falta de autoconhecimento e auto-estima. Quantas delas insistem em resolver os problemas por si próprias, sem obterem resultados desejados, se acomodando a eles por medo, orgulho, preconceito, teimosia, ou mesmo, por ignorarem os recursos psicológicos disponíveis. Ainda, assim, muitas resistem recorrerem a esta alternativa, mesmo sabendo ser esta, o recurso efetivo para instrumentá-las a lidarem adequadamente com seus conflitos.

Auto-estima: sucessos e fracassos

A auto-estima é um sentimento essencial à sobrevivência psicológica, no entanto, as exigências do mundo moderno parecem estar tornando tal conquista uma tarefa penosa e difícil de ser atingida. Haja vista suas implicações freqüentemente detectadas nas queixas dos clientes tanto jovens, como adultos e idosos que procuram ajuda psicológica, entre elas: a timidez, a insegurança, a depressão, a dependência afetiva, o ciúme excessivo, etc.
A crise de valores parece ser outra conseqüência desta presença constante, um dos sintomas emocionais freqüentes. Muitos sentimentos de inferioridade podem ser influenciados por valores distorcidos pela mídia, por publicidades apelativas, por apelos ao consumismo, pelo culto ao corpo, por ideologias consumistas.
O mundo moderno supervaloriza o novo, o belo, o perfeito, o forte, os mais jovens, a performance sexual, as proezas atléticas, o poder, as posses materiais, mas não valoriza da mesma forma, o amor, a simpatia, o caráter, a amizade, a alegria, a paz, a fé, a tolerância, a fidelidade, a compreensão, as tradições, a disciplina, os valores morais. Quando falamos de auto-estima estamos referindo-nos ao grau de aceitação de nós mesmos, do grau de estima que adotamos frente ao conceito que fazemos de nós. Nossos sentimentos afetam nossa auto-estima de maneira positiva ou negativa. O sentimento de auto-estima é a percepção valorativa de nosso ser, da importância que temos para as pessoas que nos rodeiam, e desta, depende toda nossa realização pessoal e profissional. É a partir dela que tomamos decisões, fazemos escolhas e nos relacionamos e interagimos com o meio familiar, profissional e social.
Da auto-estima depende nossos sucessos e fracassos, uma vez que vinculada a um conceito positivo de nós mesmos, pode potencializar nossas capacidades e talentos, desenvolver habilidades, aumentar nosso grau de segurança pessoal e nos levar a postura otimista frente a novas conquistas. Isto implica no sentimento de estarmos de bem com a vida, de sermos aceitos e amados pelo que somos. Por outro lado, também é certo que auto-estima em excesso pode se constituir num transtorno para o relacionamento quando a pessoa se torna convencida, arrogante, egoísta, podendo, muitas vezes, ser confundida com a personalidade narcísica.
Estudos recentes, realizados por pesquisadores da Califórnia, afirmam que auto-estima muito elevada pode levar à frustração e até mesmo à delinqüência. Segundo os pesquisadores, a pessoa que não sabe dosar sua auto-estima traz danos a si própria e à sociedade, pois esta atitude pode extrapolar os níveis saudáveis da competitividade e exacerbar a agressividade e a intolerância. O ideal é a ponderação entre os extremos.
A auto-estima negativa faz com que a pessoa não confie em si própria, nem em suas possibilidades, se desvalorizando e se sentindo inferior às outras pessoas. A pessoa com baixa auto-estima está sempre com a sensação de desvantagem, incapacidade, sentimento de que nunca chegará a ter o mesmo rendimento que os outros e acaba se convencendo disso. A autocrítica dura e excessiva, imposta pela baixa auto-estima, imprime estados de insatisfação da pessoa consigo própria, indecisão crônica, medo exagerado do insucesso, e de equivocar-se, ser criticado, humilhado, rejeitado, etc. Esta condição faz com que o indivíduo se retraia e desista de seus intentos.
O autoconceito e a auto-estima, em dose adequada, favorecem o sentido de identidade, constitui marco de referência, já que interpretar a realidade externa e às próprias experiências, influem no rendimento, condiciona as expectativas e a motivação, contribuindo de forma efetiva para o controle emocional e conseqüentemente para o equilíbrio psíquico.
O autoconhecimento é o caminho para auto-realização e o processo que leva à auto-estima. À medida que a pessoa identifica e aceita suas qualidades e defeitos, estará aberta para o conhecimento e reconhecimento de seus sentimentos, desejos e vontades, estará dando um grande passo para o autoconhecimento. Em geral, experiências positivas, e bons relacionamentos ajudam a aumentar a auto-estima, enquanto experiências e relações problemáticas a diminuem.
Seja uma pessoa bem sucedida cuidando de sua saúde emocional.




Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
Psicóloga/Psicoterapeuta