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3 de jun. de 2012


“Festina Lente" (Apressa-te Devagar ou lentamente). 
                

            Sentir-se oprimido pela falta de tempo é um sentimento muito comum nos dias de hoje. Poucas pessoas se dão conta de estarem sofrendo da "doença do tempo", ou seja, de estarem estressadas, sobrecarregadas, ansiosas, com muita pressa. A “ansiedade pela falta de tempo” produz sensação de perda, insegurança, medo e conseqüente tensão e dificuldade para relaxar. Este mal-estar é chamado de "Síndrome da Pressa”, e seus sintomas são: ansiedade, impaciência, intolerância, irritabilidade, descontrole emocional. É comum observar, por exemplo, alguém perder o controle por ter que esperar alguns minutos na fila do banco, antecipar-se no sinal de transito, brigar no engarrafamento, sentir-se impaciente enquanto espera para ser atendido em alguma repartição ou por não conseguir concluir um projeto ou outra atividade qualquer. Essas pessoas vivem estressadas, mesmo porque se sobrecarregam de responsabilidades, estão sempre com suas agendas lotadas de compromissos. São pessoas que, pelas condições e estilo de vida, acabam sofrendo alterações hormonais com sérias conseqüências de natureza físicas e emocionais.            
            O homem moderno vive de maneira acelerada, à revelia de seu ritmo biológico ou relógio interno. A mania de correr contra o relógio, mesmo quando não há compromissos a cumprir, já pode ser considerada uma alteração de comportamento. 
Estudada desde os anos 80 e descrita pela primeira vez nos Estados Unidos, a “Síndrome da Pressa” é desencadeada pela crença de que se pode realizar tudo, agindo de maneira acelerada. Geralmente não se trata de um distúrbio emocional, mas é conseqüência natural das pressões da vida moderna, do trabalho, da cobrança e exigência pessoal. Trata-se de um comportamento que pode eventualmente desencadear transtornos físicos como doenças crônicas geradas pelo estresse, fibromialgia, doenças cardíacas, infarto, arritmias, diabetes, úlceras, e transtornos emocionais como: compulsões, hiperatividade, ansiedade generalizada, hipomania, etc. Em alguns casos, a manifestação do problema pode ter causas internas mais profundas, como o perfeccionismo, a insegurança, a baixa auto-estima, etc.
As pessoas estão cada vez mais aceleradas e o problema já afeta vários setores da vida do homem moderno, com repercussões  conjugais, familiares, sociais e profissionais.
Quem sofre desde problema se ocupa de várias atividades ao mesmo tempo, estão sempre ocupadas, sem tempo para o lazer, aflitas, sem intervalo para descanso, não conseguindo parar, mesmo depois do expediente, levando serviço para casa, sentindo-se cobradas por si próprias o tempo todo, podendo ficar, intolerantes e agressivas com as pessoas à sua volta, quando estas não conseguem adotar o mesmo ritmo.
            Vivemos em uma sociedade pautada pelo consumo, somos valorizados pelo que temos. Somos estimulados o tempo todo a trabalhar exageradamente para podermos consumir mais e mais. A “Síndrome da Pressa” é uma espécie de normose, ou seja, uma conivência com esta ideologia, na medida em que leva seu portador a aceitar cobranças (internas e externas), sem considerar os prejuízos de tal comportamento para sua qualidade de vida.
                        A sensação de que o tempo passa muito depressa está relacionada aos avanços tecnológicos, como fax, e-mail, internet, comunicação por satélite, celular, meios de comunicação que faz com que a informação chegue mais rápida. Muitos têm a percepção de estarem sendo ultrapassados; já não é mais o medo de que os grandes dominem os pequenos, mas, de que os mais rápidos, os mais bem informados ultrapassam os mais lentos, os menos informados. O problema se agravou com a informatização, as pessoas não têm mais tempo para o diálogo, são impacientes a ouvir detalhes, querem a resposta com a mesma rapidez que a obtida pelo computador’’.
É preciso desacelerar. A pressa tem conseqüências indesejáveis para o organismo humano. Não somos máquinas. É necessário diminuir o ritmo, equilibrar a correria do dia-a-dia, reaprender a administrar o tempo, repensar crenças e valores. “Porque o Egito os ajudará em vão, e para nenhum fim; pelo que clamei acerca disto; no estarem quietos estará a sua força”. (Isaias 30:7)


                                            Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                                     Psicóloga Clínica

2 de jun. de 2012


Resiliência e Espiritualidade  


Resiliência é o poder de recuperação que tem uma mola quando esticada em seu limite, de retomar sua forma original. É o trabalho necessário para deformar um corpo físico até seu limite elástico e obter o seu retorno à normalidade.
O Novo Dicionário Aurélio traz a  seguinte definição: “é a propriedade pela qual a energia armazenada em um corpo deformado é devolvida, quando cessa a tensão causadora duma deformação elástica”. Este termo, então, advém da Física, e passa o sentido de elasticidade, flexibilidade de um corpo que mesmo pressionado, esticado, dobrado, não perde sua propriedade, não se deforma. Ainda que esta idéia não expressa sua totalidade esse termo tem sido utilizado pela Psicologia, emprestado da Física, cuja conotação específica queremos transpor aqui. 
Em psicologia, resiliar [résilier] é recuperar-se, ir pra a frente depois de uma doença, perda, trauma ou estresse. É vencer as provações e as crises da vida, resistir a elas primeiro, e superá-las depois, para prosseguir vivendo da melhor forma possível.
O primeiro a usar o termo resiliência, em sentido figurado, foi o conhecido psicólogo John Bowlby, que o definiu como um recurso moral, qualidade de uma pessoa que não desanima, que não se deixa abater.
O paradigma da resiliência descreve como a fé, a espiritualidade, ou a pertença a um grupo, comunidade ou instituição religiosa influenciam no momento da superação das dificuldades e sofrimentos pessoais e sociais.
As atitudes resilientes podem ser promovidas, com o apoio de pessoas ou instituições (família, igreja, escola, centro de saúde, organizações ou associações sociais, políticas,etc. etc.), que se preocupam em motivar a ativação das capacidades de superação das dificuldades. Pensa-se na ação preventiva e na promoção da saúde, como fomentá-la no ambiente familiar, social, de trabalho e de missão, mediante a educação, intervenções sociais, políticas públicas, assim como dos projetos comunitários civis ou eclesiais.
As capacidades resilientes dos seres humanos e dos grupos, por mais promovidas e desenvolvidas que estejam, não são ilimitadas. Todo ser humano tem um limite pessoal para lidar com a adversidades.
Para promover e potencializar a resiliência de um grupo ou de uma pessoa é preciso investigar e descobrir os pilares que sustentam a resiliência, os recursos próprios que as pessoas dispõem, e os fatores de proteção do meio circundante, as capacidades que há na família, no ambiente ou na instituição educativa, social, política ou religiosa. Esse processo de fortalecimento e capacitação é conhecido hoje como “empowerment” e preocupa-se em “identificar os recursos, revelá-los a quem os possui e, que muitas vezes não sabem que os possui, e ajudá-los a recorrer a eles em momento oportuno.
Flach (1991) estabelece alguns traços característicos da personalidade e alguns atributos do indivíduo resiliente. Os principais são:· auto-estima, senso de humor,· independência de pensamento e ação, sem medo de depender dos outros ou relutância em fazê-lo, quando necessário, capacidade de trocas nas relações, ter um grupo estável de amigos (inclusive alguns confidentes). Ainda, ter disciplina pessoal e senso de responsabilidade, reconhecimento e desenvolvimento de dons e talentos pessoais, auto-respeito,· criatividade, habilidade para recuperar a auto-estima, quando temporariamente perdida, capacidade para tolerar a dor e o sofrimento, abertura e receptividade para novas idéias, aprender, disposição para sonhar, uma vasta gama de interesses, respeito aos próprios sentimentos e percepção dos sentimentos dos outros, capacidade para comunicar suas opiniões de maneira adequada, flexibilidade, concentração, compromisso com a vida, e uma filosofia de vida na qual as experiências pessoais possam ser interpretadas com significado e esperança, até mesmo em momentos desalentadores da vida.
A literatura sobre resiliência ainda é pouco exaustiva ao falar de religiosidade, fé ou espiritualidade. Poucos são os autores que abordam a temática. No entanto, Vanistendael, com marcada ênfase nesse aspecto, considera que o sentido da vida, como pilar de resiliência, pode estar vinculado a uma filosofia de vida, vida espiritual e fé religiosa.
Alguns estudiosos no assunto consideram a espiritualidade um suporte para as crises, superação e cura. Para Neale Donald Walsch, autor norte-americano da série de livros “Conversando com Deus”,  a religião e a espiritualidade, como fatores resilientes, são recursos terapêuticos poderosos em momentos de adversidades.

    Profa. Dra Edna Paciência Vietta
             Psicóloga Clínica

Transtorno Obsessivo-compulsivo: o que se deve saber


 


O Transtorno obsessivo compulsivo (TOC) não é uma doença nova. Há alguns séculos, as pessoas com pensamentos obsessivos blasfemos ou sexuais eram consideradas possuídas. Esta concepção religiosa das obsessões era consistente com a visão de mundo da época, e a lógica do tratamento consistia em expulsar o mal da alma possuída. O exorcismo era o tratamento de escolha. Com o tempo, a explicação das obsessões e compulsões desviou-se de uma visão religiosa para uma visão médica.
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC), já foi também considerado um transtorno raro, pois usualmente eram identificadas apenas as suas formas mais graves, enquanto que os sintomas quando mais leves, eram considerados "manias", "fraquezas" ou "falta de vontade" de tal forma que se o paciente o desejasse poderia livrar-se delas.
Considerado raro até há pouco tempo, o TOC é uma doença bastante comum, acometendo aproximadamente um em cada 40 ou 50 indivíduos. No Brasil, é provável que existam entre 3 e 4 milhões de portadores. Muitas dessas pessoas, embora tenham suas vidas gravemente comprometidas pelos sintomas, nunca foram diagnosticadas e tampouco tratadas. Talvez a maioria desconheça o fato de esses sintomas constituírem uma doença para a qual já existem tratamentos bastante eficazes.
O TOC, Transtorno Obsessivo Compulsivo é hoje classificado como uma doença mental crônica incluída nos Transtorno de Ansiedade que se manifesta pela presença de obsessões e/ou compulsões. Está classificado ao lado das Fobias (medo de lugares fechados, elevadores, pequenos animais - como ratos ou insetos), da Fobia Social (medo de expor-se em público ou diante de outras pessoas), do Transtorno de Pânico (ataques súbitos de ansiedade e medo de freqüentar os lugares onde ocorreram os ataques), etc.
Os sintomas do TOC envolvem alterações de comportamento (repetições, evitações), de pensamento (preocupações excessivas, dúvidas, pensamentos de conteúdo impróprio ou "ruim", obsessões) e das emoções (medo, desconforto, aflição, culpa, depressão). Sua característica principal, como já comentamos, é a presença de obsessões e/ou compulsões ou rituais.
Obsessões são pensamentos ou idéias, impulsos, imagens, cenas, que invadem a cabeça da pessoa de modo persistente, podendo ou não ser seguidos de comportamentos (manias) para neutralizá-los. São sentidos como estranhos e intrusivos causando aumento da ansiedade e grande desconforto.
Geralmente essas obsessões estão ligadas à higiene, organização, contaminação, transmissões de bactérias ou vírus. Por exemplo, uma obsessão comum é a preocupação excessiva com a limpeza, que é seguida por lavar as mãos repetidamente, o que torna esse ato uma compulsão.
Compulsões ou rituais são comportamentos ou atos mentais voluntários e repetitivos executados em resposta a obsessões ou em virtude de regras que devem ser seguidas rigidamente. Os exemplos mais comuns são lavar as mãos, fazer verificações, contar, repetir frases ou números, alinhar, guardar ou armazenar, repetir perguntas, etc. As compulsões aliviam momentaneamente a ansiedade, levando o indivíduo a executá-las toda vez que sua mente é invadida por uma obsessão acompanhada de aflição. Nem sempre têm conexão realística com o que desejam prevenir (p ex., alinhar os chinelos ao lado da cama antes de deitar para que não aconteça algo de ruim no dia seguinte; dar três batidas em uma pedra da calçada ao sair de casa, para que a mãe não adoeça).
Algumas compulsões não são percebidas, pois se desenvolvem mentalmente e não mediante comportamentos motores, observáveis. Alguns exemplos: repetir palavras especiais ou frases: rezar, relembrar cenas ou imagens, contar ou repetir números, fazer listas, marcar datas, tentar afastar pensamentos indesejáveis, substituindo-os por pensamentos contrários. É comum, em portadores do TOC, a lentidão ao executar tarefas. Essa lentidão pode ocorrer em virtude de repetições (tirar e colocar a roupa várias vezes, sentar e levantar, sair e entrar, etc.), de verificações (trabalho, listas, documentos) ou do adiamento de tarefas devido à indecisão.
Os portadores do TOC sofrem de muitos medos (de contrair doenças, de cometer falha, de serem responsáveis por acidentes). Em razão desses medos, evitam as situações que possam provocá-los - comportamento chamado de evitação.
As evitações são, em grande parte, responsáveis pelas limitações que o transtorno acarreta. Felizmente, têm sido desenvolvidos novos métodos de tratamento, utilizando-se medicamentos e psicoterapia (cognitivo-comportamental) capazes de reduzir os sintomas e, muitas vezes eliminá-los.
                             Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                                           Psicóloga Clínica 

31 de mai. de 2012


        Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

             Psicóloga / Psicoterapeuta Cognitivo-Comportamental

                                             CRP-06/65132

                        Formada pelas FFCLRP-USP / EERP-USP

  Profa. Titular (Phd) aposentada da Universidade de São Paulo

                                 Referências





Abordagem: Psicoterapia Breve - Cognitivo-Comportamental;
                                   
Transtornos de Ansiedade;
FobiaSocial,  Transtorno Obsessivo-Compulsivo Síndrome do Pânico, Tricotilomania Compulsões, TDAH ( Adolescentes e adultos); Depressão Transtorno Bipolar e outros Transtornos.

Atendimentos: Adolescentes (a partir de 16 anos); Adultos.

Terapia Individual e de casal (homo e heterossexual),

Supervisão individual e grupal: Profissionais recém-formados ou interessados da área da Saúde e Psicologia para atuação Clínica e profissional.

Orientação em pesquisa

Endereço: rua: Olavo Bilac, 805. Vila Seixas,
Ribeirão Preto - SP-Brasil
Tels: (16) 3964 6692

29 de mai. de 2012


Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
Graduada pela FFCLRP-USP.
Profa.Titular (aposentada) da USP
Atendimento individual e de casal (homo e heterosexual)
Psicoterapia Breve- cognitivo-comportamental
Transtornos de Ansiedade ( Fobia Social, Transtorno Obssessivo-compulsivo, Pânico, Tricotilomania, Compulsões), TDAH (adulto), Transtorno Bipolar, problemas de ordem emocional e psicossomática
Endereço:
Rua Olavo Bilac, 805 Vila Seixas
RIBEIRÃO PRETO – SP – CEP:14020-020
Fone: (16) 396 46692
Links
viettaed23,blog,terra,com.br
http://www.psicomundo.com/diretorio/usuario/ver/id/23
http://www.ed238729.no.comunidade.net/
http://www.itcbr.com/profissionais/viettaed23729.shtml

29 de abr. de 2012


“A Ciência sem fé é Manca. A religião sem a ciência é cega”


A Modernidade é o momento histórico que sucedeu o Período Medieval cuja base foi o poder do clero, o predomínio da religião (das crenças nos fenômenos sobrenaturais) sobre qualquer outro tipo de conhecimento ou da razão.
A Modernidade nos livrou das trevas, do fanatismo, do autoritarismo eclesiástico e da perseguição, mas nos levou para o outro extremo parao domínio da razão e da ciência sobre a religião e o direcionamento para o mundo materiaql.
Pode se dizer que na Modernidade houve um desencantamento do conhecimento, onde o divino, a fé e os fenômenos sobrenaturais deixaram de compor a base do conhecimento, sendo substituídos pela razão pura, na busca da ordem e do progresso
A Modernidade se baseou na razão, na ciência, na matemática, no absoluto, assinalando que todas as descobertas científicas seriam verdades absolutas. Só seria verdadeiro aquilo que tivesse comprovação. Portanto, quando a Ciência nasce a religião perde o valor.
A Modernidade tirou Deus do centro do universo e colocou o homem, os valores deixaram de vir do plano transcendental e passaram a ser ditados pela vida terrena. Quando o homem tira Deus do centro de sua vida, precisa ter a certeza de que terá imediatamente algo a ser colocado nesse lugar. Algo que possa suprir todas as suas necessidades e assegurar sua sobrevivência. Algo que pudessem garantir alívio e soluções efetivas, concretas para todos os seus problemas. Algo que fosse maior que o medo de arriscar essa troca. Isso também exigia fé, só que na razão. 
Na verdade a evolução não é só o produto da nossa curiosidade em descobrir como as coisas são, mas, também, produto do medo de enfrentar a dor, o sofrimento, a culpa e a morte.
Na modernidade a racionalidade substitui Deus e a Ciência se torna a senhora todo-poderosa capaz de encontrar soluções para todas as aflições humanas. Tudo poderia ser explicado e controlado por ela.
Mas, as conseqüências dessa mudança de paradigma se fizeram sentir nos trágicos acontecimentos do século XX, colocando em xeque o mundo do progresso, do conhecimento, da ciência e da razão que culminaram com o grande colapso gerado pelas guerras, revoluções, estragos ambientais, mortes e conflitos marcados pelo terrorismo, suicídio em massa, novas doenças como a AIDS, Alzheimer, Pânico, só para citar alguns exemplos.
Com tantas conseqüências negativas, o homem despertou a consciência e passou a ter mais dúvidas que certezas, a humanidade passou a ter novos questionamentos e reflexões profundas sobre os destinos do Homem e o futuro do Planeta.
É certo que a Ciência e a Tecnologia trouxeram evolução, propiciando sofisticados meios diagnósticos e tratamentos cada vez mais aperfeiçoados. Indiscutivelmente, a humanidade se beneficiou dos avanços da Ciência e da Tecnologia (Tomografias, Ultrasonografia, Vidiocirurgias, Ressonância Magnética, nanotecnologia). Um tumor antes não operável pode, hoje, ser extirpado por um procedimento cirúrgico, invasivo. Os remédios são suficientes para controlar as moléstias infecto-contagiosas e degenerativas, porém o homem ainda carece de sabedoria; não consegue viver em harmonia com a natureza e respeita a vida.
O homem Pós-moderno descobriu que a Ciência resolve muitas coisas, mas não dá conta de tudo.
Há uma dimensão da vida humana que permanece indecifrável a despeito da razão e de todo conhecimento – a Transcendência do ser humano. Esta só é acessível pela fé. A modernidade se esqueceu das dimensões do espírito, da alma.
Aos poucos o homem Pós-moderno sente a necessidade de resgatar seus valores.
“A verdade, já dizia Agostinho, só pode ser garantida por algo acima dos homens e das coisas: somente através de Deus”. Por isso, é preciso render-se à fé, que permite resgatar a dignidade da razão: É preciso “compreender para crer e crer para compreender.”

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
       Psicóloga Clínica



Envelhecer com qualidade de vida


Até 2025, segundo a OMS, o Brasil será o sexto país do mundo em número de idosos. Entre 1980 e 2000 a população com 60 anos ou mais cresceu 7,3 milhões, totalizando mais de 14,5 milhões em 2000. Em todo o mundo, a proporção de pessoas com 60 anos ou mais está crescendo mais rapidamente que a de qualquer outra faixa etária.
Manter a autonomia e independência durante o processo de envelhecimento é meta fundamental para indivíduos nessa faixa etária. Além disto, o envelhecimento ocorre dentro de um contexto que envolve outras pessoas – amigos, colegas de trabalho, vizinhos, membros da família e Igreja. Esta é a razão pela qual interdependência e solidariedade entre gerações (uma via de mão-dupla, com indivíduos jovens e velhos, onde se dá e se recebe) são princípios relevantes para o envelhecimento ativo.
Os fatores psicológicos, que incluem a inteligência e capacidade cognitiva (por exemplo, a capacidade de resolver problemas e de se adaptar a mudanças e perdas), são indícios fortes de envelhecimento ativo e longevidade.
Durante o processo de envelhecimento normal, algumas capacidades cognitivas (inclusive a rapidez de aprendizagem e memória) diminuem, naturalmente, com a idade. Entretanto, essas perdas podem ser compensadas por ganhos em sabedoria, conhecimento e experiência. Freqüentemente, o declínio no funcionamento cognitivo é provocado pelo desuso (falta de prática), doenças (como depressão), fatores comportamentais (como consumo de álcool e medicamentos), fatores psicológicos (por exemplo, falta de motivação, de confiança e baixas expectativas), e fatores sociais (como a - solidão e o isolamento), mais do que o envelhecimento em si.
Outros fatores psicológicos que são adquiridos ao longo do curso da vida têm uma grande influência no modo como as pessoas envelhecem. A auto-eficiência (crença na capacidade de exercer controle sobre sua própria vida) relacionada às escolhas pessoais de comportamento durante o processo de envelhecimento. Saber superar adversidades se adaptar às mudanças e às imitações normais do processo de envelhecimento. Homens e mulheres que se preparam para a velhice e se adaptam a mudanças fazem um melhor ajuste em sua vida depois dos 60 anos..
Envelhecer é uma evolução normal da vida e esta fase pode e deve ser vivida com qualidade. Precisamos mudar o conceito de velhice de acordo com as mudanças ocorridas neste século. A velhice é mais relativa hoje do que antes. Que é ser velho?  Como conceituar essa fase, no mundo de hoje? Se em todo momento acrescenta-se mais anos em nossas vidas. O que vai definir tal condição são as perspectivas futuras, é o quanto podemos ainda estabelecer metas, construir projetos. Não envelheça entes do tempo. É importante cuidarmos para não nos tornarmos pessoas amargas, mau humoradas, exigentes, críticas, ranzinzas, intolerantes, pouco flexíveis, autoritárias, pouco acessíveis ao diálogo. Temos que cuidar para não ficarmos de mal com a vida. Infelizmente, algumas pessoas, inconformadas com esta condição, age de forma negativa, se isolando, não se relacionando bem com as pessoas, tornando o convívio familiar difícil e intolerável. Outras, ao contrário, tornam-se, pessoas disponíveis, simpáticas, úteis, dinâmicas e produtivas, carinhosas, otimistas, abertas a novas perspectivas, com as quais é gostoso conviver. Essas últimas são pessoas que seguem suas vidas de forma natural e acompanham a evolução com sabedoria, buscando sempre se adaptar as mudanças. Com qual das duas você se identifica?  Você se sente participativo? Você está preste a se aposentar? Ou já se aposentou? É hora de recomeçar. Estabeleça novas metas, aventure-se, siga adiante, a vida não para. Aproveitar a vida é vivê-la bem, portanto, se dê oportunidade de ser feliz e realizar seus sonhos. Se adapte as transformações do mundo moderno, procure estar sempre atualizado, conquiste novos espaços. Aprenda a se conhecer melhor e a reconhecer e trabalhar suas emoções e sentimentos. Melhore sua auto-estima. O autoconhecimento é um processo que poderá levá-lo a descobrir em você, novos talentos. Não permita que a ociosidade, o desânimo, o pessimismo, o medo, tristeza o leve ao estresse, à ansiedade, à depressão, ao pânico, ou até mesmo a doenças físicas, mentais, psicossomáticas, ao alcoolismo e outras dependências. Procure cuidar de sua saúde física e emocional.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
             Psicóloga Clínica

Na culpa, somos nosso maior algoz. 


“A principal e mais grave punição para quem cometeu uma culpa é sentir-se culpado”. (Sêneca)                                                                                                                                             

Nunca será demais falarmos sobre este sentimento. Ele é um dos maiores problemas do ser humano quando em excesso ou em deficiência e causa de muitos sintomas e patologias. No primeiro caso ela nunca vem só, e nos leva a grandes sofrimentos, ao arrependimento e a autopunição, no segundo, torna-se um perigo, pois faz os outros sofrerem, é o caso do sociopata ou psicopata, pela ausência de remorso, por perversão, frieza e indiferença.
A culpa pode ser provocada por uma conduta negligente ou imprudente, com ou sem propósito de lesar, mas com algum dano real ou imaginário. Pode ser provocada por  atitudes conscientes ou inconscientes. Pode, também, ser induzida por um ato intencional, nesse caso, é responsável por grande sofrimento psicológico e/ou físico (produzindo sintomas ou doenças psicossomáticas), um tipo de tortura que a própria pessoa se impõe, por ter cometido erro, falha, injustiça, maldade, etc.
São inúmeros os sentimentos e situações que podem provocar esse mal estar, entre eles podemos citar: raiva, ódio, ciúmes, inveja, egoísmo, ingratidão, negligência, traição, criticar os outros, magoar, colocar a culpa nos outros, julgar mal as pessoas, ser intolerante com alguém, chantagear, humilhar, competir de forma desleal, não assumir responsabilidades, desconfiar sem motivos, desobedecer ou transgredir: leis, normas, regulamentos, princípios morais, éticos, religiosos, dar falso testemunho, agredir psicológica ou fisicamente, ou atos como: comer demais, gastar sem necessidade, matar, roubar, etc. 
Por trás de nossa tristeza, frustração, insatisfação, tédio, angústia, está à culpa como verme que corrói e mina a alegria de viver, destruindo a auto-estima. Quanto maior a expectativa a nosso respeito; quanto maior nossa exigência e perfeccionismo em relação às nossas condutas; quanto mais incoerência houver entre nossos sentimentos e nossas ações, maior nosso sentimento de culpa. O erro faz parte da evolução natural de todo ser humano. Aprendemos e amadurecemos também através dos erros que cometemos no passado. Assim, todas às vezes que sentirmos culpa, devemos nos questionar: o porquê deste sentimento? Se ele é procedente? Que posso fazer para remediar? O que posso tirar de aprendizado desta experiência?
Devemos assumir a responsabilidade pelos nossos atos e procurarmos corrigir as nossas falhas. Somos seres humanos imperfeitos. A culpa não assumida é uma atitude inconseqüente, coloca o culpado no lugar de vítima, isentando-o transitoriamente da responsabilidade do seu ato, mas o persegue eternamente, por outro lado, o impede do aprendizado dele decorrente. A culpa é uma maneira de nos vingarmos a nós mesmos e, às vezes, de forma perversa, provocando acidentes, envolvendo-nos em conflitos, impondo-nos sacrifícios, perda de liberdade, produzindo sintomas e doenças, por exemplo, Depressão, Anorexia Nervosa (distúrbio da alimentação, recusa de alimentos, perda de peso, medo de engordar), Bulimia (auto-indução de vômitos como forma de emagrecimento, chegando mesmo a níveis preocupantes como o estado de inanição e à morte), depressão, insônia, solidão, alcoolismo, droga-adição, alguns tipos de Câncer, problemas de pele, etc.
Com a culpa vem o remorso. Sentir remorso faz parte de nosso aprendizado, por que não é errado errar. O remorso é um aviso que algo está para ser corrigido.
A conscientização da culpa deve levar a pessoa a uma reavaliação de conduta e não a uma vida amargurada e doentia. Não é saudável viver alimentando o diálogo contínuo de autopunição, acusando os outros e a si mesmos o tempo todo. Este é o recurso para concretizar o jogo preferido dos neuróticos, a autopunição. A culpa excessiva é, também, uma defesa para que não se assumir a condução do próprio destino, a responsabilidade pela própria vida, ou seja, o compromisso de mudança, o crescimento e aperfeiçoamento pessoal.
É preciso admitir, somos seres imperfeitos, limitados e susceptíveis de cometermos falhas, mas, também, dotados do livre-arbítrio para sermos melhores.

             Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
                               Psicóloga

Procrastinar versus Postergar 

  
Procrastinar é sinônimo de deixar para amanhã, “empurrar com a barriga”, postergar, adiar. No entanto, a quem diga que Postergar e Procrastinar, etimologicamente, tem significados opostos. Postergar significa deixar pra trás. E procrastinar quer dizer adiar, ou seja, jogar pra frente.
Procrastinação é o ato de esquivar-se de uma tarefa que necessita ser realizada. É o mau hábito de deixar para amanhã o que pode ser feito hoje. Isto pode nos levar a ter sentimentos de culpa, desajuste, depressão e baixa autoestima. Pode causar ainda, preocupação, irritabilidade, sensação de fracasso, expectativa ruim, mal-estar e angústia inexplicável.  As conseqüências desse mau hábito podem ser danosas, como o insucesso profissional e a frustração nos assuntos e negócios particulares: perdas de oportunidades financeiras, afetivas.
Embora a procrastinação possa ser vista como uma forma de preguiça, ela surge por razões variadas, incluindo: fuga de experiências negativas, falta de capacitação, medo de comentários e avaliações de terceiros, hostilidade à tarefa ou à pessoa que a solicitou, pessimismo, depressão, passividade ou acomodação, medo de rejeição, baixa tolerância às frustrações, sentimento de injustiça, sobrecarga de responsabilidade e pressão.
A causa da postergação pode ser por perfeccionismo, nesse caso, o postergador pode pensar que não fez o melhor que poderia fazer, ou achar, por exemplo, que seu trabalho nunca está suficientemente bom para ser entregue. Pode ficar paralisado pensando nos aborrecimento que terá na execução de uma tarefa tediosa e cansativa. Pode sentir-se esmagado pela complexidade e tamanho da tarefa e com medo de falhar. Como resultado, gasta muito de seu tempo angustiado com o que tem a fazer, ao invés de agir. Se tiver dificuldade de concentração: pode ficar sonhando, flutuando no espaço, navegando pela Internet sem propósito, etc, ao invés de se dedicar a alguma tarefa. Geralmente não sabe administrar com inteligência o tempo, não sabe estabelecer prioridades ou esta inseguro quanto a elas. Como resultado, se dedica a tarefas menos importantes, sem objetivos, metas e planejamento. Pode ser que a falta de disciplina e de organização o impeça de produzir.
Ainda, podemos dizer que a imaturidade é fator preponderante para a atitude de procrastinar ou postergar, não se descartando também, a presença de certos Transtornos Mentais como: Depressão, TDAH, Transtorno Obsessivo-compulsivo, Fobia Social, e outros problemas emocionais como: dificuldades financeiras, conflitos no trabalho, desmotivação, problemas familiares ou amorosos, ou mesmo físicos como, por exemplo, anemias, depressões, problemas hormonais.
Na verdade, todos nós queremos evitar a dor ou o incomodo de fazer algo que sentimos ser maçante, injustificado, difícil, complicado, ou até mesmo, emocionalmente doloroso. Por isso, adiar tarefas, planos e sonhos são muito mais comuns do que se pensa.
 A procrastinação pode aparecer ainda como uma manifestação contra excesso de autoridade, ou seja, contra tudo aquilo que é imposto, seja por superiores, pais, professores, chefes, onde não há espaço para argumentos. Enfim, há vários motivos pelos quais procrastinamos: baixo nível de energia, alto nível de stress, saúde debilitada, medo, receio, preguiça, até mesmo rebeldia, quando algo nos é imposto como obrigação.
Há Vários tipos de procrastinador: Procrastinador emocional: o que não consegue fazer nada que não atenda suas aspirações de satisfação imediata. Procrastinador estressado: O que fatalmente provoca acúmulos, adiamentos, delongas. O grande problema do estressado é não confiar em suas próprias habilidades. Procrastinador confuso aquele que é incapaz de priorizar tarefas e ações. Procrastinador atemporal: o que não tem noção de tempo. Procrastinador preguiçoso: o que acha que nada é mais importante do que seu conforto. Procrastinador folclórico: o que se orgulha de ser o que deixa pra depois só para ser diferente.
O problema com a procrastinação é que ela se auto-alimenta. Quanto mais adiamos algo, mais resistentes ficamos. Até que adiar deixa de ser uma opção e somos obrigados a correr atrás do prejuízo.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
      Psicóloga Clínica



Tricotilomania: que mania é esta? 





A tricotilomania foi descrita pela primeira vez em 1889, por Hallopeau, sendo atualmente classificada entre os transtornos de hábito e de controle de impulsos. Caracteriza-se por comportamento recorrente de arrancar os próprios cabelos, aumento da tensão imediatamente antes de arrancar (quando a pessoa tenta resistir ao comportamento), e sentimento de prazer, satisfação ou alívio após arrancá-los. Consiste num descontrole recorrente, resultando em perda capilar perceptível.
Os locais de onde os cabelos são arrancados podem compreender qualquer região do corpo (inclusive as regiões axilar, púbica e peri-retal), sendo os pontos mais comuns o couro cabeludo, sobrancelhas e cílios.
O ato de arrancar cabelos pode ocorrer em breves episódios ao longo do dia, ou em períodos menos freqüentes, porém mais prolongados, que podem se estender por horas. Algumas pessoas apresentam outros comportamentos associados como: brincar ou esfregar com o polegar e o indicador os cabelos que arrancam, morder a raiz do cabelo, e outras manias como, cutucar a pele ou roer unhas (onicofagia). Circunstâncias estressantes freqüentemente aumentam esse comportamento, mas ele também pode ocorrer em estados de relaxamento e distração, (por ex., assistindo televisão ou lendo um livro.
            Como qualquer outro comportamento desviante, a tricotilomania se apresenta em diversos graus, revelando-se desde pequenas falhas nos cabelos ou áreas de alopecia até a calvície total. Na maioria das vezes, este comportamento começa na infância ou adolescência. As justificativas da pessoa portadora de tal distúrbio são: sensação irresistível de coceira, impossibilidade de resistir ao impulso, ansiedade antes de começar o ato e a sensação de alívio da ansiedade, após arrancar fios de cabelo.
Pessoas com tricotilomania sentem-se envergonhadas pelo seu comportamento e sua aparência, por isso, tendem esconder o quanto possível o problema de sua família e amigos, ou negam o comportamento, daí ser de difícil diagnóstico. Vergonha e desconforto podem ter repercussões graves na auto-estima, na carreira e na vida social do portador, embora este procure disfarçar recorrendo a penteados elaborados, apliques,  perucas, bonés e chapéus.
            O aspecto mais complicado deste distúrbio é a ingestão de partes do cabelo, como as raízes, ou do cabelo inteiro, podendo levar ao desenvolvimento de "bolos" de cabelos no estômago ou intestinos, o que é raro, mas perigoso. Á tricotilomania é mais comum do que se pensa, é um transtorno como outro qualquer, só que um pouco mais esquisita e de tratamento demorado. A causa é desconhecida. Familiares destes pacientes apresentam maior incidência de distúrbios de ansiedade, Tricotilomania, Distúrbio Obsessivo-compulsivo, Síndrome de Tourette, Síndrome do Pânico e Depressão. Provavelmente existe uma combinação de fatores genéticos que provocam a disfunção de Neurotransmissores, associada a problemas emocionais que desencadeiam os sintomas.
Fatores psicológicos e emocionais a serem levados em conta são: emoções desagradáveis, solidão, ansiedade, tensão, raiva, tristeza, rejeição, culpa, carência afetiva. Fatores ambientais como, atividades sedentárias e contemplativas, durante as quais as mãos estão livres e/ou a mente desocupada são agravantes.
Nestes casos, culpar a pessoa por arrancar cabelos é o mesmo que culpar um asmático por não conseguir respirar. Crítica, raiva e acusações não vão diminuir o problema e podem aumentar a vergonha, a depressão, a ansiedade e a baixa auto-estima que freqüentemente acompanham e intensificam a compulsão.
O tratamento mais indicado é a terapia cognitivo-comportamental associada à terapia medicamentosa, com resultados há longo prazo. O diagnóstico não é confirmado se o ato de arrancar os cabelos for explicado pela presença de transtorno mental (por ex., em resposta ao delírio ou alucinação) ou se por condição médica geral (por ex., inflamação da pele ou outras condições dermatológicas). O distúrbio pode causar prejuízos significativos no funcionamento afetivo, profissional, ocupacional e social do indivíduo. Os jovens são os mais atingidos por este transtorno. Por se tratar de patologia com sinais evidentes e repercussão na auto-estima, não deve ser negligenciada, já que é causa de grande desconforto e de perdas consideráveis.


                          Profa.Dra. Edna Paciência Vietta
                                   Psicóloga Clínica



DISTIMIA

Distimia 

Descrita pela primeira vez nos anos 80, a DISTIMIA foi reconhecida pela medicina como uma forma crônica de depressão leve. O portador de Distimia passa, às vezes, a vida toda sendo considerado pelos outros como sendo “baixo astral”, melancólico, mal-humorado. São pessoas que não têm muita tolerância para com as imperfeições dos outros. Possuem baixa auto-estima e são extremamente autocríticas, têm habilidades sociais pouco desenvolvidas, podendo se prejudicar pelas dificuldades de relacionamentos com colegas de escola, de trabalho, familiares, namorados, companheiros ou cônjuge. Dado seus comportamentos negativistas, rígidos, ranzinzas, acabam recebendo tratamento pejorativo, refletindo em estímulos negativos e reforçando, ainda mais, sua visão negativa do mundo.

Várias são as causas deste transtorno, entre elas, podemos citar: relacionamentos familiares complicados na infância; pais abusivos, agressivos, ausentes, distímicos. Em famílias que tenham mais membros que sofram de Depressão, Pânico, e outros distúrbios que interferem no metabolismo de certas substâncias cerebrais, abuso de álcool, tranqüilizante e/ou drogas ilícitas, reações de estresse extremo, etc. O distímico só enxerga o lado negativo do mundo, são sistemáticos, é o tipo de pessoa que não manifesta alegria por muito tempo, que se queixa da sogra, do chefe, do cachorro, do vizinho. Aborrecem-se quando chove, faz sol, calor, frio, da rotina, enfim é um eterno insatisfeito. Tudo é motivo para reclamação, nervosismo e irritação. Essas pessoas são hipersensíveis e se ofendem com muita facilidade, parecem sempre tensas, contidas, na defensiva, de difícil relacionamento. Reconhecem sua inconveniência quanto à rejeição social, mas não conseguem se controlar. Suas reações são imprevisíveis. Nunca se sabe como agir com elas, daí serem muitas vezes rejeitadas evitadas. Não se sentem doentes, mas sim, prejudicadas, rejeitadas, incompreendidas, injustiçadas. A desculpa recai sempre no ambiente, nas pessoas a sua volta, nas circunstâncias, etc. É comum, a queixa vir de um cônjuge, namorado, ou familiar, geralmente por afetá-lo, ou ser parte de seu problema (conviver com uma pessoa distímica).

O distímico é bastante resistente a tratamento, só buscando ajuda quando sua depressão passa a incomodá-lo, o que geralmente acontece quando esta, já se tornou grave. São pessoas que superestimam os aspectos negativos dos acontecimentos. Qualquer tarefa será sempre considerada “cavalo de batalha”. Tudo é feito por obrigação, nada por prazer. O sentimento de infelicidade o domina o tempo todo. Vivem irritadas, às vezes, fazem grosserias, magoando ou ofendendo pessoas, brigando por qualquer motivo. A pessoa distímica passa a maior parte do dia de mau-humor (ou humor deprimido), além disso, pode sentir cansaço, baixa energia, desânimo, preocupação excessiva, insônia ou sonolência, falta ou excesso de apetite, sensação de inadequação, queixas físicas (náusea, vômito, cefaléia, enxaqueca), dificuldade em tomar decisões, falta de concentração, etc. Como os sintomas são relativamente atípicos, a DISTIMIA pode ser confundida com um traço de personalidade, ou natureza da pessoa. Embora, trata-se de depressão leve, isso não significa ser menos grave, já que estas pessoas apresentam sofrimento razoável, sentem-se rejeitadas, deslocadas, além de correrem 30% mais riscos de desenvolverem quadros depressivos graves, como Transtorno de Pânico, Dependência de álcool e drogas ilícitas, idéias suicidas, daí ser sempre prudente consultar um especialista. Este transtorno atinge pelo menos 180 milhões de pessoas no mundo e 5% da população geral ao longo da vida, acometendo duas a três vezes mais mulheres do que homens. Normalmente, os sintomas aparecem no início da vida adulta perdurando por vários anos, às vezes, a vida toda. Quando não tratada, a depressão interfere de modo significativo na qualidade de vida das pessoas. A diferença entre o distímico e outros mal-humorados é que os últimos reclamam de um problema, mas mudam de humor quando obtém a solução, enquanto o distímico, segue procurando justificativas para continuar mal-humorado. É bom esclarecer que nem todo mal-humorado pode ser considerado distímico. Só podemos afirmar que mau-humor é doença quando estiver acompanhado dos sintomas mencionados e for percebido de forma constante por longo tempo. É importante saber que o distímico não consegue se curar sozinho. A boa notícia é que a doença tem cura quando adequadamente tratada.

Profa. Dra. Edna Paciência Vietta

Psicoterapia e seus benefícios



Os últimos avanços na área da Psicologia e Psicoterapia têm permitido alcançar resultados cada vez melhores e mais significativos. Apesar de ser considerado um tratamento oneroso, a psicoterapia tem se mostrado, na realidade, um procedimento econômico. Pesquisas indicam que a aplicação efetiva da psicoterapia diminui os índices de transtornos mentais, internações hospitalares, idas aos prontos socorros, a auto-medicação e seus malefícios, e consumo indevido de psicotrópicos, outros medicamentos, etc.
Além dos benefícios que traz para a saúde psicológica da pessoa, a psicoterapia melhora a qualidade de vida, favorece a aquisição de autonomia, aumento de auto-estima, dando uma nova orientação em relação à vida das pessoas. A psicoterapia tem se mostrado um tratamento economicamente compensador, por prevenir e tratar problemas psicológicos que, quando não tratados adequadamente, trazem enormes prejuízos pessoais, conjugais, sociais e profissionais, com repercussão na situação econômica e afetiva das pessoas (perdas financeiras, compulsões, divórcios, separação, perda de emprego ou de oportunidade de ascensão no trabalho, etc.).
Em nossa atividade profissional, temos observado que a maioria das pessoas que tem comparecido à clínica, em busca de ajuda psicológica, o faz por vontade própria, outros vêm por insistência ou pressão da família. Os que comparecem por esta última via, geralmente, apresentam maior dificuldade em aderirem ao tratamento, neste caso demoram um pouco mais a se engajarem no processo. É importante dizer que a psicoterapia só funciona a partir do momento em que o cliente desejar ser ajudado e aceitar o tratamento, ou seja, sem engajamento não há terapia. A experiência tem mostrado que as pessoas que procuram ajuda espontaneamente respondem melhor ao tratamento e têm melhor aproveitamento que aquelas que se submeteram às decisões de terceiros. Os que tomaram iniciativa própria, geralmente se deram conta de que algo diferente estava acontecendo com elas, sentiram necessidade de buscarem ajuda e obtiveram grande alívio ao poderem expressar seus sentimentos de forma adequada. Alguns destes sentimentos foram manifestos através da verbalização de insatisfação como forma da pessoa reagir a certos acontecimentos, frustrações com sua situação familiar, dificuldades nos relacionamentos interpessoais, falta de iniciativa ou disposição para realizar atividades cotidianas, posturas habitualmente pessimistas, oscilação de humor, medos irracionais, pânico, timidez, ansiedade, depressão, ciúme, desânimo, entre outros. Ainda, como motivos desta procura foram indicados: a percepção de que o padrão de comportamento utilizado por essas pessoas não lhes proporcionava vida estável e equilibrada, que o jeito habitual de ser, lhes causava problemas e prejuízos consideráveis na vida pessoal, social e profissional, sendo, muitas vezes, impeditivos para o estabelecimento de relacionamentos satisfatórios.
Temos presenciado pessoas que procuram ajuda psicológica por, de repente, se deram conta de que os problemas foram se acumulando ao longo da vida e soluções foram sendo postergadas às expensas do estresse causado, culminando em agravamento de conflitos pessoais, conjugais e profissionais. Algumas pessoas ficaram surpresas em terem permitido que seu estado emocional pudesse chegar a tal nível. Tais pessoas se questionaram como puderam negligenciar sua saúde mental e conviverem com tantos problemas, suportando tantos sofrimentos. Mais surpresas ficaram quando descobriram as conseqüências negativas, que poderiam ter evitado (algumas delas irreversíveis), caso tivessem buscado ajuda apropriada, no momento adequado. As pessoas se mostraram arrependidas por não terem tomado iniciativa antes, tomando consciência do preço que tiveram que pagar por permanecerem em conflitos consigo e com os outros, sobretudo, com os mais próximos e significativos (filhos, pais, cônjuges, etc.). Admitiram o quanto viveram infelizes, derrotadas, amargas, mal-humoradas, quando poderiam ter desfrutado melhor as oportunidades da vida. Pessoas que já poderiam ter alcançado sucesso em sua vida conjugal, familiar, profissional, encontram-se hoje, sem rumo, desorientadas frustradas, sem perspectivas futuras por falta de autoconhecimento e auto-estima. Quantas delas insistem em resolver os problemas por si próprias, sem obterem resultados desejados, se acomodando a eles por medo, orgulho, preconceito, teimosia, ou mesmo, por ignorarem os recursos psicológicos disponíveis. Ainda, assim, muitas resistem recorrerem a esta alternativa, mesmo sabendo ser esta, o recurso efetivo para instrumentá-las a lidarem adequadamente com seus conflitos.

Auto-estima: sucessos e fracassos

A auto-estima é um sentimento essencial à sobrevivência psicológica, no entanto, as exigências do mundo moderno parecem estar tornando tal conquista uma tarefa penosa e difícil de ser atingida. Haja vista suas implicações freqüentemente detectadas nas queixas dos clientes tanto jovens, como adultos e idosos que procuram ajuda psicológica, entre elas: a timidez, a insegurança, a depressão, a dependência afetiva, o ciúme excessivo, etc.
A crise de valores parece ser outra conseqüência desta presença constante, um dos sintomas emocionais freqüentes. Muitos sentimentos de inferioridade podem ser influenciados por valores distorcidos pela mídia, por publicidades apelativas, por apelos ao consumismo, pelo culto ao corpo, por ideologias consumistas.
O mundo moderno supervaloriza o novo, o belo, o perfeito, o forte, os mais jovens, a performance sexual, as proezas atléticas, o poder, as posses materiais, mas não valoriza da mesma forma, o amor, a simpatia, o caráter, a amizade, a alegria, a paz, a fé, a tolerância, a fidelidade, a compreensão, as tradições, a disciplina, os valores morais. Quando falamos de auto-estima estamos referindo-nos ao grau de aceitação de nós mesmos, do grau de estima que adotamos frente ao conceito que fazemos de nós. Nossos sentimentos afetam nossa auto-estima de maneira positiva ou negativa. O sentimento de auto-estima é a percepção valorativa de nosso ser, da importância que temos para as pessoas que nos rodeiam, e desta, depende toda nossa realização pessoal e profissional. É a partir dela que tomamos decisões, fazemos escolhas e nos relacionamos e interagimos com o meio familiar, profissional e social.
Da auto-estima depende nossos sucessos e fracassos, uma vez que vinculada a um conceito positivo de nós mesmos, pode potencializar nossas capacidades e talentos, desenvolver habilidades, aumentar nosso grau de segurança pessoal e nos levar a postura otimista frente a novas conquistas. Isto implica no sentimento de estarmos de bem com a vida, de sermos aceitos e amados pelo que somos. Por outro lado, também é certo que auto-estima em excesso pode se constituir num transtorno para o relacionamento quando a pessoa se torna convencida, arrogante, egoísta, podendo, muitas vezes, ser confundida com a personalidade narcísica.
Estudos recentes, realizados por pesquisadores da Califórnia, afirmam que auto-estima muito elevada pode levar à frustração e até mesmo à delinqüência. Segundo os pesquisadores, a pessoa que não sabe dosar sua auto-estima traz danos a si própria e à sociedade, pois esta atitude pode extrapolar os níveis saudáveis da competitividade e exacerbar a agressividade e a intolerância. O ideal é a ponderação entre os extremos.
A auto-estima negativa faz com que a pessoa não confie em si própria, nem em suas possibilidades, se desvalorizando e se sentindo inferior às outras pessoas. A pessoa com baixa auto-estima está sempre com a sensação de desvantagem, incapacidade, sentimento de que nunca chegará a ter o mesmo rendimento que os outros e acaba se convencendo disso. A autocrítica dura e excessiva, imposta pela baixa auto-estima, imprime estados de insatisfação da pessoa consigo própria, indecisão crônica, medo exagerado do insucesso, e de equivocar-se, ser criticado, humilhado, rejeitado, etc. Esta condição faz com que o indivíduo se retraia e desista de seus intentos.
O autoconceito e a auto-estima, em dose adequada, favorecem o sentido de identidade, constitui marco de referência, já que interpretar a realidade externa e às próprias experiências, influem no rendimento, condiciona as expectativas e a motivação, contribuindo de forma efetiva para o controle emocional e conseqüentemente para o equilíbrio psíquico.
O autoconhecimento é o caminho para auto-realização e o processo que leva à auto-estima. À medida que a pessoa identifica e aceita suas qualidades e defeitos, estará aberta para o conhecimento e reconhecimento de seus sentimentos, desejos e vontades, estará dando um grande passo para o autoconhecimento. Em geral, experiências positivas, e bons relacionamentos ajudam a aumentar a auto-estima, enquanto experiências e relações problemáticas a diminuem.
Seja uma pessoa bem sucedida cuidando de sua saúde emocional.




Profa. Dra. Edna Paciência Vietta
Psicóloga/Psicoterapeuta