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3 de ago. de 2012




Perfeccionismo: virtude ou defeito 

Realizar atividades laborais com dedicação, responsabilidade e correção dentro dos padrões desejados é dever de todos. Fazer o que há de melhor dentro das condições e possibilidades é responsabilidade social de cada um. Se empenhar para obter melhores resultados e contribuir para a melhoria da qualidade do que se faz é ético, moral e saudável. É natural buscar-se a satisfação e o reconhecimento que uma tarefa bem-feita proporciona. Estabelecer critérios pessoais de qualidade e trabalhar firme para atingi-lo é fator indispensável para a sobrevivência no competitivo mercado de trabalho de hoje. Perder o controle nessa procura tornando o que é desejável em atitude perfeccionista a ponto de se tornar escravo de suas próprias exigências, transformando-se num eterno insatisfeito com resultados, já é sintoma de doença.
É lógico que sem o cuidado insistente com a qualidade, as coisas não saem bem feitas, de acordo com o padrão de quem é criterioso e exigente com o que faz. Perfeccionistas geralmente são pessoas responsáveis, entusiastas, competentes e comprometidas. São capazes de assumir várias atividades ao mesmo tempo, sem prejuízo da qualidade. Esse é o pólo positivo e que realmente faz a diferença nas conquistas e no mercado de trabalho. O problema está no equilíbrio vital do comportamento perfeccionista, pois quando o limite de suas energias é ultrapassado aparecem prejuízos significativos para a sua saúde física e mental. Portanto, o problema não está propriamente em possuir essas características que são reconhecidamente ingredientes importantes para o sucesso profissional, mas em dar-lhes contornos excessivos que, não raro, adquirem conotações patológicas, transformando-se em verdadeiros empecilhos à conclusão de qualquer atividade ou projeto.  Apesar de serem ingredientes importantes do sucesso profissional, quando em excesso o detalhismo e o perfeccionismo tendem a se transformar em empecilho ou obstáculos ao bom desempenho laboral.
Diante de um mundo tão exigente, as pessoas de um modo geral, têm exigido o máximo de si mesmo. O perfeccionismo, freqüentemente, é visto em nossa sociedade como desejável ou mesmo necessário para o sucesso. Porém, quando não adequadamente controlado pode ser indicativo de uma personalidade rígida, inflexível, intransigente, intolerante, extremamente ambiciosa, ou até mesmo obsessiva. Por conta de serem detalhistas, perdem muito tempo, desgastando-se mais que os outros, na realização de uma mesma tarefa, sentindo-se com freqüência frustradas.
Diante da busca pelo sucesso, desenvolvem uma característica de auto-exigência, muitas vezes, cruel, uma espécie de tirania dos deveres. Nesta tirania, refazem tanto seu trabalho que acaba perdendo em originalidade.
O perfeccionismo manifesta-se como um jogo de pensamentos e de comportamentos circulares, com desafios e exigências cada vez maiores, visando alcançar objetivos muitas vezes, irrealistas e/ou excessivamente elevados. Isto pode levar a resultados de auto-derrota, à frustração e impotência, quando o custo/benefício entre energias gastas e tempo despendido em determinada tarefa não for compensatório. Padrões de exigência irrealísticos são, por definição, impossíveis de serem alcançados.
O perfeccionismo pode transformar em empecilho e atrapalhar o sucesso das pessoas quando relacionado a sentimentos como: baixa auto-estima, medo de rejeição, intolerância a critica, necessidade de aprovação, carência afetiva, medo do fracasso, auto-depreciação, ansiedade, O perfeccionista pode adotar posição radical, tudo ou nada, 8 ou 80, onde não cabe meio-termo. Este tipo de comportamento pode acarretar conflitos pessoais, conjugais, familiares e profissionais, sobretudo, pela dificuldade de convivência com os demais, pois passa a exigir o mesmo comportamento das pessoas, não aceitando as coisas de outra maneira que não a sua.  Além disso, pesquisadores da atualidade buscam compreender os elementos constituintes do perfeccionismo e sua possível relação com patologias como Distúrbios Alimentares, Depressão, Transtorno de Ansiedade, Comportamentos Obsessivo-compulsivos e até Comportamentos Suicidas.
Seu perfeccionismo está sob controle? Você coloca a maioria de suas metas tão absurdamente altas para você mesmo que torna os fracassos inevitáveis? Seu perfeccionismo lhe acarreta conflitos emocionais interferindo em sua saúde física e emocional? O indivíduo com personalidade perfeccionista pode mudar sua conduta, porém, para isso é preciso se engajar num processo de autoconhecimento e admitir que necessite de ajuda.

    Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
              Psicóloga Clínica

2 de ago. de 2012






Estresse: o fantasma do mundo moderno.


O ser humano sempre teve que assegurar sua própria sobrevivência, lutando ou fugindo dos perigos iminentes. Na vida moderna nossa sobrevivência continua sendo uma luta diária. O mundo muda ao longo dos séculos, embora semelhantes, as causas do estresse continuam as mesmas, persistindo como condição de enfrentamento intrínseco e natural da humanidade. O bombardeio de informações, a violência urbana, as drogas, as desigualdades sociais, as doenças, os conflitos, as guerras, tudo leva ao universo do estresse. Até bem pouco tempo a humanidade vivia sem o recurso do fax, do telefone celular, do computador, da internet. De repente, o homem se dá conta das transformações ocorridas e se surpreende a cada dia, tendo que se adaptar às novas condições de vida. Há uma maior exigência interna e externa para a adaptação do ser humano às condições da vida atual.




A necessidade de conseguir mais dinheiro, atingir níveis de conforto e status social elevado, conquistar e manter-se num bom emprego, prover a família com bens materiais estimulado pela mídia, competir por melhores oportunidades profissionais, viver a maior parte do dia no trabalho e longe da família, alimentar-se de forma irregular e desequilibrada, são apenas alguns fatores que, certamente, colaboram para o estresse no mundo contemporâneo.




A evolução tecnológica e científica mudou também o estilo de vida do homem moderno, impondo-lhe novas atitudes e comportamentos. Difícil é saber até que ponto e, em que sentido esta evolução contribuiu para melhorar ou piorar a qualidade de vida do homem na terra, embora se cogite que, dificuldades ou aspectos negativos possam ocorrer por conta da forma como o homem se utiliza destas conquistas. De outra perspectiva, sem nenhum pessimismo, numa visão crítica, sabe-se que o crescimento econômico, alicerçado no consumismo e na competição desenfreada gerou muitas frustrações, fracassos, mal-estar social, vazio existencial, enquanto o sofrimento humano gerou na pós-modernidade novas formas de patologias psíquicas de âmbito mundial; Anorexia Nervosa, Bulimia, Fobias, Pânico, Alzheimer, só para citar algumas. A compulsão por comprar, tornou-se uma forma de completude entre a ameaça do esvaziamento interior, a falta de sentido de vida, a angústia, a depressão, enquanto a competição gerou insegurança, medos, fobias, dependências, alcoolismo.




A sobrecarga de agentes estressores pode ser considerada importante fator para o mal-estar da civilização moderna. Essa sobrecarga é um estado no qual as exigências do ambiente excedem às nossas capacidades de adaptação. Acresce-se ainda, a urgência de tempo para execução de tarefas, responsabilidades e preocupações excessivas além dos problemas do dia-a-dia, também assoberbados pela vida moderna. Estes últimos, relacionados à falta de segurança e estabilidade, com repercussão nas relações familiares, educação dos filhos (preocupação com violência e drogas) e a falta de descanso e lazer. A falta de estímulo, o sentimento de inutilidade, a falta de sentido de vida, a solidão, o isolamento, a rotina, também podem resultar em estresse.


O estresse não se manifesta com a mesma intensidade para todas as pessoas, ele se instala com manifestações que podem variar de leves, moderadas ou intensas, dependendo do tipo, intensidade, freqüência da exposição ao fator estressante e das diferenças individuais. Para que um evento se torne estressante é necessário que o mesmo, seja percebido como tal. Assim, o modo de ser de uma pessoa, seu estilo de vida, suas crenças e valores, seus hábitos, sua personalidade, interferem na eclosão e intensidade do estresse. Dependendo da intensidade, o estresse pode causar grande sofrimento e provocar desgaste físico e mental, deterioração e envelhecimento precoce, interferir na imunidade do organismo, predispondo-o a doenças ou agravando condições de enfermidades já instaladas.


Perturbações psicossomáticas, desencadeadas nestas condições como, enxaqueca, fibromialgia, hipertensão essencial, úlcera duodenal, obesidade, artrite reumatóide, doença coronariana, e outros sintomas como: diarréia, taquicardia, falta de ar, cansaço, insônia, dificuldades de concentração, dificuldades sexuais, podem ser consideradas como produtos deste fantasma do mundo moderno, quando avaliações médicas criteriosas e exames clínicos, não forem suficientes para determinar sua etiologia.






Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                         Psicóloga Clínica

10 de jun. de 2012



DOR É UMA SÓ: É A DOR  



Segundo Breton (1995), a dor, como as doenças, não são apenas manifestações universais de processos orgânicos, mas construções simbólicas que variam conforme os contextos socioculturais e a própria subjetividade do doente.
Pela vertente psicológica, a concepção de dor pode ser enfaticamente concebida como uma experiência perceptiva, sensível, cuja qualidade e intensidade são influenciadas pela singularidade, história de vida e significado atribuído pelo indivíduo à situação produtora de dor, das condições físicas e emocionais e pelo seu estado de espírito do momento.
 A Psicologia não diferencia a dor, a não ser por sua causalidade; dor é dor. Parafraseando o poeta Fernando Pessoa, como negar que é dor “a dor que deveras sente?” pela perda, culpa, remorso, traição, injustiça, ingratidão?
Pensada ontologicamente, a dor pode ser definida como a conscientização da certeza da transitoriedade da existência, o medo da eminência de perda de controle sobre a vida, o sinal de fragilidade e impotência humana, diante da certeza da finitude. A dor coloca o homem em conflito com a possibilidade do não-ser.
A dor moral não se aloja em nenhum órgão, não deixa vestígios tissulares, não é palpável, não inflama, mas existe, é pungente, é sentida, quebranta a alma, arrasa, dificulta nossa faculdade de raciocinar sobre coisas tangíveis e intangíveis.
Assim posto, o estudo, avaliação e compreensão da dor e do sofrimento não são passíveis de serem estudados somente através de métodos positivistas, ainda que estes possam nos trazer alguma luz para o seu entendimento.
Aqui, questionamos até que ponto o paradigma newtoniano-cartesiano, sob a égide e pretensão de objetividade científica, onde a natureza funciona como um relógio, nossos corpos sentidos de maneira mecânica e nossa dor e sofrimento tratado orgânica e mecanicamente, não foi a base da desumanização da Ciência, da Tecnologia, da Saúde e do Ser Humano?
Todo pragmatismo, ambição desmedida, consumismo exagerado, arrogância do poder, a inversão dos valores humanos mais elevados não seria resultado desta visão de mundo, na qual o homem é visto como máquina, fragmentado e separado da natureza?
Não podemos desconsiderar que o método analítico cartesiano foi um recurso inestimável e fantástico da evolução da ciência e para o desenvolvimento do mundo moderno; porém, é igualmente inegável suas conseqüências para o descaso dos sentimentos mais íntimos do ser humano.
Embora as diferentes definições de dor nos remetam a traços comuns, como o caráter de subjetividade, a natureza sensível, a condição de desprazer, ainda assim deixam muito a desejar, constituindo-se ainda em uma grande incógnita.
A experiência dolorosa tem forte relação com o nível de dor e a atitude básica do ser humano perante a vida. Por exemplo, aspectos negativos decorrentes de uma falha pessoal, quando não esquecidos “pesam na alma”, constituindo-se num remanescente perturbador, enquanto não reparado ou aliviado através de algum tipo de punição. A pessoa que experimenta a dor como punição, mesmo que aceite procurar ajuda profissional, pode não aderir ao tratamento, recusando-se consciente ou inconscientemente a seguir a conduta médica estabelecida. O fato é que o ser humano participa de forma ativa ou passivamente do processo de adoecer.
O entendimento pelo profissional desta concepção moral da dor e do sofrimento e de seu lugar estruturante na experiência da dor e do sofrimento é decisivo e não deve ser ignorado. É importante estar alerta para os possíveis significados defensivos da dor e do sofrimento, de modo a se compreender as funções da dinâmica, origem e desenvolvimento da metapsicologia de seu simbolismo e sua representação no aparelho psíquico.
Enquanto a abordagem psicológica humanista constata o quanto o cuidado, o acolhimento, a aceitação, a palavra de conforto, a esperança, a fé, a atenção, o olhar terno, sincero, carinhoso e o toque atenuam o sofrimento, amenizam a dor, acalmam o espírito, a neurociência constata que os mecanismos de ação de tais intervenções são capazes de estimular no organismo humano produzir analgésicos endógenos, substâncias naturais, com grande poder anestésico.
É preciso reencontrar o elo perdido, juntar fragmentos, unir forças, rever valores, preservar nossa singularidade, olhar o ser humano em sua totalidade, apreender uma visão de mundo totalizador, tornar o ser humano mais consciente, mais sadio, mais livre, menos normótico.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
             Psicóloga Clínica  

3 de jun. de 2012


“Festina Lente" (Apressa-te Devagar ou lentamente). 
                

            Sentir-se oprimido pela falta de tempo é um sentimento muito comum nos dias de hoje. Poucas pessoas se dão conta de estarem sofrendo da "doença do tempo", ou seja, de estarem estressadas, sobrecarregadas, ansiosas, com muita pressa. A “ansiedade pela falta de tempo” produz sensação de perda, insegurança, medo e conseqüente tensão e dificuldade para relaxar. Este mal-estar é chamado de "Síndrome da Pressa”, e seus sintomas são: ansiedade, impaciência, intolerância, irritabilidade, descontrole emocional. É comum observar, por exemplo, alguém perder o controle por ter que esperar alguns minutos na fila do banco, antecipar-se no sinal de transito, brigar no engarrafamento, sentir-se impaciente enquanto espera para ser atendido em alguma repartição ou por não conseguir concluir um projeto ou outra atividade qualquer. Essas pessoas vivem estressadas, mesmo porque se sobrecarregam de responsabilidades, estão sempre com suas agendas lotadas de compromissos. São pessoas que, pelas condições e estilo de vida, acabam sofrendo alterações hormonais com sérias conseqüências de natureza físicas e emocionais.            
            O homem moderno vive de maneira acelerada, à revelia de seu ritmo biológico ou relógio interno. A mania de correr contra o relógio, mesmo quando não há compromissos a cumprir, já pode ser considerada uma alteração de comportamento. 
Estudada desde os anos 80 e descrita pela primeira vez nos Estados Unidos, a “Síndrome da Pressa” é desencadeada pela crença de que se pode realizar tudo, agindo de maneira acelerada. Geralmente não se trata de um distúrbio emocional, mas é conseqüência natural das pressões da vida moderna, do trabalho, da cobrança e exigência pessoal. Trata-se de um comportamento que pode eventualmente desencadear transtornos físicos como doenças crônicas geradas pelo estresse, fibromialgia, doenças cardíacas, infarto, arritmias, diabetes, úlceras, e transtornos emocionais como: compulsões, hiperatividade, ansiedade generalizada, hipomania, etc. Em alguns casos, a manifestação do problema pode ter causas internas mais profundas, como o perfeccionismo, a insegurança, a baixa auto-estima, etc.
As pessoas estão cada vez mais aceleradas e o problema já afeta vários setores da vida do homem moderno, com repercussões  conjugais, familiares, sociais e profissionais.
Quem sofre desde problema se ocupa de várias atividades ao mesmo tempo, estão sempre ocupadas, sem tempo para o lazer, aflitas, sem intervalo para descanso, não conseguindo parar, mesmo depois do expediente, levando serviço para casa, sentindo-se cobradas por si próprias o tempo todo, podendo ficar, intolerantes e agressivas com as pessoas à sua volta, quando estas não conseguem adotar o mesmo ritmo.
            Vivemos em uma sociedade pautada pelo consumo, somos valorizados pelo que temos. Somos estimulados o tempo todo a trabalhar exageradamente para podermos consumir mais e mais. A “Síndrome da Pressa” é uma espécie de normose, ou seja, uma conivência com esta ideologia, na medida em que leva seu portador a aceitar cobranças (internas e externas), sem considerar os prejuízos de tal comportamento para sua qualidade de vida.
                        A sensação de que o tempo passa muito depressa está relacionada aos avanços tecnológicos, como fax, e-mail, internet, comunicação por satélite, celular, meios de comunicação que faz com que a informação chegue mais rápida. Muitos têm a percepção de estarem sendo ultrapassados; já não é mais o medo de que os grandes dominem os pequenos, mas, de que os mais rápidos, os mais bem informados ultrapassam os mais lentos, os menos informados. O problema se agravou com a informatização, as pessoas não têm mais tempo para o diálogo, são impacientes a ouvir detalhes, querem a resposta com a mesma rapidez que a obtida pelo computador’’.
É preciso desacelerar. A pressa tem conseqüências indesejáveis para o organismo humano. Não somos máquinas. É necessário diminuir o ritmo, equilibrar a correria do dia-a-dia, reaprender a administrar o tempo, repensar crenças e valores. “Porque o Egito os ajudará em vão, e para nenhum fim; pelo que clamei acerca disto; no estarem quietos estará a sua força”. (Isaias 30:7)


                                            Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                                     Psicóloga Clínica

2 de jun. de 2012


Resiliência e Espiritualidade  


Resiliência é o poder de recuperação que tem uma mola quando esticada em seu limite, de retomar sua forma original. É o trabalho necessário para deformar um corpo físico até seu limite elástico e obter o seu retorno à normalidade.
O Novo Dicionário Aurélio traz a  seguinte definição: “é a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida, quando cessa a tensão causadora duma deformação elástica”. Este termo, então, advém da Física, e passa o sentido de elasticidade, flexibilidade de um corpo que mesmo pressionado, esticado, dobrado, não perde sua propriedade, não se deforma. Ainda que esta idéia não expressa sua totalidade esse termo tem sido utilizado pela Psicologia, emprestado da Física, cuja conotação específica queremos transpor aqui. 
Em psicologia, resiliar [résilier] é recuperar-se, ir pra a frente depois de uma doença, perda, trauma ou estresse. É vencer as provações e as crises da vida, resistir a elas primeiro, e superá-las depois, para prosseguir vivendo da melhor forma possível.
O primeiro a usar o termo resiliência, em sentido figurado, foi o conhecido psicólogo John Bowlby, que o definiu como um recurso moral, qualidade de uma pessoa que não desanima, que não se deixa abater.
O paradigma da resiliência descreve como a fé, a espiritualidade, ou a pertença a um grupo, comunidade ou instituição religiosa influenciam no momento da superação das dificuldades e sofrimentos pessoais e sociais.
As atitudes resilientes podem ser promovidas, com o apoio de pessoas ou instituições (família, igreja, escola, centro de saúde, organizações ou associações sociais, políticas,etc. etc.), que se preocupam em motivar a ativação das capacidades de superação das dificuldades. Pensa-se na ação preventiva e na promoção da saúde, como fomentá-la no ambiente familiar, social, de trabalho e de missão, mediante a educação, intervenções sociais, políticas públicas, assim como dos projetos comunitários civis ou eclesiais.
As capacidades resilientes dos seres humanos e dos grupos, por mais promovidas e desenvolvidas que estejam, não são ilimitadas. Todo ser humano tem um limite pessoal para lidar com a adversidades.
Para promover e potencializar a resiliência de um grupo ou de uma pessoa é preciso investigar e descobrir os pilares que sustentam a resiliência, os recursos próprios que as pessoas dispõem, e os fatores de proteção do meio circundante, as capacidades que há na família, no ambiente ou na instituição educativa, social, política ou religiosa. Esse processo de fortalecimento e capacitação é conhecido hoje como “empowerment” e preocupa-se em “identificar os recursos, revelá-los a quem os possui e, que muitas vezes não sabem que os possui, e ajudá-los a recorrer a eles em momento oportuno.
Flach (1991) estabelece alguns traços característicos da personalidade e alguns atributos do indivíduo resiliente. Os principais são:· auto-estima, senso de humor,· independência de pensamento e ação, sem medo de depender dos outros ou relutância em fazê-lo, quando necessário, capacidade de trocas nas relações, ter um grupo estável de amigos (inclusive alguns confidentes). Ainda, ter disciplina pessoal e senso de responsabilidade, reconhecimento e desenvolvimento de dons e talentos pessoais, auto-respeito,· criatividade, habilidade para recuperar a auto-estima, quando temporariamente perdida, capacidade para tolerar a dor e o sofrimento, abertura e receptividade para novas idéias, aprender, disposição para sonhar, uma vasta gama de interesses, respeito aos próprios sentimentos e percepção dos sentimentos dos outros, capacidade para comunicar suas opiniões de maneira adequada, flexibilidade, concentração, compromisso com a vida, e uma filosofia de vida na qual as experiências pessoais possam ser interpretadas com significado e esperança, até mesmo em momentos desalentadores da vida.
A literatura sobre resiliência ainda é pouco exaustiva ao falar de religiosidade, fé ou espiritualidade. Poucos são os autores que abordam a temática. No entanto, Vanistendael, com marcada ênfase nesse aspecto, considera que o sentido da vida, como pilar de resiliência, pode estar vinculado a uma filosofia de vida, vida espiritual e fé religiosa.
Alguns estudiosos no assunto consideram a espiritualidade um suporte para as crises, superação e cura. Para Neale Donald Walsch, autor norte-americano da série de livros “Conversando com Deus”,  a religião e a espiritualidade, como fatores resilientes, são recursos terapêuticos poderosos em momentos de adversidades.

    Profa. Dra Edna Paciência Vietta
             Psicóloga Clínica

Transtorno Obsessivo-compulsivo: o que se deve saber


 


O Transtorno obsessivo compulsivo (TOC) não é uma doença nova. Há alguns séculos, as pessoas com pensamentos obsessivos blasfemos ou sexuais eram consideradas possuídas. Esta concepção religiosa das obsessões era consistente com a visão de mundo da época, e a lógica do tratamento consistia em expulsar o mal da alma possuída. O exorcismo era o tratamento de escolha. Com o tempo, a explicação das obsessões e compulsões desviou-se de uma visão religiosa para uma visão médica.
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), já foi também considerado um transtorno raro, pois usualmente eram identificadas apenas as suas formas mais graves, enquanto que os sintomas quando mais leves, eram considerados "manias", "fraquezas" ou "falta de vontade" de tal forma que se o paciente o desejasse poderia livrar-se delas.
Considerado raro até há pouco tempo, o TOC é uma doença bastante comum, acometendo aproximadamente um em cada 40 ou 50 indivíduos. No Brasil, é provável que existam entre 3 e 4 milhões de portadores. Muitas dessas pessoas, embora tenham suas vidas gravemente comprometidas pelos sintomas, nunca foram diagnosticadas e tampouco tratadas. Talvez a maioria desconheça o fato de esses sintomas constituírem uma doença para a qual já existem tratamentos bastante eficazes.
O TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo é hoje classificado como uma doença mental crônica incluída nos Transtorno de Ansiedade que se manifesta pela presença de obsessões e/ou compulsões. Está classificado ao lado das Fobias (medo de lugares fechados, elevadores, pequenos animais - como ratos ou insetos), da Fobia Social (medo de expor-se em público ou diante de outras pessoas), do Transtorno de Pânico (ataques súbitos de ansiedade e medo de freqüentar os lugares onde ocorreram os ataques), etc.
Os sintomas do TOC envolvem alterações de comportamento (repetições, evitações), de pensamento (preocupações excessivas, dúvidas, pensamentos de conteúdo impróprio ou "ruim", obsessões) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão). Sua característica principal, como já comentamos, é a presença de obsessões e/ou compulsões ou rituais.
Obsessões são pensamentos ou idéias, impulsos, imagens, cenas, que invadem a cabeça da pessoa de modo persistente, podendo ou não ser seguidos de comportamentos (manias) para neutralizá-los. São sentidos como estranhos e intrusivos causando aumento da ansiedade e grande desconforto.
Geralmente essas obsessões estão ligadas à higiene, organização, contaminação, transmissões de bactérias ou vírus. Por exemplo, uma obsessão comum é a preocupação excessiva com a limpeza, que é seguida por lavar as mãos repetidamente, o que torna esse ato uma compulsão.
Compulsões ou rituais são comportamentos ou atos mentais voluntários e repetitivos executados em resposta a obsessões ou em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente. Os exemplos mais comuns são lavar as mãos, fazer verificações, contar, repetir frases ou números, alinhar, guardar ou armazenar, repetir perguntas, etc. As compulsões aliviam momentaneamente a ansiedade, levando o indivíduo a executá-las toda vez que sua mente é invadida por uma obsessão acompanhada de aflição. Nem sempre têm conexão realística com o que desejam prevenir (p ex., alinhar os chinelos ao lado da cama antes de deitar para que não aconteça algo de ruim no dia seguinte; dar três batidas em uma pedra da calçada ao sair de casa, para que a mãe não adoeça).
Algumas compulsões não são percebidas, pois se desenvolvem mentalmente e não mediante comportamentos motores, observáveis. Alguns exemplos: repetir palavras especiais ou frases: rezar, relembrar cenas ou imagens, contar ou repetir números, fazer listas, marcar datas, tentar afastar pensamentos indesejáveis, substituindo-os por pensamentos contrários. É comum, em portadores do TOC, a lentidão ao executar tarefas. Essa lentidão pode ocorrer em virtude de repetições (tirar e colocar a roupa várias vezes, sentar e levantar, sair e entrar, etc.), de verificações (trabalho, listas, documentos) ou do adiamento de tarefas devido à indecisão.
Os portadores do TOC sofrem de muitos medos (de contrair doenças, de cometer falha, de serem responsáveis por acidentes). Em razão desses medos, evitam as situações que possam provocá-los - comportamento chamado de evitação.
As evitações são, em grande parte, responsáveis pelas limitações que o transtorno acarreta. Felizmente, têm sido desenvolvidos novos métodos de tratamento, utilizando-se medicamentos e psicoterapia (cognitivo-comportamental) capazes de reduzir os sintomas e, muitas vezes eliminá-los.
                             Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                           Psicóloga Clínica 

31 de mai. de 2012


        Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

             Psicóloga / Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental

                                             CRP-06/65132

                        Formada pelas FFCLRP-USP / EERP-USP

  Profa. Titular (Phd) aposentada da Universidade de São Paulo

                                 Referências





Abordagem: Psicoterapia Breve - Cognitivo-Comportamental;
                                   
Transtornos de Ansiedade;
FobiaSocial,  Transtorno Obsessivo-Compulsivo Síndrome do Pânico, Tricotilomania Compulsões, TDAH ( Adolescentes e adultos); Depressão Transtorno Bipolar e outros Transtornos.

Atendimentos: Adolescentes (a partir de 16 anos); Adultos.

Terapia Individual e de casal (homo e heterossexual),

Supervisão individual e grupal: Profissionais recém-formados ou interessados da área da Saúde e Psicologia para atuação Clínica e profissional.

Orientação em pesquisa

Endereço: rua: Olavo Bilac, 805. Vila Seixas,
Ribeirão Preto - SP-Brasil
Tels: (16) 3964 6692

29 de mai. de 2012


Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
Graduada pela FFCLRP-USP.
Profa.Titular (aposentada) da USP
Atendimento individual e de casal (homo e heterosexual)
Psicoterapia Breve- cognitivo-comportamental
Transtornos de Ansiedade ( Fobia Social, Transtorno Obssessivo-compulsivo, Pânico, Tricotilomania, Compulsões), TDAH (adulto), Transtorno Bipolar, problemas de ordem emocional e psicossomática
Endereço:
Rua Olavo Bilac, 805 Vila Seixas
RIBEIRÃO PRETO – SP – CEP:14020-020
Fone: (16) 396 46692
Links
viettaed23,blog,terra,com.br
http://www.psicomundo.com/diretorio/usuario/ver/id/23
http://www.ed238729.no.comunidade.net/
http://www.itcbr.com/profissionais/viettaed23729.shtml

29 de abr. de 2012


“A Ciência sem fé é Manca. A religião sem a ciência é cega”


A Modernidade é o momento histórico que sucedeu o Período Medieval cuja base foi o poder do clero, o predomínio da religião (das crenças nos fenômenos sobrenaturais) sobre qualquer outro tipo de conhecimento ou da razão.
A Modernidade nos livrou das trevas, do fanatismo, do autoritarismo eclesiástico e da perseguição, mas nos levou para o outro extremo parao domínio da razão e da ciência sobre a religião e o direcionamento para o mundo materiaql.
Pode se dizer que na Modernidade houve um desencantamento do conhecimento, onde o divino, a fé e os fenômenos sobrenaturais deixaram de compor a base do conhecimento, sendo substituídos pela razão pura, na busca da ordem e do progresso
A Modernidade se baseou na razão, na ciência, na matemática, no absoluto, assinalando que todas as descobertas científicas seriam verdades absolutas. Só seria verdadeiro aquilo que tivesse comprovação. Portanto, quando a Ciência nasce a religião perde o valor.
A Modernidade tirou Deus do centro do universo e colocou o homem, os valores deixaram de vir do plano transcendental e passaram a ser ditados pela vida terrena. Quando o homem tira Deus do centro de sua vida, precisa ter a certeza de que terá imediatamente algo a ser colocado nesse lugar. Algo que possa suprir todas as suas necessidades e assegurar sua sobrevivência. Algo que pudessem garantir alívio e soluções efetivas, concretas para todos os seus problemas. Algo que fosse maior que o medo de arriscar essa troca. Isso também exigia fé, só que na razão. 
Na verdade a evolução não é só o produto da nossa curiosidade em descobrir como as coisas são, mas, também, produto do medo de enfrentar a dor, o sofrimento, a culpa e a morte.
Na modernidade a racionalidade substitui Deus e a Ciência se torna a senhora todo-poderosa capaz de encontrar soluções para todas as aflições humanas. Tudo poderia ser explicado e controlado por ela.
Mas, as conseqüências dessa mudança de paradigma se fizeram sentir nos trágicos acontecimentos do século XX, colocando em xeque o mundo do progresso, do conhecimento, da ciência e da razão que culminaram com o grande colapso gerado pelas guerras, revoluções, estragos ambientais, mortes e conflitos marcados pelo terrorismo, suicídio em massa, novas doenças como a AIDS, Alzheimer, Pânico, só para citar alguns exemplos.
Com tantas conseqüências negativas, o homem despertou a consciência e passou a ter mais dúvidas que certezas, a humanidade passou a ter novos questionamentos e reflexões profundas sobre os destinos do Homem e o futuro do Planeta.
É certo que a Ciência e a Tecnologia trouxeram evolução, propiciando sofisticados meios diagnósticos e tratamentos cada vez mais aperfeiçoados. Indiscutivelmente, a humanidade se beneficiou dos avanços da Ciência e da Tecnologia (Tomografias, Ultrasonografia, Vidiocirurgias, Ressonância Magnética, nanotecnologia). Um tumor antes não operável pode, hoje, ser extirpado por um procedimento cirúrgico, invasivo. Os remédios são suficientes para controlar as moléstias infecto-contagiosas e degenerativas, porém o homem ainda carece de sabedoria; não consegue viver em harmonia com a natureza e respeita a vida.
O homem Pós-moderno descobriu que a Ciência resolve muitas coisas, mas não dá conta de tudo.
Há uma dimensão da vida humana que permanece indecifrável a despeito da razão e de todo conhecimento – a Transcendência do ser humano. Esta só é acessível pela fé. A modernidade se esqueceu das dimensões do espírito, da alma.
Aos poucos o homem Pós-moderno sente a necessidade de resgatar seus valores.
“A verdade, já dizia Agostinho, só pode ser garantida por algo acima dos homens e das coisas: somente através de Deus”. Por isso, é preciso render-se à fé, que permite resgatar a dignidade da razão: É preciso “compreender para crer e crer para compreender.”

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
       Psicóloga Clínica



Envelhecer com qualidade de vida


Até 2025, segundo a OMS, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos. Entre 1980 e 2000 a população com 60 anos ou mais cresceu 7,3 milhões, totalizando mais de 14,5 milhões em 2000. Em todo o mundo, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais está crescendo mais rapidamente que a de qualquer outra faixa etária.
Manter a autonomia e independência durante o processo de envelhecimento é meta fundamental para indivíduos nessa faixa etária. Além disto, o envelhecimento ocorre dentro de um contexto que envolve outras pessoas – amigos, colegas de trabalho, vizinhos, membros da família e Igreja. Esta é a razão pela qual interdependência e solidariedade entre gerações (uma via de mão-dupla, com indivíduos jovens e velhos, onde se dá e se recebe) são princípios relevantes para o envelhecimento ativo.
Os fatores psicológicos, que incluem a inteligência e capacidade cognitiva (por exemplo, a capacidade de resolver problemas e de se adaptar a mudanças e perdas), são indícios fortes de envelhecimento ativo e longevidade.
Durante o processo de envelhecimento normal, algumas capacidades cognitivas (inclusive a rapidez de aprendizagem e memória) diminuem, naturalmente, com a idade. Entretanto, essas perdas podem ser compensadas por ganhos em sabedoria, conhecimento e experiência. Freqüentemente, o declínio no funcionamento cognitivo é provocado pelo desuso (falta de prática), doenças (como depressão), fatores comportamentais (como consumo de álcool e medicamentos), fatores psicológicos (por exemplo, falta de motivação, de confiança e baixas expectativas), e fatores sociais (como a - solidão e o isolamento), mais do que o envelhecimento em si.
Outros fatores psicológicos que são adquiridos ao longo do curso da vida têm uma grande influência no modo como as pessoas envelhecem. A auto-eficiência (crença na capacidade de exercer controle sobre sua própria vida) relacionada às escolhas pessoais de comportamento durante o processo de envelhecimento. Saber superar adversidades se adaptar às mudanças e às imitações normais do processo de envelhecimento. Homens e mulheres que se preparam para a velhice e se adaptam a mudanças fazem um melhor ajuste em sua vida depois dos 60 anos..
Envelhecer é uma evolução normal da vida e esta fase pode e deve ser vivida com qualidade. Precisamos mudar o conceito de velhice de acordo com as mudanças ocorridas neste século. A velhice é mais relativa hoje do que antes. Que é ser velho?  Como conceituar essa fase, no mundo de hoje? Se em todo momento acrescenta-se mais anos em nossas vidas. O que vai definir tal condição são as perspectivas futuras, é o quanto podemos ainda estabelecer metas, construir projetos. Não envelheça entes do tempo. É importante cuidarmos para não nos tornarmos pessoas amargas, mau humoradas, exigentes, críticas, ranzinzas, intolerantes, pouco flexíveis, autoritárias, pouco acessíveis ao diálogo. Temos que cuidar para não ficarmos de mal com a vida. Infelizmente, algumas pessoas, inconformadas com esta condição, age de forma negativa, se isolando, não se relacionando bem com as pessoas, tornando o convívio familiar difícil e intolerável. Outras, ao contrário, tornam-se, pessoas disponíveis, simpáticas, úteis, dinâmicas e produtivas, carinhosas, otimistas, abertas a novas perspectivas, com as quais é gostoso conviver. Essas últimas são pessoas que seguem suas vidas de forma natural e acompanham a evolução com sabedoria, buscando sempre se adaptar as mudanças. Com qual das duas você se identifica?  Você se sente participativo? Você está preste a se aposentar? Ou já se aposentou? É hora de recomeçar. Estabeleça novas metas, aventure-se, siga adiante, a vida não para. Aproveitar a vida é vivê-la bem, portanto, se dê oportunidade de ser feliz e realizar seus sonhos. Se adapte as transformações do mundo moderno, procure estar sempre atualizado, conquiste novos espaços. Aprenda a se conhecer melhor e a reconhecer e trabalhar suas emoções e sentimentos. Melhore sua auto-estima. O autoconhecimento é um processo que poderá levá-lo a descobrir em você, novos talentos. Não permita que a ociosidade, o desânimo, o pessimismo, o medo, tristeza o leve ao estresse, à ansiedade, à depressão, ao pânico, ou até mesmo a doenças físicas, mentais, psicossomáticas, ao alcoolismo e outras dependências. Procure cuidar de sua saúde física e emocional.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
             Psicóloga Clínica

Na culpa, somos nosso maior algoz. 


“A principal e mais grave punição para quem cometeu uma culpa é sentir-se culpado”. (Sêneca)                                                                                                                                             

Nunca será demais falarmos sobre este sentimento. Ele é um dos maiores problemas do ser humano quando em excesso ou em deficiência e causa de muitos sintomas e patologias. No primeiro caso ela nunca vem só, e nos leva a grandes sofrimentos, ao arrependimento e a autopunição, no segundo, torna-se um perigo, pois faz os outros sofrerem, é o caso do sociopata ou psicopata, pela ausência de remorso, por perversão, frieza e indiferença.
A culpa pode ser provocada por uma conduta negligente ou imprudente, com ou sem propósito de lesar, mas com algum dano real ou imaginário. Pode ser provocada por  atitudes conscientes ou inconscientes. Pode, também, ser induzida por um ato intencional, nesse caso, é responsável por grande sofrimento psicológico e/ou físico (produzindo sintomas ou doenças psicossomáticas), um tipo de tortura que a própria pessoa se impõe, por ter cometido erro, falha, injustiça, maldade, etc.
São inúmeros os sentimentos e situações que podem provocar esse mal estar, entre eles podemos citar: raiva, ódio, ciúmes, inveja, egoísmo, ingratidão, negligência, traição, criticar os outros, magoar, colocar a culpa nos outros, julgar mal as pessoas, ser intolerante com alguém, chantagear, humilhar, competir de forma desleal, não assumir responsabilidades, desconfiar sem motivos, desobedecer ou transgredir: leis, normas, regulamentos, princípios morais, éticos, religiosos, dar falso testemunho, agredir psicológica ou fisicamente, ou atos como: comer demais, gastar sem necessidade, matar, roubar, etc. 
Por trás de nossa tristeza, frustração, insatisfação, tédio, angústia, está à culpa como verme que corrói e mina a alegria de viver, destruindo a auto-estima. Quanto maior a expectativa a nosso respeito; quanto maior nossa exigência e perfeccionismo em relação às nossas condutas; quanto mais incoerência houver entre nossos sentimentos e nossas ações, maior nosso sentimento de culpa. O erro faz parte da evolução natural de todo ser humano. Aprendemos e amadurecemos também através dos erros que cometemos no passado. Assim, todas às vezes que sentirmos culpa, devemos nos questionar: o porquê deste sentimento? Se ele é procedente? Que posso fazer para remediar? O que posso tirar de aprendizado desta experiência?
Devemos assumir a responsabilidade pelos nossos atos e procurarmos corrigir as nossas falhas. Somos seres humanos imperfeitos. A culpa não assumida é uma atitude inconseqüente, coloca o culpado no lugar de vítima, isentando-o transitoriamente da responsabilidade do seu ato, mas o persegue eternamente, por outro lado, o impede do aprendizado dele decorrente. A culpa é uma maneira de nos vingarmos a nós mesmos e, às vezes, de forma perversa, provocando acidentes, envolvendo-nos em conflitos, impondo-nos sacrifícios, perda de liberdade, produzindo sintomas e doenças, por exemplo, Depressão, Anorexia Nervosa (distúrbio da alimentação, recusa de alimentos, perda de peso, medo de engordar), Bulimia (auto-indução de vômitos como forma de emagrecimento, chegando mesmo a níveis preocupantes como o estado de inanição e à morte), depressão, insônia, solidão, alcoolismo, droga-adição, alguns tipos de Câncer, problemas de pele, etc.
Com a culpa vem o remorso. Sentir remorso faz parte de nosso aprendizado, por que não é errado errar. O remorso é um aviso que algo está para ser corrigido.
A conscientização da culpa deve levar a pessoa a uma reavaliação de conduta e não a uma vida amargurada e doentia. Não é saudável viver alimentando o diálogo contínuo de autopunição, acusando os outros e a si mesmos o tempo todo. Este é o recurso para concretizar o jogo preferido dos neuróticos, a autopunição. A culpa excessiva é, também, uma defesa para que não se assumir a condução do próprio destino, a responsabilidade pela própria vida, ou seja, o compromisso de mudança, o crescimento e aperfeiçoamento pessoal.
É preciso admitir, somos seres imperfeitos, limitados e susceptíveis de cometermos falhas, mas, também, dotados do livre-arbítrio para sermos melhores.

             Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                               Psicóloga

Psicoterapia e seus benefícios



Os últimos avanços na área da Psicologia e Psicoterapia têm permitido alcançar resultados cada vez melhores e mais significativos. Apesar de ser considerado um tratamento oneroso, a psicoterapia tem se mostrado, na realidade, um procedimento econômico. Pesquisas indicam que a aplicação efetiva da psicoterapia diminui os índices de transtornos mentais, internações hospitalares, idas aos prontos socorros, a auto-medicação e seus malefícios, e consumo indevido de psicotrópicos, outros medicamentos, etc.
Além dos benefícios que traz para a saúde psicológica da pessoa, a psicoterapia melhora a qualidade de vida, favorece a aquisição de autonomia, aumento de auto-estima, dando uma nova orientação em relação à vida das pessoas. A psicoterapia tem se mostrado um tratamento economicamente compensador, por prevenir e tratar problemas psicológicos que, quando não tratados adequadamente, trazem enormes prejuízos pessoais, conjugais, sociais e profissionais, com repercussão na situação econômica e afetiva das pessoas (perdas financeiras, compulsões, divórcios, separação, perda de emprego ou de oportunidade de ascensão no trabalho, etc.).
Em nossa atividade profissional, temos observado que a maioria das pessoas que tem comparecido à clínica, em busca de ajuda psicológica, o faz por vontade própria, outros vêm por insistência ou pressão da família. Os que comparecem por esta última via, geralmente, apresentam maior dificuldade em aderirem ao tratamento, neste caso demoram um pouco mais a se engajarem no processo. É importante dizer que a psicoterapia só funciona a partir do momento em que o cliente desejar ser ajudado e aceitar o tratamento, ou seja, sem engajamento não há terapia. A experiência tem mostrado que as pessoas que procuram ajuda espontaneamente respondem melhor ao tratamento e têm melhor aproveitamento que aquelas que se submeteram às decisões de terceiros. Os que tomaram iniciativa própria, geralmente se deram conta de que algo diferente estava acontecendo com elas, sentiram necessidade de buscarem ajuda e obtiveram grande alívio ao poderem expressar seus sentimentos de forma adequada. Alguns destes sentimentos foram manifestos através da verbalização de insatisfação como forma da pessoa reagir a certos acontecimentos, frustrações com sua situação familiar, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, falta de iniciativa ou disposição para realizar atividades cotidianas, posturas habitualmente pessimistas, oscilação de humor, medos irracionais, pânico, timidez, ansiedade, depressão, ciúme, desânimo, entre outros. Ainda, como motivos desta procura foram indicados: a percepção de que o padrão de comportamento utilizado por essas pessoas não lhes proporcionava vida estável e equilibrada, que o jeito habitual de ser, lhes causava problemas e prejuízos consideráveis na vida pessoal, social e profissional, sendo, muitas vezes, impeditivos para o estabelecimento de relacionamentos satisfatórios.
Temos presenciado pessoas que procuram ajuda psicológica por, de repente, se deram conta de que os problemas foram se acumulando ao longo da vida e soluções foram sendo postergadas às expensas do estresse causado, culminando em agravamento de conflitos pessoais, conjugais e profissionais. Algumas pessoas ficaram surpresas em terem permitido que seu estado emocional pudesse chegar a tal nível. Tais pessoas se questionaram como puderam negligenciar sua saúde mental e conviverem com tantos problemas, suportando tantos sofrimentos. Mais surpresas ficaram quando descobriram as conseqüências negativas, que poderiam ter evitado (algumas delas irreversíveis), caso tivessem buscado ajuda apropriada, no momento adequado. As pessoas se mostraram arrependidas por não terem tomado iniciativa antes, tomando consciência do preço que tiveram que pagar por permanecerem em conflitos consigo e com os outros, sobretudo, com os mais próximos e significativos (filhos, pais, cônjuges, etc.). Admitiram o quanto viveram infelizes, derrotadas, amargas, mal-humoradas, quando poderiam ter desfrutado melhor as oportunidades da vida. Pessoas que já poderiam ter alcançado sucesso em sua vida conjugal, familiar, profissional, encontram-se hoje, sem rumo, desorientadas frustradas, sem perspectivas futuras por falta de autoconhecimento e auto-estima. Quantas delas insistem em resolver os problemas por si próprias, sem obterem resultados desejados, se acomodando a eles por medo, orgulho, preconceito, teimosia, ou mesmo, por ignorarem os recursos psicológicos disponíveis. Ainda, assim, muitas resistem recorrerem a esta alternativa, mesmo sabendo ser esta, o recurso efetivo para instrumentá-las a lidarem adequadamente com seus conflitos.

Auto-estima: sucessos e fracassos

A auto-estima é um sentimento essencial à sobrevivência psicológica, no entanto, as exigências do mundo moderno parecem estar tornando tal conquista uma tarefa penosa e difícil de ser atingida. Haja vista suas implicações freqüentemente detectadas nas queixas dos clientes tanto jovens, como adultos e idosos que procuram ajuda psicológica, entre elas: a timidez, a insegurança, a depressão, a dependência afetiva, o ciúme excessivo, etc.
A crise de valores parece ser outra conseqüência desta presença constante, um dos sintomas emocionais freqüentes. Muitos sentimentos de inferioridade podem ser influenciados por valores distorcidos pela mídia, por publicidades apelativas, por apelos ao consumismo, pelo culto ao corpo, por ideologias consumistas.
O mundo moderno supervaloriza o novo, o belo, o perfeito, o forte, os mais jovens, a performance sexual, as proezas atléticas, o poder, as posses materiais, mas não valoriza da mesma forma, o amor, a simpatia, o caráter, a amizade, a alegria, a paz, a fé, a tolerância, a fidelidade, a compreensão, as tradições, a disciplina, os valores morais. Quando falamos de auto-estima estamos referindo-nos ao grau de aceitação de nós mesmos, do grau de estima que adotamos frente ao conceito que fazemos de nós. Nossos sentimentos afetam nossa auto-estima de maneira positiva ou negativa. O sentimento de auto-estima é a percepção valorativa de nosso ser, da importância que temos para as pessoas que nos rodeiam, e desta, depende toda nossa realização pessoal e profissional. É a partir dela que tomamos decisões, fazemos escolhas e nos relacionamos e interagimos com o meio familiar, profissional e social.
Da auto-estima depende nossos sucessos e fracassos, uma vez que vinculada a um conceito positivo de nós mesmos, pode potencializar nossas capacidades e talentos, desenvolver habilidades, aumentar nosso grau de segurança pessoal e nos levar a postura otimista frente a novas conquistas. Isto implica no sentimento de estarmos de bem com a vida, de sermos aceitos e amados pelo que somos. Por outro lado, também é certo que auto-estima em excesso pode se constituir num transtorno para o relacionamento quando a pessoa se torna convencida, arrogante, egoísta, podendo, muitas vezes, ser confundida com a personalidade narcísica.
Estudos recentes, realizados por pesquisadores da Califórnia, afirmam que auto-estima muito elevada pode levar à frustração e até mesmo à delinqüência. Segundo os pesquisadores, a pessoa que não sabe dosar sua auto-estima traz danos a si própria e à sociedade, pois esta atitude pode extrapolar os níveis saudáveis da competitividade e exacerbar a agressividade e a intolerância. O ideal é a ponderação entre os extremos.
A auto-estima negativa faz com que a pessoa não confie em si própria, nem em suas possibilidades, se desvalorizando e se sentindo inferior às outras pessoas. A pessoa com baixa auto-estima está sempre com a sensação de desvantagem, incapacidade, sentimento de que nunca chegará a ter o mesmo rendimento que os outros e acaba se convencendo disso. A autocrítica dura e excessiva, imposta pela baixa auto-estima, imprime estados de insatisfação da pessoa consigo própria, indecisão crônica, medo exagerado do insucesso, e de equivocar-se, ser criticado, humilhado, rejeitado, etc. Esta condição faz com que o indivíduo se retraia e desista de seus intentos.
O autoconceito e a auto-estima, em dose adequada, favorecem o sentido de identidade, constitui marco de referência, já que interpretar a realidade externa e às próprias experiências, influem no rendimento, condiciona as expectativas e a motivação, contribuindo de forma efetiva para o controle emocional e conseqüentemente para o equilíbrio psíquico.
O autoconhecimento é o caminho para auto-realização e o processo que leva à auto-estima. À medida que a pessoa identifica e aceita suas qualidades e defeitos, estará aberta para o conhecimento e reconhecimento de seus sentimentos, desejos e vontades, estará dando um grande passo para o autoconhecimento. Em geral, experiências positivas, e bons relacionamentos ajudam a aumentar a auto-estima, enquanto experiências e relações problemáticas a diminuem.
Seja uma pessoa bem sucedida cuidando de sua saúde emocional.




Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
Psicóloga/Psicoterapeuta